terça-feira, 18 de novembro de 2008

Regressei...




Foram quase três semanas onde me reescrevi por dentro, numa viagem interna e externa, repleta de invasões e revelações. Fechei a porta ao sexto ciclo saturnino e abri a porta ao sétimo ciclo… o primeiro onde entrei com a consciência do que isto quer dizer. O mundo do sentir (aquele em que acredito) já não me chega, comecei em busca duma explicação mais racional para algo que me aconteceu há quase três semanas. Uma estrada repleta de hortenses e acácias, num caminhar quase heurístico, sem qualquer regra pré-definida.

Por mero acaso (será?) ao desfolhar um livro, encontrei o quadro que não sabia existir, a imagem que me surgia por vezes, em sonhos desde a infância. Foi como uma fonte de fogo que aconteceu por um momento, fagulhas de água resvalaram na memória…
O autor do quadro foi um pintor alemão Anton Raphael Mengs, do século XVIII, neoclássico, tendo-se dedicado muito à pintura de retratos, não tendo eu particular interesse pela pintura retratista. Procurei outros quadros do referido pintor, até aquele momento desconhecido, como se uma revelação quase mística me tivesse acontecido. Mas, provavelmente terá outra explicação para além da mística, pois começo a acreditar que estas questões estão alicerçadas em modelos matemáticos de explicação do Universo. O simples sentir e "pré-sentir"... talvez tenha profundos e simples cálculos elaborados na sua base, indecifráveis, talvez ainda por falta de conhecimento dos ditos humanos.

Nessa mesma semana, foi-me revelada mais uma peça do puzzle desta pedra angular-triangular: a vivência da casa VII é para ser vivida na casa IX. Estou a referir-me a uma matriz energética em particular, não em termos gerais. Este facto já o sabia, mas nunca tive a consciência da blindagem total dessa mesma casa IX. Foi circuitado numa outra vida, talvez essa cisão tenha sido realizada por um velho mestre espiritual, talvez ele próprio... Nesta encarnação alguém deve ter a chave para abrir a porta dessa casa IX… quem será?

O trabalho intuitivo foi uma conquista do passado, a fronteira só alcançada quando “ele” encontrar quem tem a chave para abrir essa porta. Escreveu há muito tempo, numa fase inicial mas não iniciática, um texto que mais tarde revelou como épico... o homem estava só, e nessa consciência permaneceu, pois hoje já tem consciência que é a porta da casa IX, permanecendo ela fechada, pois não é "ele" que tem a chave para a abrir... Mas ainda não chegou o momento certo, ainda está a viver o oitavo ciclo saturnino, e a casa IX pede uma oitava acima de Vénus... Neputuno.

O Sol procura um espelho, não lunar, mas venusiano… tendo como objectivo final Neptuno. Tal facto só acontecerá quando abrir o nono ciclo saturnino, ou seja depois dos 56 anos. Até lá, vai continuar a pensar que é o senhor do ego calcetado, andarilhando nas festarolas com os pândegos, numa pandilha rolante, incapaz de engendrar o seu verdadeiro caminho, que está guardado não a sete, mas a nove chaves... alguém as guardou vidas e vidas. Tudo isto é reconfirmado matricialmente duma forma quase implacável, pois Saturno (tempo) está na casa IX, quase no Meio-do-Céu... o Universo não se engana, e esta é uma prova palpável, física, duma evidêndia quase atroz. Também a crueldade tem um sentido, talvez kármico, como forma de identificação de quem guarda a chave da casa IX.

Esta história real, é como uma lavagem no rio Jordão - “noites à luz mortiça na sombra do eu” - a verdade começa a ser revelada, Jesus Cristo nunca ressuscitou, a Ressurreição diz-nos que foi ao terceiro dia…



Trajectória

Rostos de pedra.
Prescutando a névoa da esperança.
E mesmo os sorrisos mais subtis.
São um convite anuindo sujeição.
Quem irá modificar os rostos de pedra?

Humano coração.
Emergindo da estrutura
Mecânica, incondicional
Caminhando imberbe
Ao encontro da alegria.
Crónica prévia.
Controlando inédita.
A possibilidade irrevogável
Da novidade.
Desferindo
Coincidências de rotina.

Três dias divididos.

À medida que a noite se adensa.
Transparecem todos os dilemas explanados.
E caem sobre mim.
Todos os humores que enchem a noite.
Mordendo um sereno segredante azul.


Ao longe,
Depois de um dia nascer.
Flutuam gráceis cintilações
E aquelas papoilas
De um claro vermelho granada
Deram um gesto de alegria
Na estrada.

António Manuel dos Santos Fernandes, in "Pedra Angular" [2006]



Imagem 1: "Madonna and Child with two Angels", de Anton Raphael Mengs [1728-1779]

Imagem 2: Regressei...

Imagem 3: Casa IX duma matriz em particular

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