quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Uma criança, como os meus gatos.





Cada vez gosto mais dos meus gatos e menos da “espécie?” humana. Não entendo a arrumação, o emparedamento do mundo do sentir, o medo de amar, que transforma a generalidade dos homens em répteis de si próprios, em funcionários disfuncionais do mundo do sentir, produto da crueldade imposta como defesa, como máscara onde se perscruta o insondável das batidas da paixão e do coração, como se a vida fosse um acto quase persecutório, sempre contra alguém, ou alguma coisa.

Depois da experiência limite que vivi nos últimos anos, depois de tudo o que aconteceu para além do sentir, deixei de acreditar nos homens… mais, muito mais (mais demais!) na humanidade na sua essência. Se a crueldade existe, será que ela opera sempre na margem da consciência? Será uma defesa cobarde para quem tem medo de sentir, de se despojar da própria vida? Poderá existir crueldade nua e crua, primária e basilar? São questões para as quais aos poucos encontro pequenas respostas, pois qualquer evidência é fugaz, e tudo pode mudar a qualquer momento, é preciso saber esperar por esse momento, talvez certo, talvez incerto…

Existem equívocos cósmicos, pois 99,9% da humanidade ainda vive na máxima de ser ou não ser, eis a questão… a vida é ser e não ser simultaneamente. Somos e não somos, o outro lado do espelho reflecte a imagem para além da consciência de nós próprios. No outro dia, um dos meus gatos escapou-se para um dos meus quartos, onde tenho um armário espelhado, ficando a olhar para a sua imagem reflectida no espelho. São estes pequenos exemplos que nos ensinam os grandes estandartes que povoam esta coisa que chamam vida… Nem a lição das formigas no alguidar com água lhe deram o ensinamento, por isso, continuará contra mim, da forma mais cruel.

A algumas semanas de completar mais um ciclo de Saturno (ciclos de 7 anos), começo a entender que este sexto ciclo foi aquele onde a ampliação da consciência, quase sempre, dolorosa, pois toda a dor tem um sentido… onde reequacionei quase tudo, e percebi que a crueldade só é maléfica para quem a pratica, não para os alvos do agente da mesma, pois quando nos pacificamos perante a vida e o mundo, já nada disso faz sentido.

A compartimentação mental da generalidade das pessoas, subjuga-as às grades duma estagnação das suas próprias águas… Não é um mero acaso, não é coincidência (não acredito nelas) que o eixo de evolução vai de água para terra… por exemplo, de Câncer para Capricórnio ou de Escorpião para Touro…

Amar é sentir a Alma, não a alma vedada em heresias, mas a alma flutuante da intenção divina do Universo.

Hoje tenho pena de alguém… pela pequenez, pela estupidez recortada, dissimulada… a consternação que vive todos os dias, do passado que rejeita, das outras vidas de que não quer falar, mas que conheço (só eu sei onde me levou a única regressão que fiz há 4 meses), agora entendo, as noites sentados no sofá, os livros expostos na mesa em frente eram os mesmos que eu andava a ler, não foi por acaso… As palhaçadas ditas nos jornais e revistas, não passaram do festim vestido de chita e ganga barata, dos pasquins populares onde deambula o outro lado de Homero, Platão, Gil Vicente, Eça e Baudelaire… que ando a reler. Quando os li a primeira vez há vinte e muitos anos, muitas coisas me escaparam… como será lê-los aos 60 e aos 80 anos… ele pensa que se escapou… quando foge não é de mim, é dele próprio…

Perdi o medo da própria morte, às vezes, penso que já morri… frase solta no meio das palavras, terá o sentido e o estilo que eu lhe quiser dar…

Não me matas-te, por isso fiquei aqui, à tua espera, da forma mais cruel que alguma vez os homens inventaram. No dia que um homem sentir um coração a bater no baixo ventre, todas as guerras no mundo findarão… os homens vivem longe do mundo do sentir, observam à distância a vida acontecer.

Hoje no regresso a casa, no leitor do cd rodava o Zeca… "Maria Faia", Elis Regina e um dos cd’s que anda sempre no meu carro: “Trampin”, claro da Patti… 2004… estavas nos meus braços, doentinho, cheio de febre, a beber chá de casca de cebola… continuas um bebé…

Fico espantada com os teus amigos, supostos escritores ou poetas, que me enviam mail’s onde não sabem distinguir o “à” do “há”…
Há… tanto tempo… metes dó… sol… si…
Lê as partituras e aprende…

A pedido de algumas pessoas, vou tornar este blogue um pouco mais jurídico-social, pois parece ser essa a vontade de quem me tem contactado. A codificação das palavras não está acessível a qualquer um... mas este blogue tem uma finalidade...
dá-me gozo escrever sobre alguém que foge do Amor.

Mulheres diligentes, inteligentes e belas (Maio 2008). Prefiro a noção de fêmea, é exclusiva das mulheres, pois a diligência, a inteligência e a beleza são atributos também dos homens, cada vez mais raros… infelizmente.

A inteligência serve as pessoas, as causas e o Amor. A inteligência não é só a racional, que nos fizeram acreditar durante muito tempo, existe uma inteligência emocional, como testemunham as novas correntes da psicologia, como por exemplo:

“… quanto mais as nossas emoções são conscientes, mais liberdade ganhamos na nossa existência… o silêncio é mais traumatizante do que a dor partilhada… não pode haver verdadeiro perdão sem justiça. O perdão passa pela expressão do sofrimento e pela afirmação da raiva… a alfabetização emocional é o desafio actual”.

Isabelle Filliozat, in “ A Inteligência do Coração” [1997]



Trespasses

Life is designed
With unfinished lines
That another sings
Each story unfolds
Like it was gold
Upon a ragged wing

The bold and the fair
Suffer their share
He whispered to his kin
All of my debts
Left with regrets
I'm sorry for everything

And she pinned back her hair
Shouldered with care
The burdens that were his
Mending the coat
That hung on the post
In heart remembering

And her time was to come
Called to her son
This your song to sing
All of our debts
Wove with regrets
Upon a golden string

And he found the old coat
Hung on a post
Like a ragged wing
And took as his own
The sewn and unsown
Joyfully whistling

Trespasses stretch like broken fences
Winding as they may
Trespasses stretch like broken fences
Hope to mend them one day



Patti Smith, in "Trampin" [2004]


Foto 1 e 2: Uma criança, como os meus gatos...

Foto 3: Patti Smith, foto de Steven Sebring, em Stairwell, Michigan: 1997.

1 comentário:

Anónimo disse...

Adorei o título e as fotos dos bichinhos. Os animais são os melhores amigos das mulheres, os outos "animais" não merecem a nossa dedicação.
Bjs
Gaby