terça-feira, 17 de março de 2009

A inteligência do Coração.




A observação do quotidiano social devolve-me a bravura das questões onde procuro um suporte de entendimento nessa esfera, no regresso ao fogo brando de mim, já com o meu Plutão regenerado (foi uma dura batalha...) e com o meu Urano a iniciar a sua grande demanda. A forma de expansão da intuição cada vez mais apurada, como instantâneos flash's ao estilo “Polaroid”, sempre tendo presente o olhar dum Deus reencontrado, onde impera a crueldade condicionada pelo medo de amar.

A evidência interior a que chamamos intuição, a vidência que nasce de dentro, o caminhar sempre na ascensão uma oitava acima: na cor, no som, no movimento, no ritmo…

Entender os crivos onde a fonte da crueldade nasce, o que leva um ser a exaltar todas as leis de transferência para terceiros, evadir-se nesse paradoxo entre a indulgência uraniana e a rigidez mercuriana, longe da inteligência emocional. O silêncio é sinónimo de resistência, talvez estupidez, timidez, alguma vez…

O que leva um homem a socorrer-se dum outro ser distante que nada sabe, como forma de encobrir a verdade - a sua verdade, num caminho de inversão do sentido certo, estranha ascensão em segredo, refinada com opressões aparentes em plena fuga de si, tentativa sacrossanta na espera de alguém que já chegou...

A cobardia é ir contra o apelo de Urano, é a transferência para terceiros, o “passar a bola”, é a forma infiel de caminhar na direcção da mente cósmica.

Alguém continua a rejeitar o desafio que Urano lhe propõe, a arte não evolui pois Urano (24º câncer) está conjunto a Mercúrio (21º câncer), na casa VII. Essa conjunção atrasa a evolução criativa, a mente superior encontra-se refém dessa união impossível com Mercúrio (mente inferior, analítica). Grandes músicos escreveram verdadeiras obras sem saberem uma nota de música… isso é Urano…
Alguém continua a pensar que harmonia e equilíbrio são sinónimos, mas não são. A harmonia encontra-se em Urano, o equilíbrio em Mercúrio.

Vale a pena (a eterna pena…) ler algumas coisas da psicoterapeuta Isabelle Filliozat e entender que existe uma outra forma de inteligência que é emocional e uraniana, talvez a inteligência que moverá a Humanidade num futuro (espero que próximo), muito para além da inteligência lógica e mercuriana.

Mais do que ler e escrever em jornais desportivos e andar por aí a perder tempo a debitar cantilenas para seres primários, em terras e armazéns perdidos no mapa, deveria ler “A Inteligência do Coração” da referida autora, da qual transcrevo algumas ideias fulgurantes para a nova era, que já chegou para alguns:


"As emoções reorganizam a memória… Quanto mais as nossas emoções são conscientes, mais liberdade ganhamos na nossa existência.
Emoções e sentimentos mantém relações estreitas. As emoções são biológicas, pulsionais. Os sentimentos são elaborações ditas secundárias porque são mentalizadas.
O silêncio é mais traumatizante do que a dor partilhada.
A única maneira de não transmitir aos outros as nossas frustrações, raivas, terrores ou desesperos, é partilhá-los!

O perdão passa pela expressão do sofrimento e pela afirmação da raiva."



Vale a pena ler este livro, vale a pena acordar as memórias, vale a pena pensar na substância essencial, deixar de deambular na trama das teias formais elaboradas pelo pensamento analítico, por Mercúrio.

Finalmente, vale a pena redescobrir o Museu do Prado em Madrid. Deixar a alma integrar a desintegração perfeita da arte, entender que os magistrais pintores como El Greco, Rubens, Goya, Rembrandt e Velázquez tinham uranos à solta, em direcção ao infinito.

A arte foi a melhor terapia que encontrei face aos rostos mutáveis e mercurianos do “Deus da Crueldade”. O rosto que mudou o "modus faciendi" por negação dele próprio, aceitando a premonição imposta há muitas vidas.

Como pode alguém seguir em frente, abrir o verdadeiro momento a seguir nesta tensão kármica entre Urano e Mercúrio? É Urano que vai à frente a 24º em direcção à casa VIII (escorpião), intuir o sagrado numa arte que está estagnada mas que tem tudo para evoluir, essa é a proposta de resolução dum karma específico.

Vale sempre a pena, a eterna pena... Uraniana.

Todos os caminhos alegóricos começam na iniciação do aprendiz, até ao reinício do Mestre. As notas da pauta e as cores da tela repetem-se sem se repetirem, sempre uma oitava acima. Provavelmente na passagem do ciclo dos 56 anos (ciclos de Saturno), alguém ascenderá na arte, quando perceber que é assim... É como o momento certo, não se arquitecta duma forma mercuriana, acontece na verdadeira evolução uraniana.


Imagem 1: Depois da reprodução neste meu recanto da obra "Vénus e Adónis" [1635] de RUBENS, cujo original se encontra no Museu Metropolitano em Nova Iorque (talvez no próximo Outono, vá até lá...), vale a pena assistir ao vivo à obra "O Jardim do Amor" [1625] - no Museu do Prado.

Imagem 2: Entre Urano a 24º de câncer e Mercúrio a 21º de câncer, na casa VII. Os estudos da casa onde se encontra Plutão prosseguem: entre a casa VII e a casa VIII, qual delas será???

Imagem 3: Capa do livro de Isabelle Filliozat - "A Inteligência do Coração". [1997]

1 comentário:

Marileches disse...

interessante a maneira poética que aborda a astrologia!Gostei!