terça-feira, 31 de março de 2009

Até quando?




Hoje não me apetece escrever neste espaço público, a escrita desagua no local certo, águas privadas que não irei revelar... aqui.

O Deus da Crueldade entrou em movimento retrógrado, com Urano trígono a Urano:
conseguirá olhar dentro do seu próprio olhar? Talvez…

Urano Trígono Urano -
final de Março 2009 até final de Fevereiro 2010:
a mente cósmica superior procura a triangulação perfeita na sua própria mente superior. A aprovação dos outros é pouco… muito pouco, para quem quer mais (mais demais!). Poderá ser o momento de abandonar aquilo que já não lhe apetece fazer.
(senhoras idosas em cadeiras de praia, para os lados de Viana do Castelo, com aqueles foguetes estridentes... confessou-me no final do Verão de 2004…)
O momento certo aproxima-se. Urano trígono a Urano.
Os rapazotes com jarros de vinho tinto, o cheiro a suor do povo, aquele espectáculo primário, sem sofás de pele fina, meras cadeiras de plástico barato...
Urano propõe, desafia a mente superior…

Encontrar a conjugação perfeita com outro ser, recomeça (eterno recomeçar da espiral secreta!) a ser, outra vez, possível… perto do quarto azul que ficou desarrumado por uma energia externa, que regressou no momento errado.
Este tempo é nosso, espaço onde desafiamos as palavras e o papel, figurantes como adereços vivos, como a funcionária da vida que voltará ao seu destino, muito para além do Norte, não que tenha culpa, mas, por que esse é o presságio, mais que adágio do “Momento Certo”…



Dormem entre nós dores que não
conheces. Adormeceste primeiro –
e o meu passado é um relógio antigo
que arrelia o silêncio. Se me tivesses

dito o teu nome quando chegaste,
podias fazer já parte destas memórias.



Maria do Rosário Pedreira, in “Nenhum Nome Depois” [2004](*)


(*) um dos livros que nos marcou... agora, começamos a saber porquê...


Imagem 1 e 2: Sonhos e romances premonitórios...

domingo, 29 de março de 2009

Há vinte anos...




Hoje, agradeço à vida, fui feliz nos anos 80 e 90, tanta coisa aconteceu, amada, desejada, mera ilusão, fuga do meu coração...
Tempos de efusiva explosão epidérmica, tempos em que senti o mundo a meus pés…
Tempos em que trabalhei para o “Augustus” em campanhas publicitárias em finais dos anos 80, tempos em que fui “Miss Hoya”, multinacional onde trabalhei no inicio da década de 90… como se o mundo fosse meu… foi bom ter pouco mais que 20 anos…

O fotógrafo que conheci, através do qual conheci o homem com quem partilhei mais de 17 anos da minha vida…
Obrigado...

O meu 1 m.58 cm. nunca me abriu as portas para os desfiles que assisti nesses tempos, com aquelas mulheres intermináveis em altura, mas parcas em profundidade, como me disse um grande costureiro no inicio dos anos 90… fiquei-me pelo meu rosto, o meu olhar, parte do meu corpo...

Talvez hoje seja anã para alguém (rio-me e choro-me por dentro…), mulher que denunciou como atraente (!) há dois anos nos órgãos de comunicação social (o tempo é breve nessa escrita vã…), tudo o que aconteceu foi um mero apêndice de “nós”…

Sempre foi “ele” que me seguiu há tanto tempo, sem nunca saber…
Agora sei… fui feliz, mais de duas décadas…

Há três anos, talvez velha demais, o corpo menos firme, a força inevitável da gravidade, mas a vida deu-me tudo o que sempre quis, a alma de quem sempre amei… o momento certo…

Parte do meu corpo num blogue que me denunciou num grito declamado, inesperado, na pinha do pinhal dos medos, atirada a preceito, com medo de magoar, quem sempre amei…

Talvez devesse ter atirado com força, a magoar, a triturar o olhar do homem de todos os meus sonhos… atirei-lhe a pinha devagarinho, com medo de o magoar, a dor e a raiva anulavam-me por dentro…

