domingo, 11 de janeiro de 2009

Time is On My Side.























Time is on my side, escrita por Jerry Ragovoy, imortalizada em 1964 (ainda eu não tinha nascido), pelos Rolling Stones...
Saturno também já existia quando voltei aqui, vinda não sei de onde, talvez de Plutão, o planeta que mais me fascina, mas é o meu Saturno que me tem ensinado muito nos últimos tempos, pois ele é o "Senhor do Tempo". Talvez, por isso, hoje apetece-me contar uma história ligeira e pouco densa, de quem sempre foi uma pessoa normal, ao contrário do que alguém quer fazer fé, ou será crença?

Este ano que ainda agora se iniciou, já me reservou algumas surpresas: umas desagradáveis, onde a concepção da crueldade alastra como erva daninha, sabendo que a verdade nunca se engana, será uma questão de tempo, “ele” regressará da bolha de crueldade que criou para mim…
Outras surpresas agradáveis, pois é assim que devem ser. Recebi uma carta na minha antiga morada, uma casa que continua a ser da minha família, de alguém que perdeu o meu contacto, há mais de vinte e cinco anos. Não vou aqui revelar a identidade da referida pessoa, pois este espaço é lido pelos infiéis, e denunciado duma forma fascista numa instituição pública, que deixou de merecer o meu apreço. A referida pessoa, foi músico nos anos 80, era eu adolescente, tinha um namorado daqueles de café, o Beto, que já aqui referi, e a rua onde vivia respirava música. Recordo-me das noites em que as sirenes da polícia iluminavam a noite, devido às denúncias do “barulho” nocturno, eram os músicos em ensaios… Uma dessas noites, foi o meu pai (desculpa papá) que telefonou para a PSP, pois não conseguia dormir com os “batuques” a altas horas da noite. Nessa rua, existiam várias bandas da chamada música rock, uma delas eram os Tânger, os Ferro e Fogo apanhavam a camioneta em frente da minha casa e muitos outros músicos que por ali pairavam e paravam… Um deles, pelo qual tive uma ligeira paixoneta, o Beto, que fazia serenatas de viola acústica debaixo da janela do meu quarto, pois não podia sair de casa depois das vinte horas e os concertos eram quase todos à noite, ficando eu retida em casa. Eram outros tempos, mas que ficaram na memória. A carta que recebi de alguém, esta semana, revelou-me a lado bonito da vida, das amizades verdadeiras que nunca se perdem, apesar dos desencontros e caminhos diferentes que a vida tece. Lembro-me das vezes que ouvimos o lado B, dum single dos Opinião Pública, “Ela é Tua” – tantas estórias com história que sobreviveram ao tempo:
“Vê o Beto com a mota à esquina… capacete na mão, perfume no corpo… ela é tua…”

Este texto é profundamente banal, em estilo quase de pasquim, mas revela um tempo inesquecível que vivi. Talvez, a adolescência tardia tenha o seu profundo encanto, mesmo de quem me acusa, quem esqueceu um tempo que foi nosso… e voltará a ser. As raivas demorarão o tempo certo a esquivar-se, pelas asas dum Amor que nunca morrerá.

Duplo Controle

Ela tem duplo controle
Estilo para dar e vender
Um sorriso todo “pretty doll”
Na vida nada tem a perder

Nos longos corredores
Ela move-se decidida
Não quer saber de rumores
Entre a vida e a morte não hesita

Ela tem duplo controle
Sobre a vida e a morte
Ela tem duplo controle

Ela procura afeição
Vai escolhendo até encontrar
Algo para além da ocasião
Até a morte a procurar

Opinião Pública, do LP “No Sul da Europa” [1982]

Depois deste devaneio revivalista, motivado por alguém, que ao fim de tanto tempo me escreveu… não foi “ele”, foi um amigo da adolescência, desses dourados anos oitenta…
A amizade é o melhor do mundo, pois o Amor desmedido pode ser perigoso, eu que o diga...


Regressando ao estilo deste blogue, fica aqui a minha última descoberta na poesia, e também na prosa: Maria do Rosário Pedreira.

“… Eu voltando a cabeça, fingindo não o ver. Filipe, dizendo em tom de brincadeira: eu acho que a conheço de qualquer lado. Eu erguendo a cabeça, fitando-o nos olhos e respondendo: tem graça, eu não me lembro. Filipe, inconformado… atacando de novo: acho muito estranho que não se lembre, pois podia jurar que já estive na sua cama. Eu… concluindo: pois olhe, para eu não me lembrar, é porque não deve ter sido nada de especial”.

Maria do Rosário Pedreira, in “Alguns homens, duas mulheres e eu” [1993]


Foto 1: Contra- capa do single dos “Tanger” [1982]

Foto 2: O meu Saturno (o meu tempo) mergulhado a 22º em Peixes, na casa 11 (Aquário), o meu Saturno retrata a concepção que tenho do tempo…

Foto 3: Eu… talvez em 1982… talvez 15 anos…