quarta-feira, 6 de março de 2013

"Dizer Poesia", na RDP Internacional - Março 2013


 https://soundcloud.com/isabelabranco/128-programa-cristina


"Dizer Poesia"  

 um programa de Isabel Branco
na RDP Internacional 
  às 3ªs feiras (entre as 03.15h e as 03.30 h e às 22.45h) e 6ªs (às 00.30h) -

128º Programa (05 e 08.03.2013), com : 
Cristina Fernandes

Poemas:
  Translúcida
Ecos do Mar...  
 Meu - Sei-nos


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Voo indomável...

 
Há um voo que se espraia no destino
da ave que arrisca o rasgo eterno
e sobrevoa a planície num só hino
ao desfolhar as sombras do inverno

Nessa vontade de sul ergue-se a voz
o cântico ansiado no ventre do estio
sabor inquieto desta paixão feroz
seara crescente do luar em pousio

Na rota sem morada cresce a sede
arde na margem do lastro indecifrável
trespassado neste voo que antecede

o culminar da chegada indomável
entre agruras do frio que se despede
num novo raiar de luz inquebrável...

 


Cristina Fernandes
foto: Francisco Navarro
https://www.facebook.com/FrankNavarroFotografias

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

ecos do mar...



aquieto o rubro fulgor do outro lado do mar
espaço sem tempo que acende poentes
renascidos no regresso da vaga ao aflorar
velhos deltas dos mesmos rios confluentes

escrevo nesse ondular despido de terra
silêncio planado no segredo do desejo
onde crescem rosas salgadas – almejadas
ao teu olhar brilhante onde me revejo

cresce uma luz frondosa no teu rosto
que ilumina a margem acesa da esperança
sombreada entre murmúrios embalados
no inaudível sonho mareante de criança

evoco o eco do mar no poema crescente
recôndito na memória do mesmo mar
e em ti (re)encontro o mesmo afluente
da água inquieta que não quero domar…

 

foto: Francisco Navarro
https://www.facebook.com/FrankNavarroFotografias

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Renda de luz ...

                                                                                         foto:    Francisco Navarro


Renda de luz ...
Entrelaçada no fio descontinuado da memória 
Que solta amarras entre folhas orvalhadas 
Tecidas no mesmo olhar, na mesma trajectória 
Fustigada no sentir das nossas madrugadas 

Renda de luz ...
Exausta nos filamentos agrestes e silenciados 
Na procura de quentes nevoeiros entre cristais 
Gelo quebrado dos nossos luares despudorados 
Noites iluminadas entre confissões e vendavais 

Renda de luz ...
Trespassada nos ramos coroados de saber 
Que o passageiro do tempo lapida no Inverno 
Rumo ao “Sul Sagrado” dum novo recolher 
Renascido no degelo do nosso lugar eterno

Renda de luz ...
Soletrada nas vagas arqueadas da paixão 
Que soltam mil estrelas salgadas – sideradas 
Dos olhares como fiandeiros da tentação 
De duas almas reencontradas – naufragadas 

“Do lado certo do coração… 
És renda de luz que me seduz…”


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sei...

                                                                                            foto:   Francisco Navarro

Sei da sombra fluente no pó cheio do deserto
sei da queda das estrelas no vácuo do tempo
sei da respiração suspensa na hesitação do sonho
sei do olhar embutido no rubro abismo ascendente
sei do voo desarvorado da palavra silenciada
sei do arvoredo flutuante na terra sem semente
sei do cântico sedento nas margens entornadas
sei do sorriso encerrado no segredo revelado
sei da falésia erguida nas escarpas do silêncio
sei do brilho salgado guardado no suor dos Deuses
sei da noite desviada na linha ténue da madrugada
sei do gelo herdado na fissura do olhar estilhaçado
sei do renascer deste Amor num dia dito santo
sei dos homens que o designaram – “ressurreição”
não sei… sei, apenas sentir o pulsar do coração…


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Momentos...


