quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Filigranas










Subterfúgios que a dor condensa
No adensamento das adendas
Que o esquecimento repensa
Das lágrimas como oferendas

Contornas-te nesse desígnio
Deserto que o amor conhece
Fuga desse secreto fascínio
Temor meu, que em ti fenece

Reclino-me sobre o manto
Magno dum véu esvoaçante
Nocturno penhasco dançante

Alcanço-te pela porta secundária
Pois ninguém pode saber de nós
Enleio-me na filigrana da tua voz






(escrito em Março 2006: na minha inocência esquecida, como filigrana na mesa de cabeceira dum pequeno quarto, que seria objecto da batalha mais cruel da história da humanidade, a crueldade já existia e eu não a sabia...)

24 comentários:

direitinho disse...

Um poema bonito rebuscando imagens condensadas no tempo. Imagens esquecidas mas vivas nessa filigrana como nas lágrimas perdidas que teimamos em guardar só para nós.

Victor Gil disse...

Amiga Cris.
Excelente soneto. Palavras que se sentem, onde só o coração vê.
Beijos
Victor Gil

Tentei contactar o teu mail, mas as mensagens voltam sempre para trás. Se tiveres outro gostava de o ter para podermos trocar correspondencia. Isso se não te importares.
Beijos

Alegria Joie Joy disse...

Olá.

Obrigada pelo comentário em meu blog, infância é preciosa recordação para quem já passou por ela.

Renata.

Pelos caminhos da vida. disse...

Bom dia...
A palavra mágica que faltava nesta manhã
e vem expressar à você, o maravilhoso amanhecer
que lhe desejo, repleto de amor, prosperidade e paz...
Hoje certamente, tudo dará certo,
o seu caminho será suavizado pela brisa delicada,
trazendo com ela o aroma das flores, que darão
colorido ao seu dia.
Tudo isso Deus coloca ao nosso alcance,
para avaliarmos o magnífico presente
de estarmos vivos e sobretudo podermos dizer:
BOM DIA!!!

beijooo.

BAR DO BARDO disse...

Bom exemplar de luz!

RETIRO do ÉDEN disse...

Este foi o "momento certo" de mostrar o seu "tesouro", traduzido em palavras e sentimentos.

Bjs.
Mer

Caso possa passar pelo retirito...seria uma honra.
Obga.
Mer

uminuto disse...

num quarto as emoções soltam-se e nem sempre a rede da filigrana oferece a beleza de uma peça de arte, pois é tecida na dor da crueldade.
belo e sentido este soneto
um beijo

Por Ele. disse...

Nos desnudamos da confortante inocência, mas basta-nos optar por se cobrir da verdade...

TEm quem prefira o babydoll da mentira nesse mundo frio!

O precioso é o HOJE!

Contracena disse...

Há quem descubra, já depois dos 40 que uma dor "maior" existe.
Há quem descubra, após essa dor "maior", que a crueldade (gratuita) existe.
Há quem descubra, depois dos 40 que tem uma força interior que não imaginava ter.
Há quem descubra, depois dos 40 a diferença entre o "ouro" e o "pechisbeque"

Há quem escreva poesia.
Há quem seja poetiza / poeta.

Há quem quem leia poesia e não a saiba comentar.
Há quem descubra, depois dos 40 muitas "coisas".

Um abraço.

Graça disse...

Tudo o que escreves é belo, mesmo que fruto de um sentir penoso. Eu, simplesmente, adorei o soneto.


Um beijo, Chris

Luis F disse...

Um excelente soneto que merece de facto ser lido e sentido.

Gostei de aqui ter regressado e de ter lido.

Bj
Luis

RETIRO do ÉDEN disse...

Obga. Chris chegou no "momento certo". Agradeço a sua sensibilidade, compreensão e solidariedade.

Bj. grande
Mer

Lilá(s) disse...

Palavras muito sentidas que juntas fizeram um belo soneto.
Bjs

tossan® disse...

Muito bonito falar da dor é profundo como ela. Belo poema. Beijo

Virgínia do Carmo disse...

Bela construção poética e doce desconstrução da dor...

Beijo

Agulheta disse...

Cris! O soneto pode ser a filigrana de pequenos fios,de lágrimas perdidas.
Beijinhos bfs
Lisa

© Piedade Araújo Sol disse...

um soneto onde as rimas são filigranas de lágrimas.

belo na sus nostalgia.

beij

Graça Pereira disse...

Gostei desta filigrana de palavras, dos sentimentos, das histórias que elas contam e das lágrimas que as envolvem. Há amores assim...para serem vividos na dor mas, nem por isso deixa de ser amor!.
Um beijo
Graça

Sofá Amarelo disse...

As filigranas têm a teia que lhe quisermos dar... o rendilhado dos véus e das lágrimas...

continuando assim... disse...

além de tudo mais ...são tão frágeis :)

gostei
bj
teresa

Chris disse...

direitinho: obrigado pela sua assiduidade neste meu espaço.

Victor Gil: o meu único e-mail é crisuniver@clix.pt, mas penso que o envio pela página do blogue não está a funcionar bem. Se enviar fora da página do blogue não terá qualquer problema.
Um abraço

Renata: gostei do teu novo espaço dedicado à infância. Nunca perder a criança presente em cada um de nós é fundamental.

Pelos Caminhos da Vida: um regresso por aqui que saúdo.

Bar do Bardo: luz... talvez.
Obrigado

Mer (Retiro do Éden): que bom que cheguei no "Momento Certo", fico feliz por si.

uminuto: a crueldade tem um sentido, mas só agora o sei...

Por Ele: como diz Tolle, no "Poder do Agora", concordo consigo.

Contracena: bonitas as suas palavras e a sua presença aqui.

Graça: o mundo do sentir é o meu mundo. obrigado pelas palavras...

Luis F: ler e sentir - dois verbos que se completam. obrigado pelo regresso.

Lilá(s): obrigado por tudo.

tossan: é sempre bem vindo por aqui.

Virgínia do Carmo: desconstruir para poder construir...

Agulheta: é sempre um prazer ler as tuas palavras.

Piedade: filigrana que a vida guarda... obrigado

Graça Pereira: há quem diga que o amor só existe na dor...

Sofá Amarelo: obrigado pela sua visita por aqui.

Teresa: claro que sim.


Chris

. intemporal . disse...

.

"No adensamento das adendas"

. a crueldade como alonga sem acordo de preenchimento .

. por vezes, impera re.dizer o contrato,,, sem a obrigatoriedade dos outorgantes .

. "amei.de.amar" .




. deixo um abraço . sempre .

. paulo .

. [ . intemporal . terraços de um anjo .]

. um bom Domingo .

Mena disse...

Olá!
Lindo!

Bj
Mena

Nydia Bonetti disse...

dores, batalhas, desertos, amores... metálicos fios que compõem o desenho de nossas vidas.

que lindo, cris. beijos