terça-feira, 16 de junho de 2009

Porquê?


Partilhar…

Partilhar sempre foi um verbo que me acompanhou nesta vida com mais de quatro décadas, como o verbo “entender“ continua a ser um verbo determinante na forma como observo o Universo, o meu Amor e os outros… por vezes confundem-se, baralham-se, mas é assim, não procuro certezas, apenas entender qual o motivo de tanta crueldade…

Vou por onde me levam os meus próprios passos, como diz o poeta, vou pelo caminho que sinto ser certo, dando o rosto, o olhar, a minha verdade (sim, existem tantas verdades, quanto o número de humanos que habitam este grão de água que habita o Universo…), expondo-me sem medos, sendo eu, aqui e agora.

Acreditar (outro verbo) nos outros, em quem sempre amei, mesmo traindo-me da forma mais estranha, mas não procuro vinganças, nem rancores, só tento mesmo entender qual o motivo de tamanha crueldade, talvez monstruosidade… mas ninguém pode amar alguém que personifica o papel dum corpo encenado.
Qual o sentido que teve uma viagem de Lisboa ao Porto em Dezembro de 2006 para compactuar com esta indescritível monstruosidade, mais uma vez a palavra certa, no momento certo.

Este espaço no tempo utópico da blogosfera chama-se o "Momento Certo" e existe uma razão, como diz a canção dos "Delfins", que nunca gostei, mas neste último CD, rendi-me: "Há uma razão para o mundo o saber, há uma razão que me adora vencer... deixa-te vencer" (já lhe dei todas as provas que os ditos humanos precisam...)
A última música "O Som e a Fúria" passou da rendição, conquistou-me... na grande língua de Camões!

Apetece-me dizer NÂO!!!, mais do que namorar na Aroeira... Conheci o "Som e a Fúria" no seu corpo, encontrei a sua alma na noite duma outra qualquer que nunca fui eu (por vezes, aquela mulher feia fascina-me... não sei ainda explicar porquê, as noites seguidas, num quarto qualquer, num primeiro andar duma casa qualquer, ele falava-me dela... sem eu saber quem era "ela"...), mesmo depois do que aconteceu numa rua de Almada em 1983...
segundo as leis hipócritas dos homens já prescreveu, mas o Amor não caduca... gosto da distinção entre a prescrição e a caducidade, a formalidade e a substancialidade... sou da última... que se lixem os homenzinhos do corpo da lei, sou da Alma...

Amei, amo e amarei quem sem amei, pode até parecer uma redundância verbal, mas não é. Por vezes, às quatro, cinco da manhã, entre o calor das lágrimas que não consigo conter há mais de três anos, pergunto-me: porquê??? Não encontro resposta , percorro-me em mim, congratulo-me por ter sobrevivido, por olhar no espelho de olhar aberto, de me dizer, redizer tantas e tantas vezes: valeu a pena da pena de amar desta forma… O Amor é Uno, ter a consciência emocional que o encontrei passadas tantas vidas, só posso dizer que valeram a pena os momentos de felicidade que vivi dentro da alma e do transporte duma materialidade inexistente de quem sempre amei, desde sempre, seja isso o que for…

A última prova é minha… a prova de todas as provas… a prova que trespassa todos os limites do que os humanos convencionaram ser o Amor… só me resta a última prova! Dei mais do que sou, inventei mais do que sinto, o saldo negativo (será... coisas da contabilidade não me acreditam...) para quem o verdadeiro (o que será isso da verdade???) Amor é único homicida que conhece. Devaneio ou mentira? Talvez, as duas, as três… é assim, quando o não entendimento que nasce de dentro desaba, sem principio, nem fim. Porquê?


Só eu sei a tua idade… talvez do Amor…
aquele que não mata, aquele que quer partilhar,
aquele que se prenda, não se prende,
congratula-se, jura-se, tenta-se...



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Mil anos depois


Na implosão de mim
Encontrei-te mil anos depois
Como um vulcão silenciado
Sintonia dum tempo trocado

Na explosão de mim
Procurei-te mil anos antes
Como lagoa enclausurada
Fêmea duma folha rasgada

Na implosão de ti
Desceste a escada ascendente
Entre o brilho da cidade
Dum pinheiro sem idade

Na explosão de ti
Fugiste do bosque pós-escrito
Sublinhando o azul no destino
Como um astrolábio fidedigno


25 de Novembro 2003 (para A) (*)


(*) palavras que surgiram numa noite a caminho de casa, na marginal entre Cascais e Oeiras.
Entre o olhar que nunca esqueci e o olhar que nunca me quis lembrar… és tu... agora, sei...



Foto: uma simples fotografia que ofereci a alguém em 2005, foto que foi guardada no segredo, talvez dos Deuses, utilizada como utensílio duma acusação cobarde, publicada numa revista nacional no inicio de 2008, como sendo eu que assustei e assassinei o Amor... para quem lê este blogue e me conhece de perto, sabe do que falo...
tenho um rosto e um olhar que não escondo. Se alguém tem que fugir do espelho não sou eu... obrigado, aqueles que me entendem e são meus amigos... Por isto tudo, e muito mais que ainda não posso escever aqui, este espaço continuará a ser público, sem máscaras, sem filtros...
sou assim...

16 comentários:

Aqui - Ali - Acolá disse...

Olá Chris bom dia:

Porquê?

Depois de ler este teu post atentamente fiquei assim como que surpreso com algo que se passa em tua vida onde em mim (reservo qualquer comentário sobre isso).

