domingo, 29 de março de 2009

Há vinte anos...




Hoje, agradeço à vida, fui feliz nos anos 80 e 90, tanta coisa aconteceu, amada, desejada, mera ilusão, fuga do meu coração...
Tempos de efusiva explosão epidérmica, tempos em que senti o mundo a meus pés…
Tempos em que trabalhei para o “Augustus” em campanhas publicitárias em finais dos anos 80, tempos em que fui “Miss Hoya”, multinacional onde trabalhei no inicio da década de 90… como se o mundo fosse meu… foi bom ter pouco mais que 20 anos…

O fotógrafo que conheci, através do qual conheci o homem com quem partilhei mais de 17 anos da minha vida…
Obrigado...

O meu 1 m.58 cm. nunca me abriu as portas para os desfiles que assisti nesses tempos, com aquelas mulheres intermináveis em altura, mas parcas em profundidade, como me disse um grande costureiro no inicio dos anos 90… fiquei-me pelo meu rosto, o meu olhar, parte do meu corpo...

Talvez hoje seja anã para alguém (rio-me e choro-me por dentro…), mulher que denunciou como atraente (!) há dois anos nos órgãos de comunicação social (o tempo é breve nessa escrita vã…), tudo o que aconteceu foi um mero apêndice de “nós”…

Sempre foi “ele” que me seguiu há tanto tempo, sem nunca saber…
Agora sei… fui feliz, mais de duas décadas…

Há três anos, talvez velha demais, o corpo menos firme, a força inevitável da gravidade, mas a vida deu-me tudo o que sempre quis, a alma de quem sempre amei… o momento certo…

Parte do meu corpo num blogue que me denunciou num grito declamado, inesperado, na pinha do pinhal dos medos, atirada a preceito, com medo de magoar, quem sempre amei…

Talvez devesse ter atirado com força, a magoar, a triturar o olhar do homem de todos os meus sonhos… atirei-lhe a pinha devagarinho, com medo de o magoar, a dor e a raiva anulavam-me por dentro…

Nunca ninguém saberá o que senti nessa noite de Janeiro…

Mas a vida, a sobre-vida continua…

O que os outros pensam, julgam, conjecturam, deixou de passar por mim…

Meros formalismos de sobrevivência, movo-me na substância que resta de mim…

Inocentes vivemos uma noite de paixão…
Condenados ficaremos até o momento certo…


Voltaremos… a nós… velhos, enrugados, cheios de cabelos brancos… nada disso revela face à dimensão deste Amor… que reencontrei…

No final dos anos 80, lia Rimbaud por fora, hoje leio-o por dentro…
Se voltasse a ter 20 anos e saber o que sei hoje…
A vida é assim, por isso, vale a pena tentar e continuar… o exercício da pena…


FLORES

Desde um degrau de ouro, - entre os cordões de seda, o tule cinzento, os veludos verdes e os globos de cristal que enegrecem como bronze ao sol – vejo a digital abrir-se num tapete de filigranas de prata, de olhos e de cabelos.
Peças de ouro amarelo espalhadas pela ágata, pilares de acaju suportando uma cúpula de esmeraldas, festões de cetim branco e de rubi rodeiam a rosa de água.
Como deuses de olhos azuis enormes e de formas de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore a multidão das jovens e fortes rosas.


Rimbaud, “Iluminações uma cerveja no inferno”, poeta francês [1854-1891]


Foto 1, 2 e 3: há vinte anos...

2 comentários:

Anónimo disse...

Deixa-me sem palavras, mas o tempo não passou por sim.;)
abraço
António Coelho

Chris disse...

Olhe que sim, olhe que sim, como dizia o outro.
Tudo a correr bem.
Chris