domingo, 1 de fevereiro de 2009

O meu refúgio solarengo em noite de temporal.




Esta noite sinto-me refugiada do temporal que tem avassalado o sol, as saudades que tenho da luz esquecida, agora vertida nas nuvens negras e tenebrosas da crueldade.

Vivemos ambos um exílio forçado, por terceiras forças que nos separaram mais uma vez, mas esta foi a última vez, reaprendemos agora o novo caminho que nos espera, longe da realidade ficcionada e da presciência narrativa conspirada.

Este espaço que criei, com os meus rudimentares conhecimentos de informática, teve no seu inicio há pouco mais de um ano, a simples publicação de alguns poemas, desde Natália Correia a Rimbaud, passando por David Mourão-Ferreira a Léo Ferré e umas breves passagens da minha autoria, sem qualquer importância, pois escrever e pintar são meros exercícios de prazer que pratico há muito tempo. Escrevo para mim, sem pretensões a nada, e isso basta-me. O ano passado comecei a publicar alguns textos, meros ensaios entre o pessoal e o social, desde a astrologia até à justiça, passando por uma história de amor que está por entender… ainda.

Não tornei este blogue de acesso restrito, pois nada tenho a esconder, ao contrário de algumas pessoas que me escrevem, tentando pontes entre a hipocrisia e o cinismo, só com a intenção de farejar caminhos caninos que não partilho. Sempre tive uma vida recatada, pois sempre foi assim que quis viver, até ao momento em que alguém (talvez, em comparticipação) orquestrou contra a minha vida, uma estranha melodia cabalística, um complô composto para testar os meus limites, que como a história de amor, ainda hoje está por esclarecer.

Já aqui escrevi esta expressão, proferida por alguém há uns vinte e seis anos: “A água lavada leva tudo à frente.” Este tem sido o sentido da minha vida, e assim continuará.
Acredito no poder superior do Universo que pode conter a noção de Deus ou não, consoante sejam crentes ou ateus. Pessoalmente, acredito que Deus é o Velho Mestre que vive dentro de cada um, mas nem todos têm esse nível de consciência. Precisamos de muitas vidas, muito sofrimento, não numa atitude masoquista, mas numa ascensão pela dor, pois toda a dor nasce do Amor...
Vale sempre a pena esse processo de elevação para outros níveis de consciência, onde só o Amor desmedido vale e pena... e é o Amor.

Não acredito em mezinhas, minhoquices, idiotices e muito menos em macumbas. Todas essas questões são frutos ressequidos de mentes atrofiadas.
Acredito no poder do Amor e na sua capacidade de redenção. Por o ter conhecido, por o ter tocado com a minha alma, por lhe ter confiado os meus segredos, ele traiu-me. Terá de existir uma razão? Talvez não exista no plano físico, psíquico, talvez exista no plano espiritual… Será que o fez, para saber se eu era “ela”? Tem de existir uma razão para esta traição…

Procuro dentro de mim o meu lado místico, que é diferente da vertente ocultista que as ditas sociedades secretas praticam. Será que nem todos podem ser obreiros e oleiros do barro com que se molda o nascimento duma nova consciência mundial? Existem pântanos onde só mentes deturpadas, tentam uma forma mais sublime de conspiração interna que desliza sub-repticiamente, nas esferas dominantes da sociedade. Até quando?

Muita coisa foi dita esta semana, nos meandros pouco definidos entre a justiça e a política. Concluo, com um agradecimento especial ao meu antigo (mas sempre jovem nas suas ideias) professor de Teoria Geral do Direito Civil, quando referiu que todos são iguais perante a lei e que ninguém pode estar acima dela, mesmo tratando-se de figuras públicas. Não foi em vão a sua afirmação! Estou a falar do Dr. Pinto Monteiro, para que não subsistam dúvidas.

E por hoje, fico a olhar o vendaval lá fora… mas não dentro de mim.

Entre a poesia e uma disposição legal do código penal, opto pela segunda nesta noite invernosa, porque será? Talvez, porque não deixei de o amar, nesta inversão do tempo certo… Revelação pública duma história de amor invertida, cuja matéria controvertida foi lapidada à imagem e semelhança duma nova forma de arte… há cinco anos estava no quarto ao lado, a outra (não a loira beirã, mas a morena insular…) foi mais uma mensageira enviada por "ele" envolta em papel de fantasia, o meu papel era simples e ainda o é… o Amor é assim.


Artº 195 (Violação de Segredo)

Quem, sem consentimento, revelar segredo alheio de que tenha tomado conhecimento em razão do seu estado, ofício, emprego, profissão ou arte é punido…

Artº 197 (Agravação)


a)…
b) Através de meio de comunicação social.



Este poderia ser mais um caminho, mas não o quero percorrer, não me interessa. Guardo a criatividade para outras paradas, onde só dois seres sem terceiros por perto, têm o direito e a obrigação moral de esclarecer toda esta trapalhada em que foram envolvidos, sem a muleta dançante e amarrotada, pois essa só procura uma parca excitação para uma ocupação insonsa. A monotonia da sua vida conduziu-a a locais que nunca irá conhecer, mas não a condeno por isso, limito-me a lamentar a sua falta de sensualidade física e intelectual.

Os protagonistas desta história de amor são dois, irradiados num único ser, a terceira assiste na primeira plateia do Coliseu recriado pelas personagens principais. Só existe uma mulher determinante na vida dele, a única que lhe mudou a vida para sempre, quase todos sabem quem é...
Não existe determinismo no amor, mas existe a liberdade aprisionada numa traição tentadora. A sedução ficou guardada na outra margem, até o momento certo que suavemente se aproxima...

Foto 1: Vista do meu refúgio solarengo...
Fotos 2 e 3: A minha eterna paixão por gatos... como foi possível tanta crueldade?

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