domingo, 30 de novembro de 2008

Final de Nove-embro...





O mês de Novembro, para além de ser o mês que nasci (devia ter nascido em Outubro… foram 10 meses…), foi o mês que sobrevivi a um acidente para os lados do Porto Brandão, foi o mês que tomei decisões importantes na minha vida, foi o eterno e quente mês de Novembro… o mês NOVE, não o onze segundo a medição do tempo gregoriano… o eterno retorno à unidade. Tudo tem um sentido, como o mês de Agosto, foi uma homenagem ao imperador César Augusto, sextillis, o sexto mês. O calendário Juliano, foi obra de Júlio César, em 46 a.C. Nem sempre as noções que os homens fizeram do TEMPO, ao longo do desaguar histórico coincidiu, pois o tempo, nosso eterno aliado, é uma mera abstracção, como uma pintura de Dali…

Enquanto este pequeno país deriva entre os doutos banqueiros da bancarrota, da fraude dos falsos juízes, das politiquices mal ensaboadas duns senhores que dizem umas coisas para enganar o pagode, numa espécie de dança sambista, onde o rodar ofegante e acelerado é rei e lei, eu fico refugiada em mim, à procura dele...

A lei adjectiva escrita por falsos profetas, oportunistas euro-convictos, que alastram como amebas, com tentáculos farejantes de metais cada vez mais virtuais, numa simulação bem intrincada no nosso velho código civil de 1966. Aprendi que a simulação (artigo 240º c.c.) é um vício da vontade, hoje acho piada à arquitectura elaborada por homens, sim, em 1966 não existiam mulheres legisladoras, só homens umbilicais no local errado. Ainda estamos a viver no tempo do patriarca, talvez do imperador da margem sul, que convence falsos juízes da delimitação do seu território físico… Mas a matriarca está a chegar, num sopro do vento Sul, aquele que sopra do deserto, do norte de África, aquele que não quer o silêncio da hipocrisia, aquele que procura no falso silêncio, o eco da verdade.

A tónica já corre como a água lavada, dum Amor que renasce das cinzas, em cada momento certo. A água sabe contornar as pedras, sem as magoar...

Amanhã, quem quiser olhar o firmamento, poderá ver ao lado da Lua, Vénus… uma longa história, que terá direito a honras, não militares, mas celestes. Quando a Lua está perto de Vénus, como estará amanhã a 22º de Capricórnio, em conjugação com Júpiter também a 22º, faz sentido, o que “ele” está a sentir. Como dizia, Lao Tze: “o homem verdadeiramente forte é aquele que sabe fragilizar-se”, acrescento: - é aquele que aprende o que é o Amor na inversão do tempo certo. É a aprendizagem, de Vénus a 23º de Virgem, da Lua a 26º de Virgem, na casa VIII, a casa de Escorpião. Três graus de distância, é nesse micro espaço que se descobre onde está a paixão e o Amor. A paixão é fruto duma só encarnação, o Amor é a expressão de todas as vidas já vividas… não é fácil distinguir a diferença entre a Lua e Vénus, numa casa kármica, como é a casa VIII. A dependência e a ligação são formas diferentes de sentir. Só se volta à unidade pela ligação (Vénus), não pela dependência, quase vampirística (Lua).

Nasci com a Lua a 29º de Capricórnio, quase a entrar em Aquário, na casa IX de Sagitário
… e Vénus a 27º de Escorpião, na casa VI, a casa de Virgem.

Essa distância dá-me o entendimento, que quem tem a Lua conjunta a Vénus, com três graus de diferença, na casa VIII... dificilmente, consegue ter. É uma energia a trabalhar, e sei que “ele” vai chegar a esse entendimento. A matriz de cada um revela, os aspectos que temos de trabalhar… as progressões são o termómetro do sentir. A lua progredida começa a revelar-lhe essa diferença, neste momento certo, que o céu programou para este Amor.


FERNÃO DE MAGALHÃES

No vale clareia uma fogueira.
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
Em clarões negros do vale vão
Subitamente pelas encostas,
Indo perder-se na escuridão.

De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto -
Cingi-lo, dos homens, o primeiro -
Na praia ao longe por fim sepulto.

Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
Que até ausente soube cercar
A terra inteira com seu abraço.

Violou a Terra. Mas eles não
O sabem, e dançam na solidão;
E sombras disformes e descompostas,
Indo perder-se nos horizontes,
Galgam do vale pelas encostas
Dos mudos montes.

Fernando Pessoa, [Lisboa, 13 Junho 1888- 30 Novembro 1935], in a “Mensagem” – 1934


Imagem 1: Pintura de Paulo Cardoso, ilustrando o poema VIII (casa VIII) da segunda parte da “Mensagem” – Mar Português - Fernão de Magalhães [1988]

Imagem 2: Nebulosa da Cabeça do Cavalo de Orion, “The Horsehead Nebula in Orion” - http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap081126.html

Imagem 3: Matriz energética… Vénus conjunta à Lua na casa VIII

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