quinta-feira, 30 de agosto de 2012

entre raízes aprisionadas...

entre raízes aprisionadas 
liberto a semente implodida
nesse abraço enlaçado
planície da terra prometida

entre raízes aprisionadas
desvendo a cor do sentimento
caudal do olhar inaugural
nas mil águas soltas ao vento

entre raízes aprisionadas
revelo a luz dum novo dia
poros abertos à paz 
no pautar da estrela guia

entre raízes aprisionadas
cresce um sabor inesgotável
nas gotas de sal beijadas
explosão da tua pele arável

em mim...


foto: Francisco Navarro
https://www.facebook.com/FrankNavarroFotografias


quinta-feira, 14 de junho de 2012

És



       (foto: tela "Nascimento", de Dina Ventura)


És
O tempo reencontrado
Na paragem da respiração
O amor inesperado
A quem não sei dizer não

És
O sonho flutuante
Na noite cicatrizada
A gota de sal soante
Na pele incendiada

És
O espaço reconstruido
Depois do caos possante
O mar desmedido
Que brota incessante

És
O sorriso esperado
Desse primeiro momento
O céu alcançado
No seu quinto elemento

sábado, 5 de maio de 2012

"Poetar Contemporâneo - vol. II"






E depois do lançamento do "Poetar Contemporâneo - vol. II", aqui fica mais um texto que integra a respectiva colectânea: "aconteces-(Me)" que publiquei neste blogue há dois anos... 
 porque a poesia é um momento, um rasgo de tempo que acontece... um sopro de luz dum "aMor Maior" ...


aconteces-me
por dentro da verdade eterna
de ternos sossegos – inquietude
quieta neste anoitecer orado
oração coroada dos teus braços
em mim

aconteces-me
do outro lado da dor consentida
reconhecida e consertada
neste desconserto de amar
submergida planície que guardas
em ti

aconteces-me
quando as tuas mãos laçam as minhas
luz no Éter dum bailado azulado
e abrem laços de ternura serena
quando sobrevoamos as margens
em nós

 

domingo, 22 de abril de 2012

"Poetar Contemporâneo - vol. II"


No próximo dia 29 de Abril, pelas 16 horas, no Hotel Real Palácio em Lisboa, será apresentada a obra "Poetar Contemporâneo - vol. II", na qual tive o privilégio e a honra de participar, depois do sucesso que foi o "Poetar Contemporâneo - vol I". 
Deixo-vos com um dos meus textos que integram a referida obra: "Nas tuas Mãos"... (texto dedicado às "Mãos" de alguém muito especial, mas que agora são palavras de todos vós...)

 
Nas tuas Mãos
corre um rio arqueado em delta maior
onde crepitam mil margens angulares
na lareira intensa dos nossos olhares

Nas tuas Mãos
cresce um tempo soletrado no silêncio
de luares profanados por esta paixão
na terra ancorada dessa tua razão

Nas tuas Mãos
soltam-se asas de anjos flutuantes
envolvidos nas voltas da madrugada
e a lua amanhece cheia de luz salgada

Nas tuas Mãos 
desaguam sonhos como nascentes
fontes sedentas no ventre dos cristais
respirações etéreas como vendavais

Nas tuas Mãos
reconheço a profecia confessada
na voz do mar ao chegar 
à foz do verbo aMar...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Translúcida


                                                      fotografia:  Miguel Quaresma   
 
Translúcida é a luz na íris arqueada
sombreada na exaltação do momento
que seduz a íngreme madrugada velada
e solta silêncios nas escarpas do vento

Translúcida é a forma do éter rasgado 
no rolar das vagas entre margens esbatidas
que inundam de cor o luar ondulado
e iluminam o crepitar das marés despidas 

Translúcida é a linha na tela cifrada
reticente no fruto maduro do amor
onde a certeza é senda indesejada
nos traços e na mestria do pintor

Translúcida é a sombra de luz sonhada
na brandura do mesmo mar prometido
onde se espraia a penumbra semeada
na síncope dum coração renascido…


 http://gandaembloglio.blogspot.com/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

...

 és o meu Momento certo… aquele que me sorri de olhar aberto… o céu incerto recortado nos verdes mágicos do teu olhar… e só em ti, sei aquietar a minha estranha forma de aMar…
 ... porque faz todo o sentido este  "post" dos "Momentos Meus" ser colocado aqui no meu "Momento Certo"... podem acompanhar pelo link http://mmomentosmmeus.blogspot.com/ ... gosto das reticências onde guardo as palavras por dizer para ti... porque, foi num Abril ainda recente que te (re)encontrei naquele nosso e eterno "Momento Certo"...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Há no teu respirar...

                               
Há no teu respirar
uma travessia em contra-luz que me seduz
deserto aberto e murmurante às feridas colhidas
na seiva da terra ardente
pérolas inquietas no refúgio do teu olhar,
onde guardo todo ao meu aMar…

Há no teu respirar
um poente eloquente em cada entardecer
nas marés de ouro liberto nas praias recolhidas
inquietas ao pudor das estrelas caídas
rendidas à música entoada no teu respirar,
cântico fogoso no meu silenciar…

Há no teu respirar
um sopro rasgado na fímbria dum sonho lunar
ceifado na prata duma planície florida
das minhas ocultas rosas-roxas-proféticas
sombreadas no glauco do teu olhar,
tela onde desenho o meu madrugar…

Há no teu respirar
uma loucura incandescente que acende
temporais suspensos na curva ascendente
transbordantes nos poros oceânicos
reconhecidos nos sons desse teu chegar,
ao segredo que guardo do teu respirar… 


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Poetar Contemporâneo

Dia 05 de Novembro às 17h30, na Livraria Portugal (Rua do Carmo-Lisboa) sessão de autógrafos do projecto "Poetar Contemporâneo" - vendas do livro revertem para a instituição de solidariedade social "Ajuda de Berço".

