quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Armistício de Adónis...




Nunca li nenhuma página do dicionário, mas não resisto em transcrever aqui o significado literal (prefiro as interpretações extensivas...) do substantivo ARMISTÍCIO: cessação das hostilidades por comum acordo dos beligerantes, por um prazo determinado. Esta palavra deriva do latim, de armistitiu, que quer dizer deposição das armas.

Há pessoas que passam a vida em guerras sem sentido, outros em guerrilhas mesquinhas, desperdiçando o tempo com procedimentos onde a cobardia ainda impera toscamente, como uma medusa inquinada. São opções de não vida, seguidas duma pré-vida.

Outros optam pela vida, pela liberdade reinante do coração, como uma Musa no mar iluminado, por vezes indignada pela pobreza de certos corações, numa navegação orientada (virar para Oriente…) para o entendimento que o verdadeiro Amor acende, como uma luz que jamais se apagará.
Alguns demoram tempo a perceber o sentido do pós-guerra, eu demorei muitas vidas, mas alguém continua a deambular na margem cortada do instinto, em processos criativos viciados e viciantes, por noites ébrias empoladas de vazios, longe da criação ao sabor da lucidez reencontrada.

A chave da casa IX , a mesma onde continua guardado o segredo do cavaleiro branco, da capela celta do Norte, das cartas que recebeu do leste europeu, e tudo o mais que ainda está por revelar... a eterna casa da Mãe...

A casa IX é regida pelo último fogo (Sagitário), o que intensifica os planetas que vibram nesse fogo purificador, mais denso e enigmático: Neptuno a 23 graus de Balança e Saturno a 3 graus de Escorpião, estando este último quase no Meio do Céu.
Quando me deparei com esta tipologia, pensei ser mais uma coincidência, mas hoje sei (das poucas coisas que sei...) que elas não existem. Encontrei este paradigma sem nunca o ter procurado, foi "Ele" que me procurou há muito tempo, o tempo que o segue na estranha luz da noite. O tempo personificou Saturno que se encontra no inicio de Escorpião (a 3 graus…) enfatizado por estar a entrar no MC (meio do céu).

O tempo invertido ficou guardado no espaço de 10 graus que separa Neptuno de Saturno, na velha Casa IX.

A chave para abrir essa porta da Casa IX
ficou esquecida no Tempo
(era quase uma hora da madrugada, quando me telefonou a perguntar por Saturno...)

até…

o “Momento Certo”…


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O que foi, sem limites, inocência impossível
Da beleza imolada à cinza irreversível,

O que ténue passou com asas de mistério
Brisa acariciando a face do Eterno,

O que foi por seus tenros sorrisos vegetais
De Afrodite o amado entre sempre e jamais,

O que mimosamente Adónis foi pela graça
Da formosura ser formosa porque passa,

Em verdores que de amores breves lhe foram dados
Seus beijos de água jovem abrolharam em nardos.

Urdidas pelo fado fungível do mancebo,
Precoces caem as folhas e as flores morrem cedo;

E do nosso destino corroboram os desígnios,
Seus volúveis jardins suspensos sobre abismos.


Natália Correia, in "O Armistício - Os Jardins de Adónis" [1985]



Imagem 1: Adónis (museu do Louvre)
despertou a amor de Perséfone e Afrodite...

Imagem 2: Casa IX (Neptuno e Saturno)

Imagem 3: Casa IX (Balança e Escorpião)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Momentos Soltos.




Se a minha avó Alice fosse viva, fazia hoje 103 anos, partiu aos 97 anos com muitas histórias ainda para contar. Foi ela que me ensinou a coser, a bordar, a jogar às cartas... Hoje, já não sei bordar, não jogo às cartas há décadas, limito-me a pregar um ou outro botão quando é estritamente necessário. Recordo-me do cheiro das fazendas, do brilho dos tecidos, do pó do giz, das linhas multicores, de todos os apetrechos necessários na alfaiataria do meu avô, no velho largo do Carmo…

Este fim-de-semana fui tomar café com a Elisabete, uma amiga do outro lado do rio, de Almada. Temos uns cinco anos de diferença, mas muito em comum, mais uma que aderiu ao “clube das divorciadas”, muitas histórias para contar… também.

Hoje, uma outra amiga fez anos, fomos almoçar a um local que desconhecia na minha velha Lisboa. Fica perto das Amoreiras, no Largo da Bagatela, um local quase à parte nesta cidade onde nasci, que evito cada vez mais… excepto, ao Domingo, onde o esvoaçar dos pombos irradia a luz transversal e única de Lisboa.

