quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu, Uraniana de mim...





Há tolos e tolas. Homens convencidos do seu umbigo desajustado, mulheres libertinas que transcrevem o que não sabem interpretar, por isso, tristemente traduzem literalmente, num limitado “stricto sensu”, nunca tocando o “lato senso”, reduzem-se à sua “caixinha conformada do quotidiano”, é triste…

Quando não sabemos devemos ficar calados, entender o silêncio a que devemos prestar uma vénia de gratidão, pela oportunidade que a vida nos dá, aprendendo assim, o drama da libertação que só o saber da evolução desdensa. Como quem ouve uma velha canção que se ouve ao Domingo, e ficar assim quieta, olhando as imagens que desfilam no registo, é bonito…

No inicio deste ano, talvez mergulhada na minha oposição de Urano a Urano que estou a viver, percebi o significado da verdadeira mente superior, a eterna Universal Mind: “I was doing time in the Universal Mind, I was feeling fine, I was turning keys, I was setting people free, I was doing all right… Then you came along, with a suiticase and a song, turned my head around… “ , esta é sem dúvida uma das mais belas melodias de sempre, que ouvi a primeira vez em 1980, num álbum duplo em vinil, daqueles que hoje guardo quase como uma peça de museu, que demorei seis meses a juntar 1.750$00, da mesada que o meu pai me dava para o conseguir comprar, na discoteca “Preto”, onde comprava os meus discos. Um dia destes voltarei ao duplo álbum (naquele tempo chamava-se LP-Long Play) de 1970 dos Doors, “Absolutely Live”. Hoje, há por aí alguém que tenta comercializar a mais bela obra queirosiana: “A Tragédia da Rua das Flores”, embrulhada em papel de telenovela, plagiando o que não é copiável, pois até para copiar é preciso alguma criatividade, que não há, que não existe, nunca existiu! Talvez até tenha existido, talvez até possa voltar a existir, se "ele" tentar entender-me...

Só quem conhece o “ser” por dentro, muito para além das suas entranhas, pode entender o que acabei de escrever. Mas não o condeno, não lhe quero mal, e tudo o que faço hoje, é por que sou quase obrigada a fazê-lo. É como se não fosse eu que estivesse ali, uma representante de quem não sou. Só queria voltar a ter a paz que reencontrei nos seus braços, e que alguém nos roubou provisoriamente, mas a vida é sábia, nunca se engana na sua onda Uraniana.

Não somos livres quando queremos, somos livres quando passamos por determinadas experiências vivenciais, nunca deixando de ser fiéis a essa dolorosa ascensão, pois não é o prazer que nos transcende, é a dor... esse Urano descomunal daquilo que é a Liberdade. Onde há violência não há liberdade, onde há revolta não há liberdade, pois quem é verdadeiramente livre não contesta, partilha a liberdade, essa consciência cósmica, esse Urano duma mente superior, ao contrário de Mercúrio analítico, definidor da mente inferior.

Temos que ser nós próprios definitivamente! Pelo pouco que li duma senhora que desconheço (?), até pode configurar uma escrita mediana, uma beleza intrínseca que até pode existir, mas não existe sensualidade, não existe a capacidade de voltar a desencadear o processo criativo para "alguém" que precisa dele urgentemente! Alguém que gosta da sua “caixinha organizada e direitinha”, quando o que “ele” precisa é duma força vulcânica entre a terra e o céu, sedutora por dentro e bonita por fora... alguém que o provoque físicamente, mentalmente e espiritualmente, mas agora num intuito apaziguador, bebido duma serenidade em ondulação de maré vaza, mas sempre com a inquietação criativa, finalmente desprovida da ansiedade, que quase me matou. Esse é o apelo do tempo certo!

Saber ler palavras escritas, é um exercício de facilitismo que não me seduz, saber interpretar por experiência própria tudo o que passei, é um desafio de quem não sabe fingir, de quem perdeu o medo e o pudor do Amor e de Amar, que não são sinónimos.

