domingo, 13 de novembro de 2016

linhas triangulares...




és o mar dos meus sonhos
inquietos e vastos
como as linhas triangulares
que sublinham o coração
no fundo de nós

crescem margens duplas
triângulos sem voz
segredos que guardamos
na cruz dum templo
sem tempo...
quando estamos sós



© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A sabedoria das marés...


A sabedoria das marés...
O mar devolve o que não lhe pertence,
e acolhe nas entrelinhas das esperas,
as correntes libertas e certas,
onde brotam as águas imparáveis do coração...

© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Atlante...



chegas com o sol
incendiado
do Amor que sinto

inconfessado
das noites triangulares
em corpo de ausência
em alma de presença
velhos triângulos
hoje, lapidados
arestas esféricas
que só o Amor
sabe conter
antever
nesse olhar iniciático
mais que inicial
fuga do tempo
que não nos pertence
três décadas inconfessadas
do tempo sem tempo
da vida acesa
nas nossas mãos
entrelaçadas
laços perenes
de dois continentes
num só
submerso...
movimentos sularizados
sóis de luares
inconfessados
integrados
silenciados
entre murmúrios
do mesmo olhar
Atlante...


© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Talvez...


Talvez
exista um segredo que adensa a mente
do velho aprendiz das rotas do sul

onde se cruzam destinos sem cruz
nem coordenadas inscritas nos mapas
fluências líquidas de cristais de luz

E nesse segredo há uma sombra exilada
dum velho continente, permanente
na inquietude dum eco ainda solar
voz murmurante do mesmo timoneiro
sábio no olhar e na viagem de amar


Talvez
exista um segredo
na extensão deste poente...



© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes

quarta-feira, 16 de março de 2016

entre marés lunarizadas



No canto velejado do murmurar das águas
escorrem gotas de floresta densa

que transportas no olhar
e em nós alongam-se céus dum infinito
que ainda desconhecemos
nesse lastro onde a terra se funde no mar…



( in, "entre marés lunarizadas")

© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Memórias...


Raias Poéticas
Vila Nova de Famalicão
Casa das Artes
Setembro, 2013


Rádio Voz de Alenquer
Alenquer
29 de Outubro de 2015


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Foi no Inverno

 
Foi no Inverno
Que paraste o tempo
O sabor salgado
Do mesmo olhar
Selado nas ondas
Crispadas do mar
 
Foi no Inverno
Que incendiaste o gelo
Do eterno momento
Nas gotas velejadas
Sulcadas na pele
De marés naufragadas
 
Foi no Inverno
Que desenhaste na tela
As aves mais frágeis
Que povoam o éter
De passados presentes
Dum sonho a renascer
 
 
 © Cristina Fernandes
  foto: Nuno Viana
 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sombras lunares

Sombra duma lua submersa
alada como um corcel ao peito
insuspeito no rasgo da prosa
esboçada nesta lápide porosa
 
Sombra memorial dum vento
onde invento a cor - sabor
deste estranho amor voraz
reminiscência velha da paz
 
Sombra quebrada em crescente
no silêncio iniciático do olhar
madrugar ondulado nas vagas
de outras marés fustigadas
 
Sombra definida, pressentida
na dança nocturna deste céu
rendido sem véu ao mar
religado ao regressar
 
ao mesmo luar... 
 
© Cristina Fernandes
foto: Nuno Viana
 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Poros de sal

 
 Nos teus braços sopram velas
pedaços submersos de sal
sublimes no brilho das estrelas
e na leveza do cristal
 
Profundos são os poros salgados
de luz solar dissipada
poentes lunares abraçados
da velha maré iluminada
 
Brevidades do corpo liberto
quando quebra o areal
e nos remos do mar aberto
navega energia dual
 
Deixa que o eco do coração
avassale o real
dum amor sem condição 
velho olhar inicial
 
© Cristina Fernandes
foto: Nuno Viana
 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Deixa que a maré vaze

 
 
Deixa que a maré vaze

para que mostre os relevos da terra

onde a vida encalha

como um barco sedento de oceano

entre nervuras onde tentamos

planar

sem asas, sem remos

simplesmente, respirar...

