sábado, 7 de março de 2009

Quase três anos depois.




A pena do Amor desmedido, a pena que "ele" me impôs nesta distância absurda, neste tempo em que cada segundo retoma o curso certo das águas, onde o fogo crepita na nossa fogueira nunca extinta, como no sonho denunciado por confissão pública.
O culto do Fogo, os ensinamentos de JUNG que lhe faltam aprender, pois ninguém se torna "Mestre" com vagos conceitos superficiais de motores de busca na internet, é preciso ler as obras, mergulhar na sapiência de muitas vidas, de sentir a liturgia depois da dor, de reconhecer a serra lunar, de entender o tenor duma nova voz consciente, de já não ligar ao facto de estar vivo...

A ascensão que nos foi proposta nestes três anos, irradia duma fonte, talvez ancestral, talvez adormecida em nós: "A dança de dois adormecidos, actores no mesmo palco".

Musa denunciada, como inversão do tempo certo. O que irá acontecer quando o jogo da sedução recomeçar? Não precisas dizer nada, as pedras ainda guardam os sons estridentes a arderem na noite reencarnada.
Não precisas dizer nada... O tempo sabe de nós...


Não Precisas Dizer Nada

Deixa que o sol bata nas rochas
e as folhas se transformem
numa cama de verão

Digamos que é para isso
que servem as árvores

Aproxima-te da água
e canta a lira que trazes
sob os cabelos de carvão brilhante

Aponta com o teu dedo fino
onde mora o último sinal de vida
onde reside a esperança
para amanhã

E depois anda tocar nos livros
folhear os poemas de Rilke à sombra
da casa lendo alto os versos mais suaves
para despertar as flores

Não precisas dizer nada meu amor
ainda temos a noite
para construir


José António Gonçalves, in "As Sombras no Arvoredo" [2004]


Foto 1: Tela a óleo de Pieter Pauwel Rubens: "The Tree Crosses" [1620]

Foto 2: Espada... (sei onde está, depois do "outro irmão", abandono da Quinta há dez anos, onde muitas coisas aconteceram, o tempo ainda não [re]encontrado...)

Foto 3: Iniciação prometida, quase três anos depois...

3 comentários:

Anónimo disse...

há com cada doida por aí...Nossa

Maria T

Anónimo disse...

Estava a ler o teu blogue, quem é esta gente estranha que anda por aqui a fazer estes comentários sobre ti? Devias apagar essas parvoices. O Nuno adorou a tua prenda.
Beijinhos
Ana P. Fonseca

Chris disse...

Ana: já sabia, o Nuno disse-me.
Depois falamos...
Quanto à "sra. anónima", que não quer revelar quem é, está no seu direito, como eu estou no meu de revelar um pouco de mim, neste pequeno recanto que cuido com carinho. Como vê não apago os seus comentários, pois sempre aceitei na minha vida as criticas positivas e negativas. Permita-me tecer uma consideração sobre o seu comentário: tenha pena de quem nunca amou ninguém. Obrigado por ler o meu blogue.
Quanto à Maria T, teceu um comentário digno duma gargalhada, por isso dou-lhe um conselho: leia "Elogio da Loucura" do Erasmo.
Chris