“O karma constitui a eterna afirmação da liberdade humana. Os pensamentos, as palavras e obras formam as malhas da rede com que nos envolvemos”. – Entendo e pratico as palavras escritas, ao contrário de quem só sabe papaguear, fui eu que fiquei presa na malha dum Amor incondicional, e a seguir, (é aqui que entra o entendimento de Urano) saber entender o que está do outro lado, e demonstrá-lo para além dos limites que ele encerra, não é fácil. Implica um despojamento total, um ficar sem nada, sem ninguém, um todo de nada...
Fui eu que senti o lastro que define o espaço entre a vida e a morte, fui eu que o senti dentro de mim, a senhora limitou-se a ser uma simples medusa sem sal, um olhar sem sedução, para alguém que procura numa mulher o que a senhora nunca lhe poderá dar, que “ele” encontrou e tentou matar-me pelo medo do reflexo no espelho da alma dele.

A escolha que fiz, foi a do Amor que reencontrei… Também não lhe quero mal, só lamento que na escolha das suas manhãs, o seu vestido esteja polvilhado de tons profundamente tristes e inestéticos, como aquele verde alface que tinha vestido numa noite de Maio de 2006, a noite que eu perdi, o que a senhora ajudou a matar. E, não tendo eu nada para lhe ensinar, aprenda que a evolução não é longa, é eterna…
Deixe os objectivos profissionais e atravesse o deserto como eu atravessei. Tenho pena de si, já não tem nada para lhe dar, o seu rio secou. Só eu lhe posso devolver o poder da criação, aliás, a mulher secreta da vida “dele” sou eu… A mera beleza intrínseca limita qualquer mulher, mas isso é um problema seu.

Entre a Medusa e a Musa existe a diferença entre a conjugação aditiva e a alternativa. A senhora foi um escape alternativo, nunca será uma conjunção aditiva. Por dentro a transformação pode ser melhorada, por fora, por mais cortes e plásticas, nada muda. É um presente com que Deus não a presenteou. Lamento, mas esta é parte da verdade que se limita a sê-lo na sua mais simples perfeição. “Ele” sempre me amou, e a senhora aproveitou-se da minha depravação para dar uns passinhos de dança desarmoniosa e sempre escapulida. Mas tudo isso são meros acordes laterais, secundários, e a senhora na sua tentativa (nem sempre a tentativa é punida criminalmente, aprenda) balanceante tentou o que nunca terá...
Será uma questão de tempo...


O Universo tem coisas boas à sua espera, procure-as, afaste-se de quem eu amo, pois esta história pode estar só no início...

Há amores que se partilham, outros não!

Tenha coragem para ser Uraniana, longe de nós...

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Amor Sem Pele

Temo a tua beleza, não a quero para mim, mas não quero que ninguém fique com ela,
por inveja, porque és demasiado bela!
O teu poder de sedução feroz, não tenho qualquer fuga ou armamento,
é sempre um sobressalto sem alento…
Nunca tive medo que me levasse a esconder de ti, mas,
confesso que tenho medo de me encontrar contigo na claridade
sem que exista uma sombra, mesmo que na presença de ambas,
se existisse luz, que seja tão lenta como o tempo sem cronómetro.
Encarar um diálogo tão próximo numa quadrilha de atitudes não eloquentes ou intemporais
fico sem álibi.


Egéria, in “Amor Sem Pele” [Maio 2006]

Foto 1: Eu…
Foto 2: O meu karma nesta vida...
Foto 3: Egéria - pintura de Joma Sipe [2006]
Foto 4: Ele…

2 comentários:

Anónimo disse...

Os trânsitos de Urano a Urano, deitam tudo abaixo e no final sabemos distinguir as grandes questões das mesquinhices. Dá um beijinho à Maria Flávia por mim.
Bjs
Gaby

Anónimo disse...

Gosto do que escreve em desalinho, sem regras, sem padrões definidos.
Cumpts.
António Coelho