Nunca ninguém saberá o que senti nessa noite de Janeiro…

Mas a vida, a sobre-vida continua…

O que os outros pensam, julgam, conjecturam, deixou de passar por mim…

Meros formalismos de sobrevivência, movo-me na substância que resta de mim…

Inocentes vivemos uma noite de paixão…
Condenados ficaremos até o momento certo…


Voltaremos… a nós… velhos, enrugados, cheios de cabelos brancos… nada disso revela face à dimensão deste Amor… que reencontrei…

No final dos anos 80, lia Rimbaud por fora, hoje leio-o por dentro…
Se voltasse a ter 20 anos e saber o que sei hoje…
A vida é assim, por isso, vale a pena tentar e continuar… o exercício da pena…


FLORES

Desde um degrau de ouro, - entre os cordões de seda, o tule cinzento, os veludos verdes e os globos de cristal que enegrecem como bronze ao sol – vejo a digital abrir-se num tapete de filigranas de prata, de olhos e de cabelos.
Peças de ouro amarelo espalhadas pela ágata, pilares de acaju suportando uma cúpula de esmeraldas, festões de cetim branco e de rubi rodeiam a rosa de água.
Como deuses de olhos azuis enormes e de formas de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore a multidão das jovens e fortes rosas.


Rimbaud, “Iluminações uma cerveja no inferno”, poeta francês [1854-1891]


Foto 1, 2 e 3: há vinte anos...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ostracismo?




Serei ostra curada? Só uma ostra ferida produz pérolas, como feridas curadas, fruto da dor, do golpe certeiro, deferido com mestria, sem qualquer condescendência... o processo começou assim, e depois...

… os acontecimentos sucederam-se, como gotas dançantes de chuva mergulhadas no crepitar dum fogo interno e eterno que nunca se apagou...

… que cresce agora, em cada momento na ausência presente de quem sempre amámos, pois nunca se deixa de amar quem sempre se amou… (misturar o tempo, mera abstracção verbal, serei mais uma vez criticada?)

É assim, é simples para quem quiser entender. No início sentia-me uma personagem no centro da arena, envolvida, às vezes perdida, confesso, mas hoje entendo que existe uma razão, aos poucos revelada, para a mais estranha experiência que a vida me (nos) guardou, como um segredo de luz aos poucos a abrir, na madrugada ainda nocturna. Hoje, escreve para mim, só para mim, rios e rios de palavras, onde tenta escamotear todo o sentimento. É trapezista na destreza das palavras, na forma ardilosa com que tenta refugiar-se na eterna terra que ambos conhecemos, agora diz que escrever se tornou um vício... Há muito tempo que tinha essa doença benévola sem a consciência revisitada na marca da água do tempo, antes do romance premonitório que rasgou por medo, finalmente assume-o perante todos, não o romance (lá chegará, nesta vida???), mas o vício em forma de endosso estruturante.

Assistir de dentro para fora, já não de fora para dentro, como um filme que reconheço: as palavras que escreverá de seguida, o próximo passo, o gesto por cumprir, o olhar suspenso numa pena já conhecida… A concretização “do truque da fiel infidelidade da arte” que inunda as folhas em branco, o rio nunca se engana no seu curso até ao mar, por mais que alguém tente escrevinhar o seu desaguar na nascente, um rio que nunca lhe pertenceu, pois o “Amor Não São Dois, é UNO”, e assim continuarei a escrever, pois nem sempre temos que estar de acordo com as leis escritas pelos homens, sejam elas gramaticais ou de outra índole, de concordância entre o substantivo e o tempo verbal, neste caso o substantivo nasce da multiplicidade, para se concretizar na unidade. Gosto de escrever pelos poros do sentir, filtrados pela liberdade da mente superior, longe da prisão métrica das regras impostas, as palavras não têm que ser retratos fidedignos daquilo a que chamamos real... mas "ele" é quase perfeito, anjo em ascensão, Deus cruel ascenso, que tudo fez para me matar, para se matar... valeu a pena da pena...

