terça-feira, 2 de setembro de 2008

Lisboa "desuranizada"



Trabalhei durante muitos anos na cidade que foi o meu berço: Lisboa. Hoje, evito a permanência nesse espaço desconjuntado, onde todos se atropelam, onde todos correm para o precipício, outros há muito que lá estão, meras peças funcionais duma máquina infernal criada pelo império barrento do capitalismo, e do consumismo birrento dos ventres gordos, cada vez em maior número que por aí deambulam.

Lisboa, só mesmo nas manhãs de Domingo, abandonada aos turistas, aos pombos, com as máquinas das obras adormecidas… Hoje, fui tratar duns assuntos do dito quotidiano, ao qual me esquivo, cada vez mais. Parei junto aos semáforos da Rua Alexandre Herculano, e reparei numa série de homens vestidos de igual com fatos cinzentos, espartilhados entre a raiva e a fuga que não podem encetar. Aqueles homens (e mulheres!) estavam presos dentro de si próprios, com as contas por pagar, com os filhos por criar, com o tempo preso, numa vida adiada nos recortes da hipocrisia, incapazes de se tornarem magos da sua própria vida.

É difícil descrever as águas do pensamento… aquela não era mais a minha Lisboa, do tempo dos eléctricos, do sorriso do meu avô na sua alfaiataria no velho largo do Carmo, dos tecidos que ia comprar com a minha mãe à Baixa, da velha loja de comida para animais na Praça da Figueira que tinha a mistura preferida para os meus canários, das missangas da Casa Batalha para fazer as bugigangas da minha adolescência.

Lembrei-me de dois livros que li há largos anos: “1984”, de George Orwell e a “Terceira Vaga”, de Alvin Toffler. Pois… hoje somos filmados a cada esquina, são as portagens para se entrar em Lisboa, são os chips nas matrículas, como os animais já têm… este é o fascismo onde vivemos, mas que poucos denunciam! Saltei fora desse barco fundeado há quatro anos, hoje já nada me prende aqui… só um grande Amor.

Esta não é mais a Lisboa onde nasci…

No turbilhão de pensamentos e recordações que me assolaram naquele momento, um deles foi o elogio que Patti Smith fez em Outubro passado, à cidade de Lisboa. Mas ela desconhece Lisboa por dentro, que há muito foi vendida aos grandes interesses económicos, faustosos de tudo que é o nada... Pouco tempo faltará para ser taxado o ar poluído que respiramos.

Esta não é mais a Lisboa onde nasci…

Lisboa desumanizada, espartilhada, acorrentada…
“desuranizada”.



URANO é:

a mente cósmica, divina e universal. (Universal Mind).

Saturno cristaliza, Urano liberta…

Aceitar a estabilidade instável desta coisa que chamam vida, vale a pena... tentar. Quando Urano passa, quebra as amarras, retoma o risco de acreditar que viver faz sentido. Há uma intenção divina no acto de estar vivo, saber caminhar na noite escura sem medos, é entender Urano. Todas as revoltas revelam Uranos mal vividos, conhecer Urano é fascinante… Ser fiel ao descondicionamento é a proposta de Urano, que está entre Saturno e Neptuno. Tudo começa a fazer sentido, nos mais diferentes sentidos. Todas as impressões digitais são diferentes e únicas.

Querem enformar a espécie humana segundo uma parametrização de indiferenciação, como se todos tivéssemos que viver em condomínios fechados. Sempre me repudiaram esses espaços, com seguranças à porta, com sistemas de vídeo por todo o lado, com alarmes que disparam à entrada duma formiga. Gosto das casas sem muros, sem redes (só de pesca), onde o Sol e a Lua dançam na harmonia da integração da imperfeição do outro. O prazer de partilhar quem somos, sem exigir nada, é algo que muitos desconhecem. Talvez isso seja o Amor... a passagem de Mercúrio (analítico) a Urano (sintético).

O Tempo está no Cosmos… O Tempo é o “Momento Certo” que só a Alma (re)conhece.

Urano a 24 graus de Câncer, na casa VII.
Urano a 23 graus de Virgem, na casa V.


Tudo começa a fazer sentido, para quem o souber entender…


The Passenger M

The Passenger and those he leaves behind, connected for a moment by a long unwinding ribbon. A streamer cast and caught with joy. A streamer cast and caught with joy. A ribbon of life snapping - pitched and tossed, wrapping round a wrist, gasping upon a wave or trampled upon below.

The Passenger is suddenly flattened. Perhaps it is the sight of wet crepe, a beloved port or a loved one fading – a tiny dot dissolving as the vast grainy sea takes over. Soon he is taken over as well by a sense of relief, of wightlessness, or by the courageous scent of his own volition.

The air is sweet . The arm of the sea curves and cradles, subduing all passion, and is a comfort and a lure.

The Passenger M is … musing …

Addressing perhaps … the void. The pit of the will which he pops like a stermless cherry. He regards his empty hand, the indifferent sea . If he were to step out upon the sea, would he be swakkiwed like an insect or supported like a king… Might he remove his slippers and walk upon the waves amongst the tiny fishes and draw from the swell a symphony of moans and hisses…

The sun appears from behind a rolling cloud. Sighing, the Passenger lets slide these notions for he is suddenly sleepy. With a nod to the elements he turns and makes his way to his cabin. The rays break and sparkle, lacquering the surface, as if in preparation for the perfect walk.

Patti Smith, in "The Coral Sea" [1996]

Foto 1 : Lynn Davis
Foto 2 : Lisboa…

2 comentários:

Anónimo disse...

Andas pessimista, Lisboa é linda, mesmo com o betão a mais.
Bjs
Nuno

Anónimo disse...

Mais uma vez és implacável nas palavras. Então o livro???
Gagy