quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lentamente...



                                                            Foto: Miguel Quaresma
               
          
Rasgo o azul num voo quente que se rompe no silêncio
exasperada é a quietude deste novo espectro latente,
vitral de luz nascente em cada precipício sobrevoado
envolvência ardente no olhar do peregrino resistente

Foco duma fonte continuada em cada momento
superfície profunda e marginal na terra laminada,
onde se plantam raízes no mar erguido de apogeu
no olhar herege volvido na margem da madrugada

Lentamente, grau a grau há um poente sem idade
por dentro desse olhar que alcança o infinito do céu
e sem o tocar, trespassa-se na luz que me invade

Lentamente, suplanto o mesmo degrau jade
quando sorrio ao breu e a este amor que nasceu,
no mesmo olhar rendilhado de cumplicidade





Foto :http://emblogliof.blogspot.com/

21 comentários:

antonio - o implume disse...

Os poentes não deviam de ter idade ou pelo menos não pesar como tal, deviam ser apenas um gesto poético.

Baby disse...

Concordo, o poente já por si, é um poema feito de tantas cores que só um olhar atento consegue destrinçar.


Beijos.

Andradarte disse...

Bonito soneto....gostei...
Beijo

Pedrasnuas disse...

Um soneto maravilhoso...cheio de metáforas e rico em imagens poéticas,cheio de movimento...um movimento intrínseco...e há poentes extraordinariamente belos...tal como o teu soneto!!!

Boa viagem para esse salto azul quente!

Braulio Pereira disse...

olá Cris

poema suave fascinante.

um "poente " que tem teu feitiço..

és um tesouro..

feliz fim de semana amiga


beijos!!

Maria João disse...

E neste soneto belíssimo, o poente, tal como o amor, não tem idade.

Um beijinho

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo soneto...Espectacular....
Cumprimentos

Lilá(s) disse...

Que belo soneto, muito rico de conteúdo!
Reparei hoje que somos vizinhas de concelho, cresci em Paço d'arcos e vivo em Carnaxide.
Beijinhos

tecas disse...

Extraordinário soneto, este « Lentamente»
«Lentamente, grau a grau há um poente sem idade
por dentro desse olhar que alcança o infinito do céu
e sem o tocar, trespassa-se na luz que me invade»
Recheado de metáforas é de uma beleza impar.
Bjito amigo

Eduardo Aleixo disse...

"Lentamente, grau a grau há um poente sem idade
por dentro desse olhar que alcança o infinito do céu
e sem o tocar, trespassa-se na luz que me invade",
escreveste.
Gosto desse tema que te é tão próprio, que marca o teu tom, o desejo de infinito, o voo pelas étapas imaginadas e sentidas na viagem sem fim com o poente sempre a afastar-se e tu, e nós, sempre diferentes e sempre os mesmos na mesmíssima essencialidade. Fome de absoluto? Eterna viagem dentro desta irremediável transitoriedade.
Um abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

um soneto onde os olhares rendilhados são cumplices.

muito bonito

boa semana

beij

Ailime disse...

Chris,
Simplesmte sublime este seu soneto.
"sorrio ao breu e a este amor que nasceu,"!
Celebrar o amor é viver.
Beijinhos.
Ailime

gatinhafofa disse...

lindo soneto!! desejo-te uma boa semana!! beijinhos fofinhos!!

Anónimo disse...

Certo foi este belo momento, passando por aqui. Tudo de bom.

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom...bem carregado de diversos sentimentos e pesares!!

[]s

Nilson Barcelli disse...

"Lentamente, grau a grau há um poente sem idade
por dentro desse olhar que alcança o infinito do céu"

Excelente, esta parte e todo o soneto.

Gostei imenso, querida amiga Cristina.
Beijos.

Graça Pereira disse...

Minha Querida
Mais um poema maravilhoso!
Lentamente destrinça-se o poente, verso por verso e constrói-se um soneto de amor num compasso a dois.!
Beijo
Graça

A.S. disse...

Eis um belo soneto! Parabéns Cristina...


Um beijo,
AL

Sonhadora disse...

Minha querida

Um poema muito belo...nos silêncio há tanta palavras, adorei.

Beijinho com carinho
Sonhadora

carlos pereira disse...

Soneto notável.
Gostei imenso.
Um beijo.

Fanzine Episódio Cultural disse...

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