segunda-feira, 9 de março de 2009

Três Anos Depois.




O acto da escrita, a conjugação dos símbolos a que chamamos palavras, nunca revelará as formas mais estranhas de sentir, meras aproximações ao mais obscuro continente denominado Amor. As palavras circulam por dentro de espirais que só eu conheço, de oceanos infinitos. Amar desmesuradamente, talvez este seja o Amor que reencontrei da forma mais dolorosa… mas valeu a pena, a pena de nós...

Ninguém sabe, nunca ninguém saberá os estranhos desertos que atravessei nestes últimos três anos, a esta hora o mundo era perfeito, o real no pretérito mais que perfeito...

A premonição aconteceu naquela estranha noite de Março, sabendo pelo sentir que sete dias e sete noites depois, seria alvo da maior traição de que há memória na história da Humanidade. Os momentos, as palavras, as revelações, os momentos nossos, os olhares, as entregas, voltar a acreditar que a vida é um momento simples e breve…

Hoje, as palavras são meras sibilas reencontradas, profetizas dum continente dilacerado pela fuga dum Amor intemporal, sem momentos certos ou incertos, um Amor do qual fugi todas as vidas que já vivi, por medo (um dos três nós existenciais), o mesmo que lhe passei directa e duma forma contornada pelos anjos, telepatia esculpida na energia cósmica.

As palavras são imperfeitas…



Espias-me,
tua ambição, minha piada,
rio-me de ti, à gargalhada

és o teu próprio espectáculo
a caixa de sofrimento
em pose de receptáculo,
que iça a minha bandeira
não o Fellini do meu tormento,
mas a Duncan da minha brincadeira

bebo a ti, vítima
numa folha íntima
fêmeas na falácia
ato
desato e
resgato
mulheres da Trácia

doo-te e tu devoras-me


Autor Desconhecido [2006]


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Olhas-me,
tua dúvida, minha certeza
deste azul, quase turquesa

és a tua própria cruzada
timoneiro à solta
sem pose estudada,
que busca a liberdade
não o esquecimento celebrado,
mas o tempo certo encontrado

sigo-te, prisioneiro
na tua arte em cativeiro
voz e luz de farol
crias
descrias e
recrias
luas sem Sol

integro-te e tu libertas-me


Chris [2006]

1 comentário:

Anónimo disse...

Pasei por aqui como é habitual para ver as tuas ultimas novidades. Tens que conseguir aqule quadro para a galeria, diz-me qualquer coisa depois,
Gaby