"Cor Púrpura", de Carlos Bondoso
20 de Outubro de 2012 - Lisboa





"Há o Silêncio em Volta", de Álvaro Giesta
22 de Setembro de 2012 - Biblioteca Municipal da Moita

terça-feira, 9 de outubro de 2012

à porta do sonho...




espaço aberto à fragilidade da luz
que se escoa entre laivos indomáveis
dum caudal trilhado sem memórias
onde se eternizam silêncios tocáveis

passo a passo cresce um dual arco-íris
nas cores cifradas deste cálido Outono
enternecido nas palavras guardadas
do meu sentir respirado no teu sono

talvez seja este o amor prometido
na paz quente das raízes fundeadas
dum outro tempo, velho continente
submerso nas dores hoje cicatrizadas

e no teu olhar de planície além Tejo
corre um rio sem foz, sem nascente
sentido certo duma nova consciência
desse teu sentir de Sul – presente

em mim...


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

entre raízes aprisionadas...

entre raízes aprisionadas 
liberto a semente implodida
nesse abraço enlaçado
planície da terra prometida

entre raízes aprisionadas
desvendo a cor do sentimento
caudal do olhar inaugural
nas mil águas soltas ao vento

entre raízes aprisionadas
revelo a luz dum novo dia
poros abertos à paz 
no pautar da estrela guia

entre raízes aprisionadas
cresce um sabor inesgotável
nas gotas de sal beijadas
explosão da tua pele arável

em mim...


foto: Francisco Navarro
https://www.facebook.com/FrankNavarroFotografias


quinta-feira, 14 de junho de 2012

És



       (foto: tela "Nascimento", de Dina Ventura)


És
O tempo reencontrado
Na paragem da respiração
O amor inesperado
A quem não sei dizer não

És
O sonho flutuante
Na noite cicatrizada
A gota de sal soante
Na pele incendiada

És
O espaço reconstruido
Depois do caos possante
O mar desmedido
Que brota incessante

És
O sorriso esperado
Desse primeiro momento
O céu alcançado
No seu quinto elemento

sábado, 5 de maio de 2012

"Poetar Contemporâneo - vol. II"






E depois do lançamento do "Poetar Contemporâneo - vol. II", aqui fica mais um texto que integra a respectiva colectânea: "aconteces-(Me)" que publiquei neste blogue há dois anos... 
 porque a poesia é um momento, um rasgo de tempo que acontece... um sopro de luz dum "aMor Maior" ...


aconteces-me
por dentro da verdade eterna
de ternos sossegos – inquietude
quieta neste anoitecer orado
oração coroada dos teus braços
em mim

aconteces-me
do outro lado da dor consentida
reconhecida e consertada
neste desconserto de amar
submergida planície que guardas
em ti

aconteces-me
quando as tuas mãos laçam as minhas
luz no Éter dum bailado azulado
e abrem laços de ternura serena
quando sobrevoamos as margens
em nós

 

domingo, 22 de abril de 2012

"Poetar Contemporâneo - vol. II"


No próximo dia 29 de Abril, pelas 16 horas, no Hotel Real Palácio em Lisboa, será apresentada a obra "Poetar Contemporâneo - vol. II", na qual tive o privilégio e a honra de participar, depois do sucesso que foi o "Poetar Contemporâneo - vol I". 
Deixo-vos com um dos meus textos que integram a referida obra: "Nas tuas Mãos"... (texto dedicado às "Mãos" de alguém muito especial, mas que agora são palavras de todos vós...)

 
Nas tuas Mãos
corre um rio arqueado em delta maior
onde crepitam mil margens angulares
na lareira intensa dos nossos olhares

Nas tuas Mãos
cresce um tempo soletrado no silêncio
de luares profanados por esta paixão
na terra ancorada dessa tua razão

Nas tuas Mãos
soltam-se asas de anjos flutuantes
envolvidos nas voltas da madrugada
e a lua amanhece cheia de luz salgada

Nas tuas Mãos 
desaguam sonhos como nascentes
fontes sedentas no ventre dos cristais
respirações etéreas como vendavais

Nas tuas Mãos
reconheço a profecia confessada
na voz do mar ao chegar 
à foz do verbo aMar...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Translúcida


                                                      fotografia:  Miguel Quaresma   
 
Translúcida é a luz na íris arqueada
sombreada na exaltação do momento
que seduz a íngreme madrugada velada
e solta silêncios nas escarpas do vento

Translúcida é a forma do éter rasgado 
no rolar das vagas entre margens esbatidas
que inundam de cor o luar ondulado
e iluminam o crepitar das marés despidas 

Translúcida é a linha na tela cifrada
reticente no fruto maduro do amor
onde a certeza é senda indesejada
nos traços e na mestria do pintor

Translúcida é a sombra de luz sonhada
na brandura do mesmo mar prometido
onde se espraia a penumbra semeada
na síncope dum coração renascido…


 http://gandaembloglio.blogspot.com/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

...

