domingo, 19 de abril de 2009

Inexorabilidade do sentir.






Será o Amor uma forma de sentir inexorável? Penso que sim, mas não o afirmo duma forma imperativa e categórica numa perspectiva kantiana, muito menos num silogismo dedutivo, impermeável ao verbo onde me reconheço: sentir.

O centro da minha matriz energética movimenta-se na água, por isso para mim, viver é sentir. A água sente, o fogo concretiza, o ar mentaliza, a terra materializa, e o éter… será tudo isso e muito mais, o caminho a percorrer no entendimento do “Versus – Uno”, mais conhecido como Universo.
Sempre procurei entender o mundo pelo sentir, a forma menos conhecida da ciência, a inteligência emocional (Q.E.) que começa a dar os primeiros passos.

Sou uma mulher de interrogações e de muitas reticências, o eterno momento do “talvez”, não do “agora”, não sou da afirmação, por isso, não sei julgar os outros, pois o que é, poderá não ser… A água não afirma, questiona todos os tempos num só, a passado, o presente e o futuro. A água representa as memórias, talvez por isso, seja excessivamente ligada ao passado, no qual procuro encontrar a explicação do momento presente. Nunca pensei no futuro duma forma consciente, esse não é o mundo da água, também não é o universo do fogo, é mais do ar e da terra. O fogo move-se no presente, a água no passado, a terra e o ar no futuro.
O fogo será sempre o “eterno momento certo”, a concretização da ilusão do “agora”.

Não acredito em “astrologices baratas”, acredito no eterno movimento do Universo sempre em expansão, como deveria acontecer com o homem. Nem sempre assim acontece, por vezes, temos que retroceder para poder voltar a avançar. Tristes são os que pensam que caminham em frente todos os dias, sem parar, sem dar um passo atrás, sem entender que a vida não é um movimento intempestivo... atropelando tudo e todos, pelo prazer aparente que têm em afirmar: “Eu sigo o meu caminho, sempre em frente”. Gosto dos abismos e das tempestades, de não saber parar, pois a minha conjunção Plutão / Marte é brutal, transcende a própria morte. Um dia falarei como esta conjunção pode ser poderosa, como aprendizagem kármica, mas perigosa demais quando não se tem consciência dela.

Hoje um amigo veio jantar comigo, alguém que conhece parte da minha trágica (será?) história, trouxe com ele um jornal matutino da semana passada, que por vezes até leio, com um artigo onde se falava dumas “velhinhas nuns banquinhos desdobráveis”… soltei uma gargalhada não estridente, mas devolvida ao espaço onde a minha consciência mergulha... pois é, por mais que papagueie, implicitamente sabe que sou a sua eterna inspiradora, mas o ser anda perturbado… Sabe que só em nós existe a resolução dos nós por desfazer de nós... Os outros deambulam na personificação que lhes demos. Nunca saberão que foram colocados na nossa história, como mera instrução do real utópico.

Gosto de celebrar a herança das vidas passadas, gosto de celebrar o facto de ter sobrevivido à minha morte, gosto de celebrar por ter (re)encontrado um grande Amor...
Quantos poderão ter esse privilégio?
Será assim tão difícil viver no mundo do sentir?


Não me canso de continuar a publicar neste meu “recanto do sentir” a poesia de Maria do Rosário Pedreira… já o escrevi, e volto a afirmar (às vezes, afirmo, quando sinto o momento certo…), que gostava de saber escrever assim para “alguém”…



Cheguei tarde, e os que sabiam de mim
notaram que o meu corpo já não me
pertencia. E perguntaram. Porque ardia
a tua boca nos meu lábios mais do que
a fogueira do segredo, respondi-lhes

que o céu, afinal, era mesmo azul, e o
verão um estação maior que o tempo,
e o tempo nada se o teu corpo estava
junto desse corpo que todos já sabiam
que não vinha comigo – e que Deus,
Deus fechava os olhos e existia. Riram

os que te tinham conhecido noutra noite
com outra pele vestida; os outros foram
para muito mais longe que o seu rosto
magoado dizer ao próprio ouvido que eu
mentia. Mas os que ainda queriam saber

de mim pediram-me que lhes contasse
quem eras, o teu nome. E eu mordi essa
boca vermelha que deixara contigo para
não ter de dizer que nem o perguntara.



Maria do Rosário Pedreira, in “Nenhum Nome Depois” [2004]



Foto 1: Foto de Barbara Cole, sabe fotografar o mundo da água, esta estranha forma de sentir, inexorável...

Foto 2: Piscina natural das Furnas - Açores, onde vou voltar brevemente. Sou completamente apaixonada por aquelas "nove" ilhas. Mais uma vez...

Fotos 3 e 4: O saber parar diante do sonho, que nem sempre é um precipício, não acontece por acaso, nada é fruto de meras coincidências, pois elas não existem, mas dum conjunto de energias (umas kármicas, outras não) que devem ser estudadas e entendidas. Um exemplo: Saturno a 3º de Escorpião (água) e Neputuno a 23º de Balança (ar), tudo na Casa IX. Não existe conjunção, pois existe uma separação de 10º.
Outro exemplo: Mercúrio (21º câncer) conjunto a Urano (24º câncer), na Casa VII. Existe um mundo sem fim, para explicar o que pensamos ser um acaso...

Foto 5: Plutão a 20º conjunto a Marte 21º em Virgem, na Casa V (Leão - Fogo)...

4 comentários:

Anónimo disse...

A inteligência emocional constiuirá uma revolução no estudo do comportamento humano. Boa semana!!
Abraço
António Coelho

Chris disse...

A nova era ainda agora começou, mas tem toda a razão.
Obrigado
Chris

Anónimo disse...

Vais ter que explicar umas coisas das progressões:) giro o gatinho!
bjs
Ana Paula

Chris disse...

Quando quiseres...Devias ir à próxima reunião mensal da lua cheia, fazia-te bem...
Tudo a correr bem
Chris