sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sentir, sentir e sentir.




Todos os que entram neste meu espaço partilhável, talvez entendam que o verbo “sentir” é fulcral para mim. Nem sempre foi assim… momentos existiram que ficaram guardados, contidos, maquilhados, sublinhados nas margens internas que me guardam...

Algum trânsito planetário começou a mudar a minha vida no decorrer do ano de 2003, revejo-me no momento antes desse momento, no momento depois desse momento…
Começo a entender o que aconteceu, como foi minha opção, a decisão de ficar indefesa, no sentido da fragilidade, fundamental à expansão da consciência, de me entregar à vida pelo sentir, pela água como elemento basilar na minha matriz energética.

O contacto com o divino muda consoante a maturidade da alma, com as experiências kármicas de outras vidas, que um elevado grau de consciência, nos permite descodificar. Assim, a intemporalidade da alma é esférica, nada acontece quando queremos, tudo acontece quando o céu deixa que assim seja.
Quando comecei a perceber todo este jogo perfeito de equilíbrio que habita o Universo, entendi que o destino está dentro de cada ser, pela compreensão das energias planetárias, das quais fazemos parte…

Passei a minha porta oculta entre 2003 e 2004 (a chamada porta oculta de Escorpião) e comecei a nadar para as águas onde sempre me revi, mas nem sempre vivi. Só quem sente as almas lhes pode tocar, só quem conhece o drama da existência tem a capacidade de chegar à última fila, em silêncio… A capacidade de criar, sendo abstracta no acto singular da criação, concretiza-se quando tocamos os outros.
"As coisas acontecem quando aceitamos perder, não quando queremos ganhar", aprendi com alguém...

Ando a ler Mia Couto, num estado de deslumbramento total, pois sou assim, sinto… o que me leva aos limites, por vezes, para além daquilo que os outros designam como linha de fronteira. O lastro dessa linha, encontra-se no sentir da linha indefinida da água...

Não é fácil viver neste mundo com uma conjunção brutal (um grau de diferença) de Marte e Plutão, com um Urano a universalizar essa conjunção energética poderosa e perigosa… é a aprendizagem das vidas vividas, do tempo saturnino que segura estas energias tão próximas.
Entendi-as a tempo, por isso, hoje mais que respostas, encontro perguntas... felizmente.



Pergunta-me


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


Mia Couto, in “Raiz de Orvalho” [1981] (*)
(*) publicado em 1999.


Foto 1: Primeira imagem do “Momento Certo”… entre a quebra dos ponteiros saturninos e dos sonhos acordados... o que nunca poderei escrever aqui... sei.

Foto 2: Encontrei parte do entendimento de mim, na minha casa V, na minha conjunção Marte (20º), Plutão (21º) e Urano (23º).

Foto 3: Não está a ser fácil encontrar a casa do Plutão (24º de Leão), continua o estudo entre a Casa VII e a Casa VIII, um mistério ancestral por decifrar… penso que nem “ele” sabe qual a casa onde está Plutão, mas vou lá chegar... sei.

2 comentários:

Anónimo disse...

Comecei a descobrir no centro que a astrologia é uma ciência apesar de não ser reconhecida como tal e ja me inscrevi no próximo curso de Reiki, és a culpada, eh!
Ana Paula

Chris disse...

Claro que sou culpada, uma culpa que sabe bem. Um dia falarei neste meu recanto da minha iniciação em reiki.
Beijinhos para ti e para o teu pequenino...
Chris