  
Deixa que a maré vaze

e no espelho das águas

sejamos reais

como o amor liberto do fulgor

entre margens onde juramos

tentar

sem egos, sem máscaras

simplesmente, respirar...

  
Deixa que a maré vaze

despudorada de palavras

onde a alegria renasça

como memória relembrada

entre tempos celebrados

voltar

sem medos, sem amarras

simplesmente, respirar...

© Cristina Fernandes
foto: Nuno Viana


terça-feira, 7 de abril de 2015

manhã (de sentires)

 
foi numa manhã fria
que chegaste
entre brumas sublimes
reveladoras de sentires
da velha infância
aquietada no colo
onde só o amor
é abundância
 
e nessa manhã
incendiei o gelo
acendi uma fogueira
no peito de sentires
colhi pétalas ardentes
nas folhas caídas
desta ternura acolhida
entre luares crescentes
 
foi nessa manhã
de sentires...
 
© Cristina Fernandes
    foto: Nuno Viana
 

terça-feira, 31 de março de 2015

Soletro

 soletro
em cada letra crescente de cor
o sonho aceso da madrugada
memória guardada do pintor
que reconhece a velha morada

soletro
na sombra da estrada o saber
do poente vertido no olhar
rasgado no céu a antever
o velho presságio de amar

soletro
 nos laivos de luz ascendente
rumos secretos do coração
paisagem recôndita presente
de velhas vidas em eclosão
 
soletro
sabendo que sabes do traço
suspenso na tela desenhada
nó desfeito no éter feito laço
e no céu soa uma velha balada
 
soletro
em mim poentes
e soletrando
sei
tudo o que sentes...

 
       © Cristina Fernandes
        foto: Nuno Viana
 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

chamas

 
 crescem...
chamas esvoaçantes
na ternura do teu olhar

mar aceso de memórias
confluentes dum só mar
 
afagam...
desertos sulcados
na sôfrega direcção
de ventos oceânicos
suspensos no coração
 
esculpem...
abraços intensos
na luz da madrugada
em combustão perene
da água acordada

 
encantam...
olhares cativos
no sopro percorrido
dum fogo renovador
no pulsar acontecido
 
 
© Cristina Fernandes
foto: Nuno Viana

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

no mesmo Mar...


és o Mar
que assola a gota incandescente da paixão
o amor complacente que me acontece
na antecedência dum tempo murmurante
onde renasço no ondular desta prece
maioridade ao sentir-te na pele mareante
da respiração oculta na sombra que anoitece

e no teu Mar
encontro o sal alquímico do saber do coração
lapidado na terra densa que ainda me prende
o rasgo da penumbra das horas inconfessadas
quando o teu olhar de luz invade e surpreende
os momentos perenes nas harmonias tocadas
para além do som do éter que tudo transcende

e no meu Mar
fico perdida nas tuas mãos em combustão
remos vorazes dum barco desancorado
que na dualidade procura o sul sem norte
convergência do mesmo suor desejado
sempre que o amor renasce da sua morte
velha espiral do tempo breve silenciado

e no nosso Mar
crescem as águas últimas da emoção
raízes pantanosas das quais me liberto
ao tocar o azul profundo da profecia
memórias glaciares do mesmo deserto
que nem o grito dos Deuses ousaria
determinar o mar que queremos incerto

no mesmo Mar...
 
© Cristina Fernandes
foto: Cristina Fernandes
 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

peregrino da história

 


Na nudez de cada palavra
cresce um tempo sem memória
onde se reconhece o olhar
do velho peregrino da história
 
 
© Cristina Fernandes / 2014
foto: Miguel Dias Ferreira
 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sensato é o tempo...