Nem tudo o que aprendi na escola está certo, como a “Portuguesa”, mais conhecida pelo Hino Nacional que tinha que cantar no externato particular onde fiz a escola primária, com aquela bata “bordeaux” que detestava. Segui o ensino secundário público, não sendo essa a vontade concordante dos meus pais, pois um deles queria que seguisse os estudos num colégio religioso, o que felizmente não aconteceu. Fez-me bem, aqueles anos no ensino público, onde tomei contacto com uma realidade que desconhecia. Até aos doze anos vivi nessa redoma, puro ideal... Só regressei ao ensino privado, muito mais tarde, quando me faltou 0,1 décima para entrar no curso superior que queria seguir. Curioso, logo no primeiro ano da faculdade, em direito constitucional com o Prof. Gomes Canotilho (sempre à 2ª feira, vindo directamente da cidade dos estudantes), voltou a “Portuguesa”, já não para cantar, mas para aprender os símbolos nacionais consagrados constitucionalmente (artº 11º – C.R.P.).

Existem questões que não têm forçosamente de ter um sentido lógico e imediato, por isso, continuarei a dizer e a escrever: “O Amor não são dois, é UNO”, sabendo que alguém devora o que escrevo, seria bom que aceitasse o que sinto, pois já aceitei a sua incapacidade (temporária?) de amar, dança beduína a que se entregou.

Escrever, reescrever, inscrever a imperfeição das palavras… pois se a indiferença mata, as largas centenas de páginas que escreve para mim (dirá: num sentido invertido…) revelam o molde criativo esculpido na pedra, que serve de suporte a essa construção em desconstrução.

Não fui mais uma ostra, muito menos avestruz, como queria que fosse, uma daquelas mentiras que carrega às costas. Por vezes, dizia: "...uma das últimas que andou por aí...", não sabendo já o nome da dita passageira, sem paragem certa...
Se a “crustácea” quase o matou, eu passei o quase… faltou pouco, mas a raiva é um apêndice do Amor… ódio nunca senti e não sei o que é, raiva sim, até queimar na fogueira onde ardi (será que ainda sonha comigo em chamas?) num fogo primordial, espelho de si próprio… Toda a simbologia que o fogo encerra, os seus arquétipos teóricos, a atracção entre o fogo e a água como opostos na mesma integração…

Como dizia Yung: "O sonho chega como a expressão de um involuntário processo psíquico inconsciente, além do controle da mente consciente. Mostra a verdade interior e a realidade do paciente como efectivamente ela é: não como eu conjecturo que seja e não como ele gostaria que fosse, mas como é."


O Chamamento

representação no palco das noites
vigilância dos corpos…
imagens reflectidas trilhadas no estrado das sílabas encobertas

degola a sede na sombra das lágrimas por semear,
em rasgos que vais abrindo nos lábios secos…

imagina que tudo isto, se esconderá no estorvo dos sentimentos,
curvo-me pela presença do papel embaciado pela tua boca,
na insónia saborosa das histórias por escrever

a estátua no fundo da rua como poiso obrigatório do desabafo…

lamento do imponente farol sem fios de luz…



Nuno Albuquerque Vaz, in "Um Cão que Vagueia por uma Cidade sem Postes” [2006]

quinta-feira, 19 de março de 2009

A Perplexidade de Cassandra.




Existem momentos recorrentes que fazem sentido, como a conversa que hoje tive com alguém, a lembrança do ano de 1989, a entrada na faculdade de Direito, depois a paragem durante uns anos para abraçar outros projectos, o regresso em meados da década de 90… a minha eterna “perplexidade de Cassandra”, tese de doutoramento da Profª Teresa Beleza que li entre os meandros e os meados dos anos 90… Hoje, voltei a abrir o referido livro, há muito adormecido numa das minhas estantes, está um pouco amarelecido, com as minhas anotações desse tempo, volta a estar actual e há uma razão...


