terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Reflexões com e sem Saudade.














O eterno escritor dos afectos, do sentir feminino, da aceitação do sentir sem medos das raízes fortes, onde está cravada a fragilização humana, que acredito serem património de todos os seres, independentemente do sexo e do continente dos anjos.

Escreveu três livros que ficaram na minha memória: "Reflexões sobre Deus” (1971) e “Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança” (1982). Foram leituras inovadoras e difíceis, naqueles anos 80, onde as descobertas eram quase diárias. Mais tarde, já no inicio dos anos 90 li o romance “Os Nós e os Laços” (1985). Há pouco tempo, uma amiga minha que o conheceu de perto, falou dele… da ternura, dos gestos, do sentir… a estranha forma de sentir que os místicos partilham.

O místico acredita no caminho do coração, do sentir, para alcançar o dourado manto nupcial, que nos fala Max Heindel. O ocultista, segue o mesmo caminho, mas pela via do intelecto, da racionalidade. Sem dúvida que António Alçada Baptista foi um místico, tendo tal concepção e filosofia de vida, marcado a sua obra duma forma ímpar.

Recordarei para sempre esta frase dele: O poder é a capacidade que os homens têm de criar para os outros um destino, essa é a essência da sua perversão”.

Por vezes, o destino que encontramos é um grande Amor, talvez, só nesse caso o destino não seja perverso… ou talvez o seja, até a aceitação, não das duas partes, mas da “una” parte com que se molda o Amor…

Quando há dois meses, “alguém” tentou o que não devería ter tentado, mais uma vez, entendi, aceitei… tentei que a raiva não moldasse aquilo que é desamor. Foi a manifestação de Plutão a 24º de Leão na casa VII, mas também poderá estar na casa VIII… falta o minuto certo do nascimento, pois ter um Plutão na casa VII, ou tê-lo na casa VIII, pode ser a chave-mestra da abertura para a luz dum qualquer drama emocional, da força telúrica da terra, que é Plutão… espero que esteja na casa VII, não na casa VIII, mas poderá ser uma dúvida eterna, que só o minuto, talvez só o segundo certo da primeira respiração poderá determinar com precisão. São poucas as matrizes energéticas que deixam dúvidas, neste limite quase milimétrico, esta matriz é um desses casos. Só conhecendo muito bem o suporte físico e espiritual dessa energia (o ser, talvez humano…), se poderá saber em qual das casas está Plutão. Começo a acreditar que esteja na casa VII…

"Plutão é a recusa obstinada ao melhor que nos espera", como diz Mª Flávia de Monsaraz, que me salvou mais uma vez, naquela noite há dois meses, que poderia ter sido fatídica…
…mas acredito que o Amor reconhece aqueles que ama…

Imagem: Contra-capa de "Recados dum Mestre Interno", de
Maria Flávia de Monsaraz, por António Alçada Baptista [1927-2008]

1 comentário:

Anónimo disse...

Desconhecia o teu blogue, sempre tiveste um apurado sentido destas coisas. Pena não poderes ir ao lançamento do livro, mas sei que é por uma boa causa.
Da amiga,
MªHelena Marques