Há três anos, ele telefonou-me a contar algumas das suas mágoas, tristezas e decepções, em relação a uma situação da sua vida. Éramos amigos, não ficávamos sete minutos ao telefone, falávamos horas sem fim, sem a noção do tempo passar. Hoje, ele pensa que sou a maior terrorista e impostora do mundo, quando no fundo só cometi um erro, e ele sabe qual foi. Mais uma vez, o tempo vai dar-lhe a dimensão real da injustiça e da crueldade, no momento certo...

O tempo vai repor a verdade desta história distorcida por terceiros (terceiras!) que nos quiseram separar. Conseguiram, provisoriamente…

Reaprendi a viver, a recuperar os meus destroços, a entender a dor, a acreditar que viver é simples. A paz que sinto quando o vejo é um dos primeiros sinais que a chuva tingida de pedras acabou, que a raiva avassaladora ruiu no templo profano, que o Amor é possível como entendimento sagrado.
Nem as suas vãs e temporárias companhias (agora chegam dissimuladas!) me tiram o sono, são sempre precárias as suas noites longe de mim. Sei porque sinto, como um mantra que me segue na calada da noite. A ansiedade partiu sem deixar saudades, pois quem ama não procura esse caminho, apenas caminhar... depois da Lua, existe Vénus e uma oitava acima Neptuno...

A história está a ser (re?)escrita, como um desafio que a Alma aceita, tendo como paradigma a personificação da loucura, a inversão do Amor no tempo certo, como quem escreveu a palavra Amor ao contrário na cinza da noite (fácil, todas a letras são simétricas, excepto o "r"), que não fui eu, como quase tudo o que ele tem escrito sobre gatos, casas, carros... é triste tanta mentira difamatória, ou será a encenação de alguém que se faz passar por mim? No caso de ser a segunda possibilidade, será fácil detectar quem é a personagem, pois neste momento só restam duas hipóteses em aberto, qual das duas será? A raposa matreira ou a cegonha arrebitada? Ainda hoje, leio as fábulas de "La Fontaine", são deliciosas...

A nossa história é simples, apesar dos floreados metralhados por quem está a mais.
A poeira começa a cobrir o vaso com água, veremos quem se reconhecerá no espelho das águas, daqui a algum tempo…
Quem saberá reconhecer o som do deserto cheio de nós que atravessamos, ainda?

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Para atravessar contigo o deserto do mundo


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento



Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Livro Sexto" [1962]



Foto 1: Desenho de Sophia, por Árpad Szenes [Budapeste-1897/ Paris-1985]

Foto 2: A minha avó, eu e o velho rádio de lâmpadas a tocar... [Dezembro 1966]

Foto 3: Eu e a Elisabete [numa pizzaria em Paris: Junho 2004 - onde ela descobriu quem era o homem da minha vida...]

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Reticências...




A margem cortada, que o tempo guarda em segredo...

As estórias na história por revelar...

No final do dia, entre Aljustrel e Lisboa, só o olhar da madrugada de sábado passado me acompanhou, como se o tempo desnudasse o espaço, mais uma rota de colisão de sentido inverso, na inversão do tempo certo...

Para quem só lê as minhas primeiras três linhas...

De regresso à poesia, às palavras que gostava de escrever, para o olhar que não me consegue mentir, por mais que tente...

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Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo

por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira

e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe.
E, por amor, punha-se

a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.


Maria do Rosário Pedreira, in "A Casa e o Cheiro dos Livros" [1996]


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Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos;
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da mannhã.



Maria do Rosário Pedreira, in “O Canto do Vento nos Ciprestes” [2001]


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Nada mudou. Ao fim de tantos anos, o meu
passado é ainda o mesmo passado - nenhum
rosto diferente para desviar o rio da memória,
nenhum nome depois. Para te esquecer,

devia ter partido há muito tempo, como viajam
as aves de verão em verão. E tentei; mas as malas
abertas sobre a cama eram livros abertos, e eu
nunca fechei um livro antes do fim. Por ter

ficado, nada mudou jamais - e o meu passado é
ainda o nosso passado; e o rosto que tinha antes
de me deixares é o que o espelho me devolve no
presente - embora os outros me digam que o

que vêem na superfície fria desse lago é um vinco
na água, uma mulher muito mais velha do que eu.