“Não me parece que o interesse de uma análise feminista do Direito Penal ou outro, seja principalmente, o de uma – denúncia indignada -, embora julgue compreensível que essa seja uma fase inevitável.
Mais interessante e importante, para mim, será observar como as mulheres (e homens) são construídas nesse discurso. Mas é claro que essa denúncia é um momento – talvez necessariamente o primeiro – da observação dessa construção; por outras palavras: dessa desconstrução.”


Maria Teresa Beleza, in "Mulheres, Direito, Crime ou a Perplexidade de Cassandra" [1990]


Hoje, mais que perplexa estou profundamente indignada, mas o momento certo chegará em que poderei cortar a direito… para o outro lado, como diz a canção. Estou cheia de hipocrisias e de romarias, de "homenzinhos" de avental, e não pensem que estou a referir-me a "Ele", pois ele é um Anjo Cruel em ascensão, estou falar dum certo "funcionalismo público" hierarquizado, mais ou menos dependente.
Talvez, por isso vou transcrever um texto do Dr. José Maria Martins, pois há uma razão a aguardar o momento certo…


“A ditadura da Maçonaria"

Portugal está nas mãos da máfia maçónica.
A Maçonaria está a estrangular Portugal.
Portugal está num beco sem saída. Vivemos na miséria. Económica, social, política.
Somos os últimos na União Europeia e a mim tão situação causa-me náuseas.
Detesto ser o último e não admito que Portugal, o País que eu amo, seja a cloaca da Europa.
Hoje em Portugal para se ter um emprego é necessário ser da maçonaria.
A Maçonaria e o seu ritual - ridículo - do avental, de homens com avental a agirem como se vivêssemos na idade das trevas, é hoje o maior centro de emprego político que há. De tráfico de influências.
A Maçonaria domina tudo, tudo protege.
Meia dúzia de espertos dominam 10 milhões!!!
Mas a maçonaria é o contrário da espiritualidade. Mesmo a maçonaria que não é ateia, não passa de centro de tráfico de influências.
Os portugueses não podem ser governados por intrujas que usam a maçonaria para traficarem influências, para fazerem negociatas de todo o tipo.
Uma cambada de incompetentes e corruptos.
Hoje os lugares políticos, os lugares de topo da administração pública, das Empresas Públicas, são reservados a maçons.
Uma ditadura.
Mas esta gente, ímpia, não temente a Deus, não pode triunfar.
Levantemo-nos contra esta vigarice, contra esta gentalha que é sumamente minoritária mas que domina o Pais, que faz todo o tipo de vigarice, que se serve do Estado, suga o Estado.
Denunciemo-los, sem temor!!!
Portugal é um Estado cristão. Vamos caçar essa gente interesseira e que abafa Portugal.
A corrupção, o tráfico de influências, as máfias, estão todas cobertas pelas maçonarias.
A porcaria em que vivemos está relacionada com os tráficos de influências, as negociatas, os esquemas, o amiguismo, a vigarice, está relacionada com a maçonaria.
Esta gente tem de ser posta no lugar.
Os portugueses, cristãos, católicos na esmagadora maioria, não podem ser esmifrados, vigarizados, pelas sociedades secretas.
Imagino juízes - que estão obrigados a julgar com imparcialidade e isenção, vestidos com aventais maçónicos, a fazerem juras de apoio a irmãos - a jurarem defender os irmãos, sabendo que por via disso não podem depois ser isentos e imparciais.
E há vários juízes em Portugal que pertencem à maçonaria.
Não admira que a Justiça Portuguesa seja a mais fraca, a menos eficiente, a que menos respeita os direitos liberdades e garantias.
Vamos denunciar isto, vamos combater isto. Sem medo, porque o Poder reside no Povo.
Portugal só avança se mudarmos a magistratura, até agora servil do Poder Político e económico.
Sei que me vão perseguir, mas quero que eles vão para o Inferno.
Quem não acredita em Deus não me merece consideração.
Hoje é o dinheiro que manda, o esquema, a cunha, a vigarice.
Que me processem, o que não é demais num Estado medieval como é Portugal.
Vamos combater a maçonaria, sem medo, em todos os domínios, em Portugal e no estrangeiro.
E eu estou disposto a tal porque para mim dinheiro não me importa, não me vendo.
Os aventais metem-me asco, nojo, não aceito sociedades secretas em Portugal, num País da União Europeia, num Estado que deve ser moderno, igualitário fraternal.
Não sou fundamentalista, aceito e respeito todas as religiões, mas não quero a maçonaria, porque não passa de um esquema, de uma agência de empregos, de cargos, de tráfico de influências.
Porque hoje deram à maçonaria um fim diferente. Antes, no Século XVIII e XIX a maçonaria era uma coisa diferente. Era a oposição ao "ancient regime", lutava pela liberdade, igualdade, fraternidade.
Hoje a maçonaria não passa de uma seita que domina o Estado, mata a democracia, uma agência de empregos, de tráfico de influências.
Perdeu os valores como parâmetro de actuação.
Contém comigo para essa missão.
Por Portugal e pelos Portugueses.
Contra a máfia.

