quinta-feira, 14 de junho de 2012
És

(foto: tela "Nascimento", de Dina Ventura)
És
O tempo reencontrado
Na paragem da respiração
O amor inesperado
A quem não sei dizer não
És
O sonho flutuante
Na noite cicatrizada
A gota de sal soante
Na pele incendiada
És
O espaço reconstruido
Depois do caos possante
O mar desmedido
Que brota incessante
És
O sorriso esperado
Desse primeiro momento
O céu alcançado
No seu quinto elemento
sábado, 5 de maio de 2012
"Poetar Contemporâneo - vol. II"
E depois do lançamento do "Poetar Contemporâneo - vol. II", aqui fica mais um texto que integra a respectiva colectânea: "aconteces-(Me)" que publiquei neste blogue há dois anos...
porque a poesia é um momento, um rasgo de tempo que acontece... um sopro de luz dum "aMor Maior" ...
aconteces-me
por dentro da verdade eterna
de ternos sossegos – inquietude
quieta neste anoitecer orado
oração coroada dos teus braços
em mim
aconteces-me
do outro lado da dor consentida
reconhecida e consertada
neste desconserto de amar
submergida planície que guardas
em ti
aconteces-me
quando as tuas mãos laçam as minhas
luz no Éter dum bailado azulado
e abrem laços de ternura serena
quando sobrevoamos as margens
em nós
domingo, 22 de abril de 2012
"Poetar Contemporâneo - vol. II"
No próximo dia 29 de Abril, pelas 16 horas, no Hotel Real Palácio em Lisboa, será apresentada a obra "Poetar Contemporâneo - vol. II", na qual tive o privilégio e a honra de participar, depois do sucesso que foi o "Poetar Contemporâneo - vol I".
Deixo-vos com um dos meus textos que integram a referida obra: "Nas tuas Mãos"... (texto dedicado às "Mãos" de alguém muito especial, mas que agora são palavras de todos vós...)
Nas tuas Mãos
corre um rio arqueado em delta maior
onde crepitam mil margens angulares
na lareira intensa dos nossos olhares
Nas tuas Mãos
cresce um tempo soletrado no silêncio
de luares profanados por esta paixão
na terra ancorada dessa tua razão
Nas tuas Mãos
soltam-se asas de anjos flutuantes
envolvidos nas voltas da madrugada
e a lua amanhece cheia de luz salgada
Nas tuas Mãos
desaguam sonhos como nascentes
fontes sedentas no ventre dos cristais
respirações etéreas como vendavais
Nas tuas Mãos
reconheço a profecia confessada
na voz do mar ao chegar
à foz do verbo aMar...
quinta-feira, 15 de março de 2012
Translúcida
fotografia: Miguel Quaresma
Translúcida é a luz na íris arqueada
sombreada na exaltação do momento
que seduz a íngreme madrugada velada
e solta silêncios nas escarpas do vento
Translúcida é a forma do éter rasgado
no rolar das vagas entre margens esbatidas
que inundam de cor o luar ondulado
e iluminam o crepitar das marés despidas
Translúcida é a linha na tela cifrada
reticente no fruto maduro do amor
onde a certeza é senda indesejada
nos traços e na mestria do pintor
Translúcida é a sombra de luz sonhada
na brandura do mesmo mar prometido
onde se espraia a penumbra semeada
na síncope dum coração renascido…
http://gandaembloglio.blogspot.com/
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Há no teu respirar...
Há no teu respirar
uma travessia em contra-luz que me seduz
deserto aberto e murmurante às feridas colhidas
na seiva da terra ardente
pérolas inquietas no refúgio do teu olhar,
onde guardo todo ao meu aMar…
Há no teu respirar
um poente eloquente em cada entardecer
nas marés de ouro liberto nas praias recolhidas
inquietas ao pudor das estrelas caídas
rendidas à música entoada no teu respirar,
cântico fogoso no meu silenciar…
Há no teu respirar
um sopro rasgado na fímbria dum sonho lunar
ceifado na prata duma planície florida
das minhas ocultas rosas-roxas-proféticas
sombreadas no glauco do teu olhar,
tela onde desenho o meu madrugar…
Há no teu respirar
uma loucura incandescente que acende
temporais suspensos na curva ascendente
transbordantes nos poros oceânicos
reconhecidos nos sons desse teu chegar,
ao segredo que guardo do teu respirar…
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Poetar Contemporâneo
"rasgos sem rima" - é um dos meus textos a integrar o "Poetar Contemporâneo" - a ser lançado no próximo dia 15 de Outubro, na Fundação Portuguesa de Comunicações, em Lisboa.
Os direitos de autor da venda deste primeiro volume, revertem para a Associação de Solidariedade Social - "Ajuda de Berço".
Relativamente à minha ausência deste meu e vosso cantinho... prometo a todos os que me escrevem e contactam (e a todos os outros que desconheço o rasto de luz, mas sei que estão aí) que irei regressar em breve... com mil palavras à solta...
... porque há momentos certos na vida ...
rasgos sem rima
chegas num gesto abraçado
trazes nas Mãos o pó aceso das estrelas
e o brilho do negrume precipitado
dum outro Mar...
a luz eleva-se no culminar do entardecer
tocas as Margens na abrangência dos teus braços,
demoves o Manto bordado a pérolas negras
onde um dia me perdi
a luz regressa na transparência da noite,
como uma confissão silenciada...
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