terça-feira, 29 de dezembro de 2009

essência adiada




falho-me quando procuro no sulco da tua pele
a alvura que admoesta a trave onde o rio balança
caminho sinuoso no laivo azul da madrugada
que embriaga o precipício e os passos desta dança



falho-me na concordância trocada da tua verdade
contorno-te quando me acerco dessa cerca ilusória
eterna permissão retaliada do teu olhar diáfano
fuga que o asfalto impele, medo da velha memória


lasco lâminas finas na distância regrada
murmuro ilesa no palco dos indigentes  
que só quem ama conhece a crueldade


e quem conheceu a paixão julgada
sabe que tristes são os não crentes
âncoras sem praia, olhares sem claridade



sei que o Amor é essa essência
quase sempre adiada 
sei que És Tu...
tentando não o Ser 
...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Coração armadilhado



Na defesa armadilhada do teu coração
Mora a tentativa de tramas e enganos
Teia incrédula duma eterna paixão
Sal descurado de todos os oceanos

Inventas no toque audaz das palavras
Um novo poema, sempre intenso
Brando nos meios-tons que desbravas
Nesse teu luar de Mestre ascenso

Sinto-te, sabes porquê
Não sei pensar-te na razão
Nem na curva da divagação

Poemas escritos por nós
Do nada que ainda é tudo
Armadura que não escudo


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

pedra em flor


as pedras que ainda tens
rolam solitárias pelo jardim
na esperança cega do meu corpo
mas deixa meu amor o tempo
reencontrar o reduto da madruga

as pedras que já não guardo
ainda procuram o desaguar
desse rio despudorado
cena dum engano derramado
nosso leito imenso acordado

as pedras espantam a recusa
deste amor desmitificado
magoado nas lâminas secas
do velho mito enclausurado
grito lapidar guardado

as pedras ainda não morreram
neste templo demorado
flor em mim de ti...