Claro que há aqui umas revelações tuas que dão para entender algo mas, repito:

É só teu tudo isto pelo que, me limito a ler e fazer o meu juízo do que leio para comigo mesmo.

Acho que me entendes ao que me refiro, pois não quero fazer juízos de valor daquilo que aqui li apenas como amigo e como entendo pelo que escreves, que sigas o teu caminho pelo lado mais positivo que vejas em ti.

Delfins, dizem muito os poemas das canções deles, é preciso lê-los bem para que se chegue ao sentido do bom que lá está.

Quanto aos homenzinhos do corpo da lei, isso hoje em dia já não faz sentido prático porque na alma deles, não existe lei mas apenas interesses fora de alma que corrói os sentimentos de gerações passadas e algumas vindouras.

Este teu post intrigou-me bastante pelo seu conteúdo, deveras forte numa narração muito séria, (será como pensar e dizer (quem não se sente), o resto é banal).

Obrigado pela tua visita a meu blog e volta sempre que serás sempre bem recebida.

bjos e dias felizes te desejo.

Vieira Calado disse...

Gostei da ideia:

mil anos depois...

Beijinhosss

DE-PROPOSITO disse...

“entender“
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É claro que é difícil entender. E creio que nunca entenderemos. E chegamos à conclusão que a razão, nem sempre tem razão.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

mundo azul disse...

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Um texto desabafo... Muito bonito e sincero! Admiro as pessoas que abrem o coração dessa maneira...

Não sei o que houve, mas, sei que o tempo cura todas as feridas...


Beijos de luz e o meu agradecimento pela sua gentilç visita!!!

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O Profeta disse...

Não há longe, teu mundo a ilha
Tens andar gingão mesmo à maneira
O verde é manto que te afaga os pés
O mar é o teu azul por cabeceira

Passos ao encontro
Alma cheia de cor e ilusão
Braços abertos à aventura
O mundo na palma da mão


Boa semana


Mágico beijo

Alegria disse...

Gostaria de saber se posso te adicionar a meus blogues que acompanho, desculpa na verdade já o fiz mas caso não queira eu tiro. Lindo trabalho, linda escrita.

Chris disse...

Aqui-Ali-Acolá: interessante o teu comentário extenso, mas o mais importante é entender que nada é sério, nem grave. Aprender a relativizar, torna-nos mais leves.
Tudo a correr bem!

Vieira Calado: obrigado... bjs também.

De-Proposito: obrigado Manuel, gostei do teu de-proposito.

Mundo Azul: o tempo cura "quase" tudo, mas não tudo. Obrigado pelas palavras e até à próxima.

Profeta: gosto de venerar aquilo que gosto, é o caso das suas palavras. Obrigado.

Alegria: a escolha é sua, volte sempre que sentir vontade.
Até breve.

disse...

Passei por aqui... e deixo um abraço do Porto

Xana disse...

A gente até pode pensar que não dá importância a certas coisas, mas ferem.
Até podemos dizer que esquecemos, mas vamos lembrar delas até ao fim da vida.
Até podemos dizer que não amamos, mas choramos todas as noites.
Até podemos querer entender todos essses verbos, mas sósinhos não conseguimos!!!

beijinhos e bom fim de semana

Anónimo disse...

Grandes mudanças por aqui e em si, tenho novidades, grandes textos e belisimos poemas. Relevo nas suas palavras mágicas.
Um abraço amigo
António Coelho

Alegria disse...

Bem não te conheço mas acho que lendo teu blog vou pelo menos tentar te enteder, e sempre voltarei para ler. Seu blog é 1000.

lupussignatus disse...

galáxia

interior

João Paulo Videira disse...

Olá Chris.
Vim aqui ter porque estàs como seguidora do "dias do fim" que encerrei há uns tempos. Entretanto iniciei um outro projecto, denominado "Mails para a minha Irmã" que mora em mailsparaaminhairma.blogspot.com.

Vou adicionar-te lá porque o teu blogue é interessantíssimo. Os textos perpassam franqueza, vulnerabilidades e forças. Estão, na minha opinião, muitíssimo bem escritos e têm um inegável traço autobiográfico... e isso interessa-me. Um abraço grato pelos momentos que aqui passei... ficarei assíduo. João Paulo Videira.

JP Jacinto disse...

O momento certo para conhecer alguém...

O momento certo para fugir...

O momento certo para atacar...

O momento certo de namorar...

O momento certo para ficar calado...

Tantos momentos, todos certos todos errados. Como dizia um mestre na minha universidade. Pensar longamente e agir rapidamente. Analisar demoradamente e agir num momento. Porque não este?

Bjs

JP Jacinto

Chris disse...

Tê: obrigado ao Porto...

Xana: também penso assim.bjs

A.Coelho: apareça com as palavras mágicas...

Alegia: obrigado pelas palavras.

Lupussignatus: duas palavras que se complementam no mesmo movimento.

João Paulo: todos temos um traço auto-biográfico que é comum a todos, mas nem todos o sublinham. Volte sempre...

JP: será que existe mesmo esse momento certo? Boa semana...

simplesmenteeu disse...

"O Momento Certo"
fiquei a pensar...
Na realidade não tinha vindo aqui antes.
Alguns, os lugares, onde nos cruzámos. Lugares onde o afecto me prende e onde sempre vou.
Era minha intenção vir. Mas, por razões diversas (de ordem pessoal) nunca o consegui antes.
Fiquei realmente triste com a situação lamentável que encontrei. E, afinal, tão comum...

(nunca tive blog e este só existe desde Janeiro)

Vou ficar por aqui com o meu abraço e atenção.

Beijo carinhoso