Maria do Rosário Pedreira, in “Nenhum Nome Depois” [2004]



(Dos três livros de poesia editados pela autora, o meu preferido é "Nenhum Nome Depois", seguindo-se "O Canto do Vento nos Ciprestes", e finalmente, "A Casa e o Cheiro dos Livros", invertendo assim a ordem temporal).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E o feudalismo continua...




Deixei de ter paciência para tanta demência mental. Aprendi nas aulas de história (há tanto tempo, estou a ficar velha e sem pachorra…) o conceito de feudalismo, que dizia: “sistema político, económico e social que vigorou na Idade Média e se caracteriza pela decomposição da propriedade, o chamado feudo, conjugada com a decomposição da soberania e pelas obrigações recíprocas entre suseranos e vassalos”.

Hoje, existem outras formas de feudalismo, que não passam pela noção que aprendi nos bancos da escola. Um feudalismo insano, onde falsos suseranos intimidam, ameaçam com cães à solta no edifício da incongruência, perpetuando-se em cada esquina, impedindo a passagem duma nova forma de Amor. Move-se acompanhado com tristes e pobres vassalas que alimenta, para que não morram à fome, e que lhe prestam vénia e tributo de vassalagem. A dependência financeira enclausura as desprovidas, pois nunca tiveram nada, para além dumas refeições pagas pelo suposto monarca, quiçá uma cópia tardia de D. Fernando I. Agora não proclama guerras com Castela, mas com as mulheres com quem se envolve. Como não tem capacidade de resolver as questões que a maturidade emocional lhe pede, opta por uma figura com efeito devolutivo, mera devolução a terceiros. Nas querelas do coração mergulhado na oitava casa, procura encontrar explicações para as deambulações nocturnas com várias fêmeas, sem saber distinguir as emoções. Não deve ser fácil ter a Lua em conjunção a Vénus, mergulhadas na oitava casa, uma casa que é kármica. Mas mesmo depois de identificar o karma que o persegue, será que não consegue entender que é nesta vida que vai ter que resolver a conjunção Lua-Vénus! As águas são minhas e são escorpiónicas, com o mistério que ainda não consegui decifrar: Plutão está na sétima ou oitava casa? É um facto que Plutão está a 24º de Leão, mas em que casa? Daqui a algum tempo irei publicar um estudo sobre a minha tese de localização do (seu) Plutão...

Regressando ao retrato da nomenclatura da propriedade: só as coisas corpóreas (com excepção da propriedade intelectual), móveis ou imóveis, podem ser objecto do direito de propriedade. Qualquer leigo entende com facilidade este conceito; quanto à definição de posse, é bem mais intrincada. Recordo-me que passei meses para entender a noção de posse, com o livro do Prof. Menezes Cordeiro encalhado na mesa-de-cabeceira, largos meses depois, cheguei a bom porto… É fascinante entender o que é a posse, é um desafio imenso...

Tudo isto vem a propósito duma ideia que ando a degustar, por dentro do sabor da minha intuição racional. Passei a manhã no Tribunal do Seixal , depois fui almoçar com uma amiga de Belverde, onde vou há mais de vinte anos. Muitas viagens entre Belverde e Sagres, viagens sem regresso marcado, outros tempos, entre jornais e notícias em directo de S.Paulo (Brasil), entre as alegrias e as lágrimas que a assolavam, como o oceano que a separava de quem amava, quase por imposição legal. Uma noite ao ligar a televisão, ouvi no noticiário a notícia que esperava há alguns anos, tendo assim assistido quase em directo ao desfecho duma história que acompanhei de perto. Talvez um dia a conte, se ela me permitir...
Debatemos a fundamentação do ajuramento das testemunhas, contradizendo a laicização que a ciência jurídica deverá ter. Por que raio existe um juramento perante um terceiro, que é um mero desconhecido, com uma relativa independência em relação ao aparelho do Estado, e com a agravante de ser pago com os nossos impostos…
Quando todo este sistema cair por terra, que na minha opinião já está a acontecer, vamos começar todos a entender o que só alguns defendem. Não faz sentido jurar, pois o juramento é um conceito espiritual, não jurídico. Quando sabemos que os arguidos e os ofendidos não estão sujeitos a juramento, mas as testemunhas como terceiros que são, sem interesse directo (será?) estão, e todos sabemos como mentem à boca cheia, por diversas razões, inclusive por laços de dependência financeira em relação a uma das partes. Mais: quanto aos peritos e intérpretes, por exemplo, se forem funcionários públicos e intervierem no exercício das suas funções, não têm a “obrigação apostólica-romana” relativa ao juramento. No caso de não serem funcionários públicos já o piar é diferente, pois o que releva para a nossa lei processual penal é ter vínculo administrativo ao Estado! Quase delirante esta concepção plasmada! Tudo isto é ridículo, sendo urgente mudar o sistema e mudá-lo nos seus alicerces judaico-cristãos!