Sensato é o tempo que alonga as sombras
Na cadência tardia das horas côncavas
Dádiva duma era maior transbordante
Na vida cósmica gerada a cada instante...
 
Passos que tocam o silêncio dos céus
Entre raízes líquidas desenham vitrais
Decifrados nos caminhos revisitados
Dormência de tantos mares religados

Libertação ambígua dos poros da luz
Que irradiam seduções fustigadas
Nos corpos etéreos ao entardecer
Tardando o brilho lunar acontecer

Sensato é o tempo que ladeia o olhar
O brilho da alma que teima em ficar
Inscrita nos sulcos das ondas do mar
Escrita que desagua num só planar...
 
 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Amor do meu olhar (indecifrável, inconfessado, irrevelado)


Encontramos no silêncio
A linha eterna do tempo
Amor indecifrável do olhar
Onde navegamos sem amarras
Ondulando no espaço aberto
Unindo margens navegáveis
De velhos desertos ancorados
Nos passos incertos marginados

Percorremos as brumas densas
Maduras de vidas milenares
Amor inconfessado do olhar
Onde mitigamos cores sonhadas
No brilho das estrelas iniciais
Permitidas nas noites siderais
De velhas planícies revisitadas
Na luz certa das madrugadas

Navegamos sem destino
Sabendo certo o rumo do sul
Amor irrevelado do olhar
Onde crescem memórias acesas
No lume da era primordial
Perene e inerte aos sinais
De velhos templos sagrados
Nos momentos certos iniciados



© Cristina Fernandeshttps://www.facebook.com/OMomentoCertoPoesia
foto: Francisco Navarrohttps://www.facebook.com/FrankNavarroFotografia
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

 
 
Dia 12 de Junho às 22h, estarei numa tertúlia de poesia, no bar "Inda a Noite é Uma Criança", na Praça da Flores, nº 8 - Lisboa.
Vamos fazer da poesia uma festa!!
 

terça-feira, 3 de junho de 2014

hoje olhei as águas

hoje olhei as águas
do tempo reflectido na madrugada
deste amor indomado
algemado na dúvida da chegada

do mesmo olhar ancorado
na baía encantada

hoje olhei as águas
navegadas nos trilhos embalados
da velha luz sibilante
sussurrante entre ventos alados
intuição dum instante
na baía encantada

hoje olhei as águas
reconhecidas num beijo imortal
selado no azul rendido
perdido nesse cheiro ancestral
dum só corpo perdido
na baía encantada

hoje olhei as águas
onde dançam sombras lunares
repletas do teu olhar
navegante da terra sem lugares
quietude deste ficar
na baía encantada

do meu (a)mar...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Raízes em Flor



Abrigo-me nas raízes cúmplices da memória
sábias de sentires amordaçados, quebrados
entre estilhaços desintegrados na história
onde pintei cores de sonhos deslumbrados

Aquieto-me nos silêncios vagueantes
mitigando mil olhares, unos, seculares...

entre trilhos profusos, mares cortantes
emparedados no eco de outros lugares

Aceito-me na convergência da luz
múltipla, divergente nas rochas oriundas
dum tempo líquido, memória andaluz
onde reencontrei as cores mais profundas

Abandono-me no interior das mãos côncavas
receptivas à vida que renasce e cresce
entre pérolas geradas sem dor, sonhadas
esculpidas na raiz em flor que floresce

© Cristina Fernandeshttps://www.facebook.com/OMomentoCertoPoesia
foto: Francisco Navarrohttps://www.facebook.com/FrankNavarroFotografia

quarta-feira, 16 de abril de 2014

brevidades (solares)




brevidades

exaustas entre brumas

que silenciam memórias

rasantes no voo das aves

e acendem no éter sideral

a flor do sol (in)temporal


brevidades

cercadas de luz mística

enrerada em velhos tempos

de mistérios triangulares

ladeados dum só mar

amor do meu olhar


brevidades

reflectidas nesta terra

onde se quebram sóis

fogosos e primordiais

raízes liquidas decifradas

no apelo das madrugadas


brevidades

convocadas por Deuses

iniciação sagrada das marés

eco uníssono e magistral

audível nos poros silenciados

enigmas de corpos fundiados


brevidades

onde crescem

saberes dum só sol...