José Maria Martins, 6 de Julho de 2007

www.josemariamartins.blogspot.com

terça-feira, 17 de março de 2009

A inteligência do Coração.




A observação do quotidiano social devolve-me a bravura das questões onde procuro um suporte de entendimento nessa esfera, no regresso ao fogo brando de mim, já com o meu Plutão regenerado (foi uma dura batalha...) e com o meu Urano a iniciar a sua grande demanda. A forma de expansão da intuição cada vez mais apurada, como instantâneos flash's ao estilo “Polaroid”, sempre tendo presente o olhar dum Deus reencontrado, onde impera a crueldade condicionada pelo medo de amar.

A evidência interior a que chamamos intuição, a vidência que nasce de dentro, o caminhar sempre na ascensão uma oitava acima: na cor, no som, no movimento, no ritmo…

Entender os crivos onde a fonte da crueldade nasce, o que leva um ser a exaltar todas as leis de transferência para terceiros, evadir-se nesse paradoxo entre a indulgência uraniana e a rigidez mercuriana, longe da inteligência emocional. O silêncio é sinónimo de resistência, talvez estupidez, timidez, alguma vez…

O que leva um homem a socorrer-se dum outro ser distante que nada sabe, como forma de encobrir a verdade - a sua verdade, num caminho de inversão do sentido certo, estranha ascensão em segredo, refinada com opressões aparentes em plena fuga de si, tentativa sacrossanta na espera de alguém que já chegou...

A cobardia é ir contra o apelo de Urano, é a transferência para terceiros, o “passar a bola”, é a forma infiel de caminhar na direcção da mente cósmica.

Alguém continua a rejeitar o desafio que Urano lhe propõe, a arte não evolui pois Urano (24º câncer) está conjunto a Mercúrio (21º câncer), na casa VII. Essa conjunção atrasa a evolução criativa, a mente superior encontra-se refém dessa união impossível com Mercúrio (mente inferior, analítica). Grandes músicos escreveram verdadeiras obras sem saberem uma nota de música… isso é Urano…
Alguém continua a pensar que harmonia e equilíbrio são sinónimos, mas não são. A harmonia encontra-se em Urano, o equilíbrio em Mercúrio.

Vale a pena (a eterna pena…) ler algumas coisas da psicoterapeuta Isabelle Filliozat e entender que existe uma outra forma de inteligência que é emocional e uraniana, talvez a inteligência que moverá a Humanidade num futuro (espero que próximo), muito para além da inteligência lógica e mercuriana.