 és o meu Momento certo… aquele que me sorri de olhar aberto… o céu incerto recortado nos verdes mágicos do teu olhar… e só em ti, sei aquietar a minha estranha forma de aMar…
 ... porque faz todo o sentido este  "post" dos "Momentos Meus" ser colocado aqui no meu "Momento Certo"... podem acompanhar pelo link http://mmomentosmmeus.blogspot.com/ ... gosto das reticências onde guardo as palavras por dizer para ti... porque, foi num Abril ainda recente que te (re)encontrei naquele nosso e eterno "Momento Certo"...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Há no teu respirar...

                               
Há no teu respirar
uma travessia em contra-luz que me seduz
deserto aberto e murmurante às feridas colhidas
na seiva da terra ardente
pérolas inquietas no refúgio do teu olhar,
onde guardo todo ao meu aMar…

Há no teu respirar
um poente eloquente em cada entardecer
nas marés de ouro liberto nas praias recolhidas
inquietas ao pudor das estrelas caídas
rendidas à música entoada no teu respirar,
cântico fogoso no meu silenciar…

Há no teu respirar
um sopro rasgado na fímbria dum sonho lunar
ceifado na prata duma planície florida
das minhas ocultas rosas-roxas-proféticas
sombreadas no glauco do teu olhar,
tela onde desenho o meu madrugar…

Há no teu respirar
uma loucura incandescente que acende
temporais suspensos na curva ascendente
transbordantes nos poros oceânicos
reconhecidos nos sons desse teu chegar,
ao segredo que guardo do teu respirar… 


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Poetar Contemporâneo

Dia 05 de Novembro às 17h30, na Livraria Portugal (Rua do Carmo-Lisboa) sessão de autógrafos do projecto "Poetar Contemporâneo" - vendas do livro revertem para a instituição de solidariedade social "Ajuda de Berço".

Este é um dos meus textos que integra a referida colectânea... 

 

 

 Sei...

Sei da sombra fluente no pó cheio do deserto

sei da queda das estrelas no vácuo do tempo

sei da respiração suspensa na hesitação do sonho

sei do olhar embutido no rubro abismo ascendente

sei do voo desarvorado da palavra silenciada

sei do arvoredo flutuante na terra sem semente

sei do cântico sedento nas margens entornadas

sei do sorriso encerrado no segredo revelado

sei da falésia erguida nas escarpas do silêncio

sei do brilho salgado guardado no suor dos Deuses

sei da noite desviada na linha ténue da madrugada

sei do gelo herdado na fissura do olhar estilhaçado

 sei do renascer deste Amor num dia dito santo

sei dos homens que o designaram – “ressurreição”

não sei… sei, apenas sentir o pulsar do coração… 

 

                                                     Foto: Miguel Quaresma

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Poetar Contemporâneo



"rasgos sem rima" - é um dos meus textos a integrar o "Poetar Contemporâneo" - a ser lançado no próximo dia 15 de Outubro, na Fundação Portuguesa de Comunicações, em Lisboa.

Os direitos de autor da venda deste primeiro volume, revertem para a Associação de Solidariedade Social -  "Ajuda de Berço".

Relativamente à minha ausência deste meu e vosso cantinho... prometo a todos os que me escrevem e contactam (e a todos os outros que desconheço o rasto de luz, mas sei que estão aí)  que irei regressar em breve... com mil palavras à solta... 

 ... porque há momentos certos na vida ... 


rasgos sem rima

chegas num gesto abraçado
trazes nas Mãos o pó aceso das estrelas
e o brilho do negrume precipitado
dum outro Mar...

a luz eleva-se no culminar do entardecer
tocas as Margens na abrangência dos teus braços,
demoves o Manto bordado a pérolas negras
onde um dia me perdi

a luz regressa na transparência da noite,
como uma confissão silenciada...