Este é um dos meus textos que integra a referida colectânea... 

 

 

 Sei...

Sei da sombra fluente no pó cheio do deserto

sei da queda das estrelas no vácuo do tempo

sei da respiração suspensa na hesitação do sonho

sei do olhar embutido no rubro abismo ascendente

sei do voo desarvorado da palavra silenciada

sei do arvoredo flutuante na terra sem semente

sei do cântico sedento nas margens entornadas

sei do sorriso encerrado no segredo revelado

sei da falésia erguida nas escarpas do silêncio

sei do brilho salgado guardado no suor dos Deuses

sei da noite desviada na linha ténue da madrugada

sei do gelo herdado na fissura do olhar estilhaçado

 sei do renascer deste Amor num dia dito santo

sei dos homens que o designaram – “ressurreição”

não sei… sei, apenas sentir o pulsar do coração… 

 

                                                     Foto: Miguel Quaresma

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Poetar Contemporâneo



"rasgos sem rima" - é um dos meus textos a integrar o "Poetar Contemporâneo" - a ser lançado no próximo dia 15 de Outubro, na Fundação Portuguesa de Comunicações, em Lisboa.

Os direitos de autor da venda deste primeiro volume, revertem para a Associação de Solidariedade Social -  "Ajuda de Berço".

Relativamente à minha ausência deste meu e vosso cantinho... prometo a todos os que me escrevem e contactam (e a todos os outros que desconheço o rasto de luz, mas sei que estão aí)  que irei regressar em breve... com mil palavras à solta... 

 ... porque há momentos certos na vida ... 


rasgos sem rima

chegas num gesto abraçado
trazes nas Mãos o pó aceso das estrelas
e o brilho do negrume precipitado
dum outro Mar...

a luz eleva-se no culminar do entardecer
tocas as Margens na abrangência dos teus braços,
demoves o Manto bordado a pérolas negras
onde um dia me perdi

a luz regressa na transparência da noite,
como uma confissão silenciada...

domingo, 3 de julho de 2011

este aMor


este  aMor  chegou com um sorriso
inesperado do outro lado da estrada
e sem saber porquê sorri para ele
para além da pele e da alma desejada

este aMor acordou o melhor de mim
num mar longínquo e liberto de amarras
obsessivas e lapidares agora enterradas
dum outro tempo de lágrimas apedrejadas

este aMor tem a cor da esperança
que nos teus olhos desagua meu aMor
prados insulares repletos de intensidades

este aMor abarca as pétalas duma flor
abraçada à luz solta de mil eternidades
quando o tempo pára e a paz se alcança


 (pour  toi... quinze mois après….)

Foto:  tela a óleo de Henry Asencio

domingo, 29 de maio de 2011

Há em ti...

                                        Tela s/acrílico da pintora Carmo Pólvora


Há em ti
uma bruma flutuante
acordada na noite ancorada
aos umbrais da dor passada

Há em ti
um sopro envolvente
volvido em cada dia debruçado
na insónia do poeta esquivado

Há em ti
uma planície deslizante
na vontade dessa luz enfeitiçada
fundida no luar da seara dourada

Há em ti
um perfume eloquente
no desvelo do mar assolado
ao mesmo deserto salgado

Há em ti
uma terra escaldante
que procura lentamente
a água certa e confidente


terça-feira, 3 de maio de 2011

"olhar insular..."




Acordo-te num compasso descompassado
sempre que me visto de chuva delirante
precipitada em acordes silenciosos,
sinuosos no sonho rendido ao instante

Acordo-te na ternura dos mil verdes
onde o meu olhar se perde na nota certa,
do teu olhar insular ao rasar o planalto
duma planície crescente em descoberta

Acordo-te como vento prenunciado
de prelúdios nocturnos reveladores
dum aMor Maior não anunciado
nome de arcanjo de mil condores

Acordo-te na quietude sussurrante
das manhãs que enganamos o Sol
no aconchego da nossa Lua sonhada
e ao nosso sorriso na dobra do lençol


Foto
Cristina Fernandes (Açores 2003 - Caldeira do Faial... ainda longe do meu "olhar insular"... do cheiro, do toque, da pele... do olhar que reencontrei sete anos depois numa rua lisboeta... um ciclo de Saturno... faz sentido... hoje...) 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Nas tuas Mãos


Nas tuas Mãos
corre um rio arqueado em delta maior
onde crepitam mil margens angulares
na lareira intensa dos nossos olhares

Nas tuas Mãos
cresce um tempo soletrado no silêncio
de luares profanados por esta paixão
na terra ancorada dessa tua razão

Nas tuas Mãos
soltam-se asas de anjos flutuantes
envolvidos nas voltas da madrugada
e a lua amanhece cheia de luz salgada

Nas tuas Mãos 
desaguam sonhos como nascentes
fontes sedentas no ventre dos cristais
respirações etéreas como vendavais

Nas tuas Mãos
reconheço a profecia confessada
na voz do mar ao chegar 
à foz do verbo aMar...