© Cristina Fernandes
https://www.facebook.com/OMomentoCertoPoesia
foto: Francisco Navarro
https://www.facebook.com/FrankNavarroFotografia

quarta-feira, 12 de março de 2014

Revolução




vamos libertar os campos algemados
das almas dormentes, dos homens sedentos
rasgar cânticos de amor na bruma das flores
e soltar raízes presas em todas as dores

permite a frutificação das palavras proibidas
com o sabor inquieto da voz censurada...
e no eco toante de tantos vendavais
convergem madrugadas imemoriais

não deixes crescer a inércia dos injustos
que se esquecem da essência humana
e sulca na esperança o vale dum olhar
mesmo quando a distância teima resignar

quebra as celas que te querem impor
nos preâmbulos presos à insanidade
liberta flores com sabor a revolução
pois recriar Abril, está na tua mão...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

sabemos...

sabemos
das âncoras resgatadas do fundo do mar
das dormências acordadas ao regressar
a esse local de prelúdios entrelaçados
altar de nós que já sabemos desatar

sabemos
dos sussurros da lua que guarda o céu
das vozes dum templo magistral e ateu
onde desenhamos o perfil da planície
recolhida no mesmo olhar sem véu

sabemos
do silêncio das pedras quebráveis
dos ecos dos desertos aráveis
das pérolas que nasceram da dor
de tantas vidas vividas e tocáveis

sabemos
do sentido das águas
contidas no olhar
ao regressar...
 
 
© Cristina Fernandes
foto: Francisco Navarro
 
 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Amor

 
trocamos no perfume das marés
o incenso com sabor a desejo
do que só o Amor sabe conter
nas Águas do Sul do teu beijo

noites sôfregas dum só naufrágio
do teu corpo no meu - brilho aceso

às confissões dum só presságio
onde só o Amor se demove ileso

e no mesmo sorriso partilhado
corre um caudal transparente
do meu olhar por ti guardado
murmúrios dum só Sol ardente

incendeias-me a alma dorida
de tantas dores de outras vidas
mas sabes Amor do Além-Tejo
por ti cancelo todas as partidas...
 
 
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

e o amor... (aqui tão perto)

 
 abrimos no coração um precedente
decorrente dos trilhos do lume
incêndio duma só luz densa e quente
que cresce num caudal inocente

guardamos nas margens incendiadas
uma selva incandescente de loucura

amor sem cura entre raízes sagradas
voracidades que ateiam madrugadas

crescemos na contraluz do verão
reconhecendo o respirar fustigado
paragem incerta dum só coração
suco milenar do teu beijo pagão

sonhamos nesse recanto encantado
com o eco que eclode no firmamento
sereno e perene... eternizado
depois do medo resgatado...

e o amor... (aqui tão perto)
 
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conversas à Luz das Velas - FADO

 
No próximo dia 12 de Dezembro, às 21h, na Biblioteca dos Coruchéus - Alvalade - Lisboa, mais uma sessão das "Conversas à Luz das Velas", desta vez dedicada ao tema: FADO.
 
https://www.facebook.com/pages/Conversas-%C3%A0-Luz-das-Velas/214099078759383



https://www.youtube.com/watch?v=7SY03MLTlDQ
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Conversas à Luz das Velas - TEJO

"Conversas à luz das Velas" - 14 de Novembro (5ª feira) , às 21h - na Biblioteca Municipal dos Coruchéus - Alvalade - Lisboa.
Esta sessão será dedicada ao TEJO, e contaremos com a presença da poetisa Licínia Quitério, o pintor Pedro Nunes e o músico Paulo Sanches.

https://www.facebook.com/pages/Conversas-%C3%A0-Luz-das-Velas/214099078759383