Mais do que ler e escrever em jornais desportivos e andar por aí a perder tempo a debitar cantilenas para seres primários, em terras e armazéns perdidos no mapa, deveria ler “A Inteligência do Coração” da referida autora, da qual transcrevo algumas ideias fulgurantes para a nova era, que já chegou para alguns:


"As emoções reorganizam a memória… Quanto mais as nossas emoções são conscientes, mais liberdade ganhamos na nossa existência.
Emoções e sentimentos mantém relações estreitas. As emoções são biológicas, pulsionais. Os sentimentos são elaborações ditas secundárias porque são mentalizadas.
O silêncio é mais traumatizante do que a dor partilhada.
A única maneira de não transmitir aos outros as nossas frustrações, raivas, terrores ou desesperos, é partilhá-los!

O perdão passa pela expressão do sofrimento e pela afirmação da raiva."



Vale a pena ler este livro, vale a pena acordar as memórias, vale a pena pensar na substância essencial, deixar de deambular na trama das teias formais elaboradas pelo pensamento analítico, por Mercúrio.

Finalmente, vale a pena redescobrir o Museu do Prado em Madrid. Deixar a alma integrar a desintegração perfeita da arte, entender que os magistrais pintores como El Greco, Rubens, Goya, Rembrandt e Velázquez tinham uranos à solta, em direcção ao infinito.

A arte foi a melhor terapia que encontrei face aos rostos mutáveis e mercurianos do “Deus da Crueldade”. O rosto que mudou o "modus faciendi" por negação dele próprio, aceitando a premonição imposta há muitas vidas.

Como pode alguém seguir em frente, abrir o verdadeiro momento a seguir nesta tensão kármica entre Urano e Mercúrio? É Urano que vai à frente a 24º em direcção à casa VIII (escorpião), intuir o sagrado numa arte que está estagnada mas que tem tudo para evoluir, essa é a proposta de resolução dum karma específico.

Vale sempre a pena, a eterna pena... Uraniana.

Todos os caminhos alegóricos começam na iniciação do aprendiz, até ao reinício do Mestre. As notas da pauta e as cores da tela repetem-se sem se repetirem, sempre uma oitava acima. Provavelmente na passagem do ciclo dos 56 anos (ciclos de Saturno), alguém ascenderá na arte, quando perceber que é assim... É como o momento certo, não se arquitecta duma forma mercuriana, acontece na verdadeira evolução uraniana.


Imagem 1: Depois da reprodução neste meu recanto da obra "Vénus e Adónis" [1635] de RUBENS, cujo original se encontra no Museu Metropolitano em Nova Iorque (talvez no próximo Outono, vá até lá...), vale a pena assistir ao vivo à obra "O Jardim do Amor" [1625] - no Museu do Prado.

Imagem 2: Entre Urano a 24º de câncer e Mercúrio a 21º de câncer, na casa VII. Os estudos da casa onde se encontra Plutão prosseguem: entre a casa VII e a casa VIII, qual delas será???

Imagem 3: Capa do livro de Isabelle Filliozat - "A Inteligência do Coração". [1997]

segunda-feira, 9 de março de 2009

Três Anos Depois.




O acto da escrita, a conjugação dos símbolos a que chamamos palavras, nunca revelará as formas mais estranhas de sentir, meras aproximações ao mais obscuro continente denominado Amor. As palavras circulam por dentro de espirais que só eu conheço, de oceanos infinitos. Amar desmesuradamente, talvez este seja o Amor que reencontrei da forma mais dolorosa… mas valeu a pena, a pena de nós...

Ninguém sabe, nunca ninguém saberá os estranhos desertos que atravessei nestes últimos três anos, a esta hora o mundo era perfeito, o real no pretérito mais que perfeito...

A premonição aconteceu naquela estranha noite de Março, sabendo pelo sentir que sete dias e sete noites depois, seria alvo da maior traição de que há memória na história da Humanidade. Os momentos, as palavras, as revelações, os momentos nossos, os olhares, as entregas, voltar a acreditar que a vida é um momento simples e breve…

Hoje, as palavras são meras sibilas reencontradas, profetizas dum continente dilacerado pela fuga dum Amor intemporal, sem momentos certos ou incertos, um Amor do qual fugi todas as vidas que já vivi, por medo (um dos três nós existenciais), o mesmo que lhe passei directa e duma forma contornada pelos anjos, telepatia esculpida na energia cósmica.

