terça-feira, 3 de março de 2009

Ainda Adónis...




O mito grego de Adónis, condensa uma série de vertentes do pensamento, de mitigadas correntes filosóficas, nuances de diversas teorias interpretativas, desmontagem do mito no seu tempo, na própria inexistência do tempo e do momento, sempre imortalizado na sua concepção que molda o pensamento e a evolução da humanidade.

Adónis nasceu dum relacionamento incestuoso entre Ciniras (rei da Assíria) e a sua filha Mirra. Existia uma competição entre a beleza de Mirra e Afrodite, sendo esta última a consagração mítica da mesma. Quando o rei da Assíria descobriu que tinha sido enganado pela própria filha, ameaçou esta de morte. Mirra pediu ajuda aos deuses que a transformaram numa árvore, de cuja casca nasceu Adónis.

Adónis era uma exímio caçador… Vénus apaixonou-se por este, mas Marte não aceitou essa paixão por parte da sua amada. Marte (deus da guerra) assumiu a forma de um javali enraivecido, matando Adónis. A metamorfose de Vénus em anémona, foi uma forma que esta encontrou de permanecer junto do seu amado, sem ser reconhecida.

A descida de Adónis ao reino de Plutão (Hades), onde a esposa deste, Persófone, também se apaixonou por Adónis, tornando-se assim rival de Vénus.

Júpiter (Zeus: Deus dos Deuses) acedeu ao pedido de Vénus, restituindo a vida a Adónis, mas Persófone não o deixou partir do inferno. O concilio dos Deuses (espécie de Tribunal mitológico), determinou que Adónis passasse seis meses com Vénus e os restantes seis com Persófone. A paixão desmedida de Vénus por Adónis, levou a que esta não cumprisse a referida ordem, provocando acesas querelas entre as duas deusas, o que determinou a intervenção Júpiter. Assim, Adónis passava quatro meses com cada uma das deusas, e os quatro meses remanescentes ficaria livre (!) das deusas…

A passagem de Adónis por cada uma das deusas também representa os ciclos da natureza, como outros ritos simbólicos: passagem da noite ao dia, das trevas à luz, do Inverno à Primavera, da Lua ao Sol, do amor desmedido ao amor controlado (?), da morte e da vida...
Adónis é também uma divindade do mundo vegetal (uma noite encontrei-o a conversar com uma palmeira, facto que há uns três anos me confidenciou, ser sua ouvinte ancestral).

Desde o século V a.C., que começaram a realizar-se em diversas cidades gregas, rituais e cerimónias recordando o trágico desaparecimento de Adónis, nos quais as mulheres plantavam sementes de diversas plantas, em recipientes denominados “Jardins de Adónis”. Das diversas flores reinavam as rosas, tingidas de vermelho pelo sangue derramado por Vénus (Afrodite), no momento em que tentou socorrer o seu amado, e as anémonas nascidas do sangue de Adónis. (De todos os nomes que já me chamou, fui contemplada como um troféu errante, de aracnídeo e de anémona metamorfoseada...)

Esta é uma das versões do mito, existindo outras interpretações, como tudo na vida…

*****************************************************

Março… Marte… Inicio…
Mês do nascimento de Jesus Cristo…
Mês de grandes revelações…
Mês das grandes iniciações…

Marte é o desejo que não segura a unidade do tempo.
Marte não aceita a ordem cósmica.


Marte a 25º de Sagitário, na Casa XII (Água).
Marte a 21º de Virgem, na Casa V (Fogo).


*****************************************************

If women could be fair and yet not fond,
Or that their love were firm not fickle, still,
I would not marvel that they make men bond,
By service long to purchase their good will,
But when I see how frail those creatures are,
I muse that men forget themselves so far.

To mark the choice they make, and how they change,
How oft from Phoebus do, they flee to Pan,
Unsettled still like haggards wild they range,
These gentle birds that fly from' man to man,
Who would not scorn and shake them from the fist
And let them fly, fair fools, which way they list?

Yet for disport we fawn and flatter both,
To pass the time when nothing else can please,
And train them to our lure with subtle oath,
Till, weary of their wiles, ourselves we ease;
And then we say, when we their fancy try,
To play with fools, Oh what a fool was I.


- parte do poema "Vénus e Adónis" [1593], de:

William Shakespeare: poeta e dramaturgo britânico [1564-1616]


Uma das supostas citações que prefiro de Shakespeare:

"Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia."

Será??? Como pode a harmonia ficar embriagada???



Imagem 1:Tela a óleo de Pieter Pauwel Rubens: "Vénus e Adónis" [1635]
Pintor flamenco-maneirista [Siégen-1577 / Antuérpia-1640]

Imagem 2: Marte a 25º de Sagitário, na Casa XII (Água).

Imagem 3: Marte a 21º de Virgem, na Casa V (Fogo).

7 comentários:

Anónimo disse...

Adorei o teu "Adónis"! Vês,o tempo resolve muitas questões.Tenho aprendido umas coisas nas tuas aulas. Bjs.
Gaby

Anónimo disse...

Apesar de perceber pouco de astrologia, gosto do outro lado deste espaço e o seu apurado sentido estético.
com admiração
António Coelho

Anónimo disse...

Psicose é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma "perda de contacto com a realidade". Ao experienciar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações ou delírios, assim como mudanças de personalidade e pensamento desorganizado. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" ou de "insight" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento. Desta forma surgem também dificuldades de interacção social e em cumprir normalmente as actividades de vida diária. - uma vez que me parece que não reconhece a estranheza dos seus comportamentos, sugiro, uma vez mais, que procure acompanhamento psiquiátrico...

Chris disse...

Obrigado à Gaby e ao A. Coelho, são muito gentis.
Quando ao Sr. "anónimo", toda a gente sabe quem é, mas poucos o conhecem como eu. O que aconteceu entre nós não foi ficção, foi real, palpável, físico… envolvimento psicológico, denso, talvez fatal. O Amor é o mais estranho continente como me referiu uma noite. Já nos cruzámos em muitas estradas desta vida(este é o nosso karma!), inclusive nas escadas dum consultório psiquiátrico na Av. João V, recorda-se ??? Vou ajudá-lo: corria o ano de 2004 e as lágrimas desalmadas eram minhas, o seu A6 parado e "ela" que era "eu" mais uma vez… A história do “Deus da Crueldade” está a ser escrita. Reencontre-se em si, pois parece que continua à procura de mim… Até quando vai negar o que sempre temeu? "Nunca amei ninguém, sei..." por medo de perder a noção da realidade que agora invoca...
Não o condeno por isso, conforme já percebeu...
Chris

Anónimo disse...

Lamento informá-la que está muito enganada em relação à minha identidade. Não sou quem pensa, ou quem gostaria que fosse, nem sequer sou homem.
Cure-se vá, que já enjoa, credo

Chris disse...

Que não é homem já eu sei há muito tempo! Não passa dum ser primário, armado em equilibrista de elástico, sempre à procura da próxima dissimulação. Cure-se, pois a infidelidade é uma doença grave da qual não padeço. Cresça, pois ser ridículo mata!
Chris

Anónimo disse...

A senhora nem sabe quem eu sou, como pode falar dessas coisas?? realmente anda alucinada e com uma esperança pateta que eu seja quem quer e não quem sou. Confirma-se o seu estado psicótico porque, até aqui, perde a noção de realidade e vive num mundo só seu, de ilusão, de mentira, de psicose, de loucura. Tenho pena de si, mas mais ainda daqueles que são prejudicados por si...