O ser humano só pode jurar perante si próprio, perante quem ama incondicionalmente, ou diante duma entidade religiosa, se for crente em alguma religião. Tão simples quanto isto! Um dia destes ouvi um jornalista na rádio dissertar sobre esta matéria, mas falar e escrever não chega, é preciso transformar ideias em práticas correntes, transpostas para a letra daquilo que chamam lei. Quando será que tudo isto muda?

Entretanto, o “monarca” anda à solta, acompanhado por gente sem preparação para o quer que seja. Os resultados são visíveis, a incapacidade de gestão, os erros crassos de estratégia comercial, em duas palavras: incompetência total! Fica-se pelos coretos de Verão e pelas associações recreativas. Se me ouvisse, hoje estava a lotar as maiores salas do mundo, a assinar contratos dignos desse nome, não pela ambição material que nunca me moveu, penso que a ele também não, mas pela descoberta que juntos...
... a sua opção foi outra, não sei se por estupidez, se por necessidade imediata de sobrevivência, salvação grupal, mas o tempo limita-lhe o lastro do pensamento, quando será que o entenderá?
Há muitos anos quando fiz teatro amador, também andei pelas sociedades filarmónicas, com o devido respeito que merecem. Mas a transposição é outra, já não tenho paciência para teses feudais encalhadas.

No final do dia, de regresso a casa ouvi o ministro da economia Manuel Pinho, tilintar com uma voz em dois tons, relativamente aos fundos que vão ser gastos para promover o turismo em Portugal, para os portugueses e com a possibilidade de bonificações fiscais. Melhor não se podia esperar, neste tempo de vacas magras, mesmo defendendo eu a alimentação vegetariana e macrobiótica! Mas o meu dia de indignação não ficou por aqui: cheguei a casa tarde, depois de mais uma sessão relativa à intervenção de terceiros, principal, acessória e por oposição, liguei a TV e mais um debate sem sentido, completamente transposto no tempo mental, relativo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não entendo a substância da discussão, pois cada um tem o direito de se casar com quem quiser, não esqueçamos que é um direito que pode ser exercido ou não, não é uma obrigação como muitos casamentos se tornam. Esse não é o meu barco, felizmente!

Amanhã ou depois, lá vai ele imprimir este blogue e entregar aos doutos, qual dos dois mais loucos, não sei. Não há pachorra para certas pessoas!
Agora é a minha vez de dizer e escrever: “que se lixem os papelinhos de celofane”, entrei na dança dos tontos, tentando entender o que os move, mas tive que me fazer de tonta... gosto da forma de olhar (e de escrever, claro!) do A. Lobo Antunes. Será que alguém entende o que digo? Talvez...

A minha crueza não é crueldade, por isso, hoje não quero poesia, fica a patetice de parte do artigo 91º do C.P.P., para quem quiser meditar no que aqui escrevi:

ARTIGO 91º
(Juramento e Compromisso)
1. As testemunhas prestam o seguinte juramento: “Juro, por minha honra, dizer toda a verdade e só a verdade.”
2. Os peritos e intérpretes prestam, em qualquer fase do processo, o seguinte compromisso: “Comprometo-me, por minha honra, a desempenhar fielmente as funções que me são confiadas.”
3. …
4. …
5. …
6. Não prestam o juramento e o compromisso referidos nos números anteriores:
a) Os menores de 16 anos.
b) Os peritos e os intérpretes que forem funcionários públicos e intervierem no exercício das suas funções.


Foto 1: Foto de Augusto Peixoto (Porto)
(um anjo aterrado com asas para voar... depois de mim)

Foto 2: Foto de Augusto Peixoto (Porto)
(o sentido que encontrei nos meus destroços... depois dele)

Foto 3: O Grande Mistério: Em que casa está Plutão?
Sétima ou Oitava? Aguardemos...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Aquarius.