As palavras são imperfeitas…



Espias-me,
tua ambição, minha piada,
rio-me de ti, à gargalhada

és o teu próprio espectáculo
a caixa de sofrimento
em pose de receptáculo,
que iça a minha bandeira
não o Fellini do meu tormento,
mas a Duncan da minha brincadeira

bebo a ti, vítima
numa folha íntima
fêmeas na falácia
ato
desato e
resgato
mulheres da Trácia

doo-te e tu devoras-me


Autor Desconhecido [2006]


******************************************

Olhas-me,
tua dúvida, minha certeza
deste azul, quase turquesa

és a tua própria cruzada
timoneiro à solta
sem pose estudada,
que busca a liberdade
não o esquecimento celebrado,
mas o tempo certo encontrado

sigo-te, prisioneiro
na tua arte em cativeiro
voz e luz de farol
crias
descrias e
recrias
luas sem Sol

integro-te e tu libertas-me


Chris [2006]

sábado, 7 de março de 2009

Quase três anos depois.




A pena do Amor desmedido, a pena que "ele" me impôs nesta distância absurda, neste tempo em que cada segundo retoma o curso certo das águas, onde o fogo crepita na nossa fogueira nunca extinta, como no sonho denunciado por confissão pública.
O culto do Fogo, os ensinamentos de JUNG que lhe faltam aprender, pois ninguém se torna "Mestre" com vagos conceitos superficiais de motores de busca na internet, é preciso ler as obras, mergulhar na sapiência de muitas vidas, de sentir a liturgia depois da dor, de reconhecer a serra lunar, de entender o tenor duma nova voz consciente, de já não ligar ao facto de estar vivo...

A ascensão que nos foi proposta nestes três anos, irradia duma fonte, talvez ancestral, talvez adormecida em nós: "A dança de dois adormecidos, actores no mesmo palco".

Musa denunciada, como inversão do tempo certo. O que irá acontecer quando o jogo da sedução recomeçar? Não precisas dizer nada, as pedras ainda guardam os sons estridentes a arderem na noite reencarnada.
Não precisas dizer nada... O tempo sabe de nós...


Não Precisas Dizer Nada

Deixa que o sol bata nas rochas
e as folhas se transformem
numa cama de verão

Digamos que é para isso
que servem as árvores

Aproxima-te da água
e canta a lira que trazes
sob os cabelos de carvão brilhante

Aponta com o teu dedo fino
onde mora o último sinal de vida
onde reside a esperança
para amanhã

E depois anda tocar nos livros
folhear os poemas de Rilke à sombra
da casa lendo alto os versos mais suaves
para despertar as flores

Não precisas dizer nada meu amor
ainda temos a noite
para construir


José António Gonçalves, in "As Sombras no Arvoredo" [2004]


Foto 1: Tela a óleo de Pieter Pauwel Rubens: "The Tree Crosses" [1620]

Foto 2: Espada... (sei onde está, depois do "outro irmão", abandono da Quinta há dez anos, onde muitas coisas aconteceram, o tempo ainda não [re]encontrado...)

Foto 3: Iniciação prometida, quase três anos depois...

terça-feira, 3 de março de 2009

Ainda Adónis...




O mito grego de Adónis, condensa uma série de vertentes do pensamento, de mitigadas correntes filosóficas, nuances de diversas teorias interpretativas, desmontagem do mito no seu tempo, na própria inexistência do tempo e do momento, sempre imortalizado na sua concepção que molda o pensamento e a evolução da humanidade.

Adónis nasceu dum relacionamento incestuoso entre Ciniras (rei da Assíria) e a sua filha Mirra. Existia uma competição entre a beleza de Mirra e Afrodite, sendo esta última a consagração mítica da mesma. Quando o rei da Assíria descobriu que tinha sido enganado pela própria filha, ameaçou esta de morte. Mirra pediu ajuda aos deuses que a transformaram numa árvore, de cuja casca nasceu Adónis.

