terça-feira, 7 de julho de 2009

Meu prefixo... és Tu. (1982-83)




Deixa-me continuar com os meus sufixos inesperados… tu serás sempre o meu eterno prefixo, costura e clausura intrincada dentro mim, assim procuro-te, desde o momento que me deixaste, sem me dizeres porquê (fui eu que induzi a tua fuga de mim, para assim tentar pela última vez esquecer-te... falhei, eu sei).

Logo, no momento a seguir encontro-te na mesma estrada de outros tempos. Cantas-me, rimas-me, dedilhas-me como se eu fosse a única que te espera no velho quarto de hotel. Escapas-te, escondes-te de ti, já não de mim, procuras-te e não te encontras na suscitação da excitação que já não és. Levantas sempre o mesmo dedo, no palco encenado, reconduzes-te e falhas mais uma vez. Jogas e recomeças (sempre soubemos recomeçar…), assim logras-te, interrogas-te, mas logo a seguir a voz falha-te, já não te obedece, o tempo tem destas coisas, que só quem ama entende e aceita. Canso-me para não sentir a dor que me trespassa, dói-me o mesmo ombro que te doía há três anos, finjo estar bem, vou nadar, enganando a dor que só acabará quando me voltares a abraçar.

Vi-te cair, assisti à tua dor e não suportei a tua ocorrência na entrada da velhice, os teus segredos que são os meus. Reconsideras-te na comiseração da tua dolorosa arte, assim, invertes-me em ti, pois só o desamor é criativo (dizes), e a fonte não pode secar… dizes, outra vez, e mais outra e outra, como as pequenas que te passam entre os dedos das mãos que são minhas: "the show must go on" - tanta mentira emboscada, rendilhada, enclausurada... prefixos de mim nos teus sufixos...

para já… ou será, pára já?

Assim feliz, elevo-me na insustentável leveza que começo a sentir… tão leve, que a sensualidade volta a fazer sentido, assim rodopio em noite de lua cheia no teu sopro surdo e indefinido… afinal, os relógios não são o tempo. Lembras-te da noite em que descobrimos a singularidade na pluralidade… estranho “é” no “somos” de Nós… assim, o tempo verbal coincide... nas minhas reticências que tanto criticas… deixa-me assim reticente na veemência de Nós…



1983

Esquadras-me na tua bebedeira
Provocas-me no teu acalentamento
Do calor dum Verão quente
Nesse ano de 1983, atropelamento

Triangulas-me na tua atmosfera
De fera fogosa, eu estranha esfera
Tão feia que fiquei nesse Verão
Miúda insegura quase efémera

Hoje, neste tempo maduro
Sublimo teu pálido olhar
Na sapiência de te amar

Hoje, neste tempo certo
Interpreto os teus sinais
Como raivas viscerais


Chris (talvez 2003, 2004...)


Foto : Mandala - Chakra: 3º Olho (Ajna), de Ana Rita Borges:
pintura acrílica sobre tela (2004)

15 comentários:

Whesley Fagliari dos Santos disse...

Querida,

Smplesmente emocionante... Seus escritos trazem uma sensibilidade tão rara e tão cara que me deixou sem palavras a saborea-los... Obrigado e parabéns!

Luz e paz!

Com carinho,
Whesley

Maria Izabel Viégas disse...

Chris,

Obrigada pela sua gentil visita.
Cheguei aqui e me deliciei com tanto encanto! És bela, muito bela.
Amei teu Blog.
Fiquei emocionada... vim no "momento certo", que bom ler o que escreves...
Beijos no seu coração!

**Bya** disse...

Nossa de tirar o folego nesta estrada ainda estou caminhando...
Boa noite

João de Sousa Teixeira disse...

Ao jeito de "fazer doer" mas sem dúvida um belo texto.

João

Xana disse...

Foi um momento certo de emoção, como tantos temos pela vida fora!

gostei muito deste envolvimento , obrigado
boa semana , bjs

Pedro Luso de Carvalho disse...

Chris,

Um belo texto (poesia em prosa) e uma bela poesia.

Abraços

Pelos caminhos da vida. disse...

Tem selinho "Anjinho da Sorte" lá no blog esperando por vc.

beijooo

maria disse...

LINDO!!!LINDO!!!
UM BEIJO E OBRIGADA
MARIA

Poison disse...

Lindas essas palavras!
E o Om , tem em mim um grande poder!
Obrigado por comentar o meu blog :)
namastê*

Angela Guedes disse...

Oi Chris!!!
Lindos pensamentos, traduzidos em palavras.
Beijinhos, amiga.
Ângela

Maria Emília disse...

Chris,
Não conheço nada de si, é a primeira vez que venho ao seu blog em resposta ao comentário que deixou no meu.
Não sei se entendi bem esta sua postagem mas o que me ocorre dizer é que a nossa capacidade de amar é ilimitada, invisível e imóvel, tal como o tempo.
Vou continuar a visitá-la para conhecer melhor o seu blog.
Um abraço,
Maria Emília

Graça disse...

Boa noite, Chris

Gostei muito de ter chegado aqui. Os textos que li são muito bons.


Obrigada por ter passado no meu "palco"


Um beijo

Angela Guedes disse...

Oi Chris, tem brincadeira no meu blog pra você!!!
Espero que participe e um jogo literário.
Beijinhos
Ângela

Roberto Ney disse...

dois blogues incríveis...
com certeza mais um leitor assíduo acaba de passar por essas bandas.
beijos

ah! ano que vem estou planejando ir estudar aí em sua terra ( na universidade de coimbra).

PALAVRAS AO VENTO disse...

Que espaço lindo!
Voltarei mais vezes
Abraços