Muito se tem falado da “Era de Aquário”, mas a sua entrada é progressiva, pode durar algumas décadas. Não se inicia uma nova era dum dia para outro, muito menos duma noite para outra, como andam por aí a proclamar. O tempo também amadurece, e só ele nos transmite que três anos, pode ter sido ontem, talvez hoje, esta madrugada... pois existem cheiros, olhares, gestos, sons e silêncios que perduram o tempo que o tempo quiser.
No Amor não existe livre arbítrio, por isso não é modelar, pintura onde cada traço desconhece o seguinte, caminho aprisionado longe da liberdade, vício de dependência entre o criador e a sua Musa, ou será o contrário?

Este é o Amor que conheço…

A minha Lua na casa IX (Sagitário), no grau 29 no final de Capricórnio, a entrar em Aquário é reveladora de parte de mim...
A Lua de alguém na casa VIII (Escorpião), no grau 25 de Virgem, procura a razão no tormento das (minhas) águas pantanosas...


Aquarius (do musical "Hair")

When the moon is in the seventh house
and Jupiter aligns with Mars
The peace will guide the planets
And love will steer the stars


This is the dawning of the age of aquarius
The age of aquarius

Aquarius
Aquarius

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystals revelations
And the minds true liberation

Aquarius
Aquarius

When the moon is in the seventh house
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of aquarius
The age of aquarius

Aquarius
Aquarius


Foto 1: Matriz energética do dia de hoje.
Foto 2: A minha Lua...
Foto 3: Aquarius.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Catarse Pública ou Privada?



É urgente reformar o Ministério Público nesta jangada à deriva, sem qualquer ponto cardeal definido. É vergonhoso o que está a acontecer, a parcialidade que determinados senhores do M.P. assumem é assombrosa. Subscrevo as palavras do ilustre advogado, Dr. Ricardo Sá Fernandes, relativamente ao processo casa Pia, mas a transposição para outros casos é uma lamentável constatação: “ A inquisição não faria melhor!”.

A falta de brio no desempenho da causa e da coisa pública de alguns senhores delegados do M.P. é escarpada, quando faltam à palavra prometida, quando se deixam permear e influenciar por uma aparência de falsos justos, por eloquentes vitimizações com salpicos grotescos, por hilariantes prosas de falsos profetas.
Será que andam distraídos com a loucura elogiada, como descreveu Erasmo em finais do séc. XV? Será que estamos no séc. XXI, ou será que a máquina inventada pelos humanos para a contagem do mesmo avariou de vez?

Só a poesia nos devolve a liberdade, contra todas as ditaduras encobertas e dissimuladas. O medo de amar pode levar homens a perderem-se longe dele… do Amor, claro!

As palavras seguintes são para os subalimentados do sonho, falsas pinturas de veredictos fascistas, que nem a sua sombra sabem reflectir, pois acordam todas as manhãs com a luz invertida.

O Amor caminha pela estrada onde florescem as acácias sem precisar de mandatários, assume-se por si.

Assisti à metamorfose dum poeta iluminado, num moscardo encalhado...

Será que pensa (será que ainda pensa?) em regressar a si, por uma catarse pública ou privada?



A DEFESA DO POETA¹

Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.



¹ Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de tenebrosa memória, o que não fiz a pedido do meu advogado que sensatamente me advertiu de que essa minha insólita leitura no decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sentença.

Natália Correia, in “A Mosca Iluminada” [1972]

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O meu refúgio solarengo em noite de temporal.




Esta noite sinto-me refugiada do temporal que tem avassalado o sol, as saudades que tenho da luz esquecida, agora vertida nas nuvens negras e tenebrosas da crueldade.

Vivemos ambos um exílio forçado, por terceiras forças que nos separaram mais uma vez, mas esta foi a última vez, reaprendemos agora o novo caminho que nos espera, longe da realidade ficcionada e da presciência narrativa conspirada.

Este espaço que criei, com os meus rudimentares conhecimentos de informática, teve no seu inicio há pouco mais de um ano, a simples publicação de alguns poemas, desde Natália Correia a Rimbaud, passando por David Mourão-Ferreira a Léo Ferré e umas breves passagens da minha autoria, sem qualquer importância, pois escrever e pintar são meros exercícios de prazer que pratico há muito tempo. Escrevo para mim, sem pretensões a nada, e isso basta-me. O ano passado comecei a publicar alguns textos, meros ensaios entre o pessoal e o social, desde a astrologia até à justiça, passando por uma história de amor que está por entender… ainda.

