terça-feira, 14 de outubro de 2008

MARTE... A-mar-te.




Neste espaço as palavras são livres, dançam ao sabor das vagas assombradas e ensombradas pelo temporal das pedras de Marte, ou deambulam dançantes e descalças como Isadora, na sua eloquência de quem perdeu o medo de assumir a sua loucura.
Sentir a energia da terra, da água, do fogo, do ar, do éter... da flor que guarda o diamante como um segredo eterno.

Tudo é energia, tudo o que projectamos, recebemos o seu retorno, pela lei da correspondência cósmica.
Não é uma retribuição judaico-cristã, mas uma resposta do Universo inteligente.

A cada ser cabe um projecto divino de ascensão, passando da dimensão obscura (inconsciência) à claridade (consciência).

Existem seres que andam por aí, que ainda vivem com a noção de territorialidade, da falsa noção de império, que baralham conceitos de posse e propriedade e ficam avassalados quando se perdem no devaneio do território.
A revelação da ordem suportada não está embutida nesse território, onde ainda tenta eleger um feudo, como se aquela terra fosse sua propriedade.
Depois, revela-se o delírio imperial, como um velho cavaleiro templário que ainda guarda nos genes desta encarnação, a noção de império, de território, de outras guerras travadas, talvez, na Idade Média.
Quando se tem Marte a 25º de Sagitário, na XII casa, deve-se ter algum cuidado com atitudes violentas. Temos logo o retorno, pois sendo a casa XII uma casa kármica… a luz da consciência ainda não tocou essa área de vida, mas as experiências acontecem como oportunidades de consciência. Existe uma desordem interna, espelho dum “buraco negro” da memória. Como nada acontece por acaso, espero que tenha entendido a experiência, não com esses “seres insignificantes” que o acompanham, seres que vivem primeiras encarnações, mas com a capacidade que tem, quando uma noite me disse que provavelmente esta é uma das suas últimas encarnações. Será? Como Helena Blavatsky, Alice Bailey, Max Heindel… talvez, Hirão Abif…

… talvez, mas se assim é, terá que aprender que a crueldade foi uma defesa para um medo inconsciente. Talvez, seja parte da revelação exposta, quase confissão imposta, para o que está para além da crueldade, algo que não encontro designação de substanciação, nem de adjectivação. Provavelmente, essa palavra ainda não foi inventada pela humanidade.

Primeiro experiencia-se, depois teoriza-se… só assim faz sentido, pois os sentidos como percepção do sentir, revelam-nos os caminhos para uma nova racionalidade.

Foi numa sexta-feira, 13 de Outubro de 1307, em La Rochelle.

Cavaleiro da Ordem do Templo, de espada erguida, como a Espada de Tyler, os dois lados da lâmina, o amor imemorial e a recusa dele. A espada erecta na sala, as mãos dadas como um templo sagrado, a cumplicidade de muitas vidas ficou ancorada, à espera do momento certo...

Na única regressão com progressão que fiz, reencontrei um cavaleiro de espada apontada, um cavalo branco sem rédeas, um agente transmissor de luz, uma pedra triangular, uma serra nebulosa, brumas esquivas ondulavam entre o azul e a cor púrpura do 7º raio de evolução... capelas, igrejas, mosteiros… monges caminhavam para um outro tempo, talvez reencontrado nesta vida.

Parece uma tela surrealista, como os quadros de Dali...
Não será o realismo a forma menos criativa de expressão artística?
Seguindo a intuição, começo a juntar as pedras...
do Templo, do Tempo.

Os Velhos Mestres conhecem velhas formas de invocação.

A Santa Trindade, a triangulação angular, começa a fazer sentido…

“A raiva é um apêndice do amor”… vale sempre a pena da pena abandonar a viela do apêndice, fugaz e transitório, como mero anexo palpitante, e caminhar pela estrada onde só o amor impera, longe dos imperialismos condicionantes do território.
A “era de aquário” está à nossa espera, como uma infiel amante, como uma fiel amiga.


No Lado Certo de Cada Rua

existe no lado certo de cada rua uma porta
um sinal indicando o rumo do paraíso
esse lugar onde as pessoas se amam
riem ou choram
apenas quando é necessariamente
preciso

uma porta, uma janela ou um sinal
qualquer, um caminho, os poros duma vida
indicam sempre a distância onde se mora
e sobrevive, acredita e ora
no exacto momento do apagar da luz
à saída

uns partem para sempre na penumbra
e outros resplandecem como a lua iluminada
e tornam palpável a miragem de qualquer norma
onde se obriga a que tudo se altere e transforme
fazendo crescer a semente da sabedoria
onde antes somente havia breu
e o nada
ambicionando ser dia.


José António Gonçalves, in “Noites de Insónia” [1998]


Imagem 1: Foto da Nasa do planeta Marte, retirada de:
http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/archivepix.html

Imagem 2: Foto da Nasa do planete Marte, retirada de:
http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/archivepix.html

Imagem 3: Matriz energética Marte na XII casa.

1 comentário:

Anónimo disse...

És o ser humano mais estranho que alguma vez conheci. Podias estar em paz, mas continuas a tua escalada de loucura, por um anormal, desprezando quem te ama.
P