terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cristo do Garajau






Uns fazem balanços, outros balancetes, talvez baloiços e balancés, duma vida vazia de sentido, sem a revelação da intenção de estar encarnado, sem nunca entenderem a dimensão mais subtil da criação e do coração.

Final do ano a transitar para outro ano, tempo inventado pelos homens, foi um tempo que reaprendi o sentido da palavra CRUELDADE, a grande revelação que a vida me guardou, depois do amor e da dor. Há coisas que ainda não entendo, talvez já não as queira entender, como a cobardia de quem trai um grande amor, da forma mais displicente, como se duma tarefa quotidiana se tratasse. Aprendi, que o desconhecimento do amor, leva um ser às tentativas mais bizarras de desistência, esquecendo-se (pois, nunca amou ninguém...) que o Amor é eterno, não vive num tempo de disfarces, um tempo tecendo o medo desse mesmo amor, inventando reinos e feudos de impérios inexistentes, transfigurando-se em vítima da sua sombra, mergulhada numa bolha que engana o exterior, não a alma que sente. Pois, essa nunca se engana, só ela reconhce o verdadeiro amor, tudo o resto são jogos do ego, estratégias de defesa e de ataque, remoinhos de raiva, feitiços quase carnavalescos, engodos de puro engano.
Perder o medo de amar pode levar tempo, por vezes vidas, só assumi esse nó existencial, há pouco mais de dois anos, por isso, sei que leva muito tempo, tempo que agora já conheço, e ele conhece-me...

A dinâmica de qualquer fogo primordial revela-se sempre em trígonos, o fogo operativo dança nas chamas purificadoras da água, pois só ela o pode religar ao divino. Mas entre o fogo e a água existe um tempo incerto que ficou guardado. A água é o único elemento que liga a terra ao céu, esse é o meu curso natural de ascensão. Sente-se pela água, não pelo fogo, esta é a aprendizagem que ainda lhe falta fazer...

Existem locais neste pequeno planeta, profusos, profundos, onde qualquer adjectivação é mera redundância de palavras. Num desses locais mágicos, foi erguido em 1927, o Cristo do Garajau, situado na costa sul da Ilha da Madeira, mais precisamente na freguesia do Caniço de Baixo, junto a Santa Cruz. O figura do Cristo do Garajau é imponente pelo seu porte grandioso, flexível nas aves que poisam na construção de pedra intensa.

Christian Galko, um conceituado engenheiro austríaco, especialista em radioestesia, está a elaborar um estudo científico, relativo à confluência de energias que se manifestam naquele local, e a sua importância na renovação energética dos sete chakras.

A rendição dos braços abertos, o olhar erguido à imensidão do horizonte, de quem mudou para sempre essa linha, criando-lhe um lastro infinito, representa o eixo evolutivo horizontal: a linha que caminha do descendente para o ascendente, de leste para oeste. Dizem que é para oeste o melhor caminho… talvez. A linha vertical que liga a terra ao céu, representa o eixo do caminho para a luz, para a consciência, de Sul para Norte, do fundo do céu até ao meio-do-céu…
Talvez, "ele" com Saturno a três graus de Escorpião, na casa IX… no meio-do-céu…
Eu, talvez com a Lua a vinte e nove graus de Capricórnio, a entrar em Aquário, na casa IX… no meio-do-céu…

Enquanto escrevia este texto, passou numa rádio distante do outro lado do meu escritório, a notícia da ocorrência dum abalo sísmico, com a magnitude de 3,00 da escala de Richter, muito perto do Cristo do Garajau… talvez seja mais uma coincidência, para quem continua a escrever rios de palha, sem a capacidade de comunicar o seu amor, duma forma mais fidedigna, talvez ainda acredite em coincidências, eu já não acredito nelas, nas coincidências, claro…

Dos milhares de acontecimentos e descobertas, que este ano de 2008 me guardou e segredou, uma delas foi a descoberta da poesia de Maria do Rosário Pedreira, gostava de escrever assim para “ele”, mas ando a escrever outras coisas, talvez a serem reveladas em 2009...


Nunca te esqueci – é este um amor maior
que atravessa a vida e resiste à cicatriz
do tempo. O que ontem me disseste agora
o ouço, como se nada tivesse interrompido
a magia do instante em que as nossas bocas
se aguardavam na distância de um beijo e
o olhar tocava o corpo antes da mão. Se

hoje vieres por esse livro que deixaste (e cuja
lombada acariciei todos os dias que durou a tua
ausência como uma nesga de sol acaricia um
rosto no inverno), encontrarás a sopa a fumegar
na mesa, e a camisa engomada no cabide, e os
lençóis da cama imaculados, e um corpo pronto
para qualquer aventura – e ainda o cão deitado
à porta, à tua espera, como na véspera de partires.

Porque os anos não contam para quem assim ama.



Maria do Rosário Pedreira, in “O Canto do Vento nos Ciprestes” [2001]



Imagem 1 e 2: Cristo do Garajau
Imagem 3 e 4: Meio do Céu (de duas matrizes energéticas, ainda desentendidas)

2 comentários:

Anónimo disse...

Que tenhas um excelente 2009!
E parabéns por falares no teu blogue nesse local mágico.
Bj
Ana Paula

intelligence disse...

I think I come to the right place, because for a long time do not see such a good thing the!
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