Não tornei este blogue de acesso restrito, pois nada tenho a esconder, ao contrário de algumas pessoas que me escrevem, tentando pontes entre a hipocrisia e o cinismo, só com a intenção de farejar caminhos caninos que não partilho. Sempre tive uma vida recatada, pois sempre foi assim que quis viver, até ao momento em que alguém (talvez, em comparticipação) orquestrou contra a minha vida, uma estranha melodia cabalística, um complô composto para testar os meus limites, que como a história de amor, ainda hoje está por esclarecer.

Já aqui escrevi esta expressão, proferida por alguém há uns vinte e seis anos: “A água lavada leva tudo à frente.” Este tem sido o sentido da minha vida, e assim continuará.
Acredito no poder superior do Universo que pode conter a noção de Deus ou não, consoante sejam crentes ou ateus. Pessoalmente, acredito que Deus é o Velho Mestre que vive dentro de cada um, mas nem todos têm esse nível de consciência. Precisamos de muitas vidas, muito sofrimento, não numa atitude masoquista, mas numa ascensão pela dor, pois toda a dor nasce do Amor...
Vale sempre a pena esse processo de elevação para outros níveis de consciência, onde só o Amor desmedido vale e pena... e é o Amor.

Não acredito em mezinhas, minhoquices, idiotices e muito menos em macumbas. Todas essas questões são frutos ressequidos de mentes atrofiadas.
Acredito no poder do Amor e na sua capacidade de redenção. Por o ter conhecido, por o ter tocado com a minha alma, por lhe ter confiado os meus segredos, ele traiu-me. Terá de existir uma razão? Talvez não exista no plano físico, psíquico, talvez exista no plano espiritual… Será que o fez, para saber se eu era “ela”? Tem de existir uma razão para esta traição…

Procuro dentro de mim o meu lado místico, que é diferente da vertente ocultista que as ditas sociedades secretas praticam. Será que nem todos podem ser obreiros e oleiros do barro com que se molda o nascimento duma nova consciência mundial? Existem pântanos onde só mentes deturpadas, tentam uma forma mais sublime de conspiração interna que desliza sub-repticiamente, nas esferas dominantes da sociedade. Até quando?

Muita coisa foi dita esta semana, nos meandros pouco definidos entre a justiça e a política. Concluo, com um agradecimento especial ao meu antigo (mas sempre jovem nas suas ideias) professor de Teoria Geral do Direito Civil, quando referiu que todos são iguais perante a lei e que ninguém pode estar acima dela, mesmo tratando-se de figuras públicas. Não foi em vão a sua afirmação! Estou a falar do Dr. Pinto Monteiro, para que não subsistam dúvidas.

E por hoje, fico a olhar o vendaval lá fora… mas não dentro de mim.

Entre a poesia e uma disposição legal do código penal, opto pela segunda nesta noite invernosa, porque será? Talvez, porque não deixei de o amar, nesta inversão do tempo certo… Revelação pública duma história de amor invertida, cuja matéria controvertida foi lapidada à imagem e semelhança duma nova forma de arte… há cinco anos estava no quarto ao lado, a outra (não a loira beirã, mas a morena insular…) foi mais uma mensageira enviada por "ele" envolta em papel de fantasia, o meu papel era simples e ainda o é… o Amor é assim.


Artº 195 (Violação de Segredo)

Quem, sem consentimento, revelar segredo alheio de que tenha tomado conhecimento em razão do seu estado, ofício, emprego, profissão ou arte é punido…

Artº 197 (Agravação)


a)…
b) Através de meio de comunicação social.



Este poderia ser mais um caminho, mas não o quero percorrer, não me interessa. Guardo a criatividade para outras paradas, onde só dois seres sem terceiros por perto, têm o direito e a obrigação moral de esclarecer toda esta trapalhada em que foram envolvidos, sem a muleta dançante e amarrotada, pois essa só procura uma parca excitação para uma ocupação insonsa. A monotonia da sua vida conduziu-a a locais que nunca irá conhecer, mas não a condeno por isso, limito-me a lamentar a sua falta de sensualidade física e intelectual.

Os protagonistas desta história de amor são dois, irradiados num único ser, a terceira assiste na primeira plateia do Coliseu recriado pelas personagens principais. Só existe uma mulher determinante na vida dele, a única que lhe mudou a vida para sempre, quase todos sabem quem é...
Não existe determinismo no amor, mas existe a liberdade aprisionada numa traição tentadora. A sedução ficou guardada na outra margem, até o momento certo que suavemente se aproxima...

Foto 1: Vista do meu refúgio solarengo...
Fotos 2 e 3: A minha eterna paixão por gatos... como foi possível tanta crueldade?