Adónis era uma exímio caçador… Vénus apaixonou-se por este, mas Marte não aceitou essa paixão por parte da sua amada. Marte (deus da guerra) assumiu a forma de um javali enraivecido, matando Adónis. A metamorfose de Vénus em anémona, foi uma forma que esta encontrou de permanecer junto do seu amado, sem ser reconhecida.

A descida de Adónis ao reino de Plutão (Hades), onde a esposa deste, Persófone, também se apaixonou por Adónis, tornando-se assim rival de Vénus.

Júpiter (Zeus: Deus dos Deuses) acedeu ao pedido de Vénus, restituindo a vida a Adónis, mas Persófone não o deixou partir do inferno. O concilio dos Deuses (espécie de Tribunal mitológico), determinou que Adónis passasse seis meses com Vénus e os restantes seis com Persófone. A paixão desmedida de Vénus por Adónis, levou a que esta não cumprisse a referida ordem, provocando acesas querelas entre as duas deusas, o que determinou a intervenção Júpiter. Assim, Adónis passava quatro meses com cada uma das deusas, e os quatro meses remanescentes ficaria livre (!) das deusas…

A passagem de Adónis por cada uma das deusas também representa os ciclos da natureza, como outros ritos simbólicos: passagem da noite ao dia, das trevas à luz, do Inverno à Primavera, da Lua ao Sol, do amor desmedido ao amor controlado (?), da morte e da vida...
Adónis é também uma divindade do mundo vegetal (uma noite encontrei-o a conversar com uma palmeira, facto que há uns três anos me confidenciou, ser sua ouvinte ancestral).

Desde o século V a.C., que começaram a realizar-se em diversas cidades gregas, rituais e cerimónias recordando o trágico desaparecimento de Adónis, nos quais as mulheres plantavam sementes de diversas plantas, em recipientes denominados “Jardins de Adónis”. Das diversas flores reinavam as rosas, tingidas de vermelho pelo sangue derramado por Vénus (Afrodite), no momento em que tentou socorrer o seu amado, e as anémonas nascidas do sangue de Adónis. (De todos os nomes que já me chamou, fui contemplada como um troféu errante, de aracnídeo e de anémona metamorfoseada...)

Esta é uma das versões do mito, existindo outras interpretações, como tudo na vida…

*****************************************************

Março… Marte… Inicio…
Mês do nascimento de Jesus Cristo…
Mês de grandes revelações…
Mês das grandes iniciações…

Marte é o desejo que não segura a unidade do tempo.
Marte não aceita a ordem cósmica.


Marte a 25º de Sagitário, na Casa XII (Água).
Marte a 21º de Virgem, na Casa V (Fogo).


*****************************************************

If women could be fair and yet not fond,
Or that their love were firm not fickle, still,
I would not marvel that they make men bond,
By service long to purchase their good will,
But when I see how frail those creatures are,
I muse that men forget themselves so far.

To mark the choice they make, and how they change,
How oft from Phoebus do, they flee to Pan,
Unsettled still like haggards wild they range,
These gentle birds that fly from' man to man,
Who would not scorn and shake them from the fist
And let them fly, fair fools, which way they list?

Yet for disport we fawn and flatter both,
To pass the time when nothing else can please,
And train them to our lure with subtle oath,
Till, weary of their wiles, ourselves we ease;
And then we say, when we their fancy try,
To play with fools, Oh what a fool was I.


- parte do poema "Vénus e Adónis" [1593], de:

William Shakespeare: poeta e dramaturgo britânico [1564-1616]


Uma das supostas citações que prefiro de Shakespeare:

"Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia."

Será??? Como pode a harmonia ficar embriagada???



Imagem 1:Tela a óleo de Pieter Pauwel Rubens: "Vénus e Adónis" [1635]
Pintor flamenco-maneirista [Siégen-1577 / Antuérpia-1640]

Imagem 2: Marte a 25º de Sagitário, na Casa XII (Água).

Imagem 3: Marte a 21º de Virgem, na Casa V (Fogo).