quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Entre o Cubo cruel e a Esfera sem rédeas...



Recebi algumas chamadas de alguns amigos, nas últimas horas, a indagarem por mim… falei-lhes de um novo tempo que está prestes a acontecer. As suas prisões, os seus medos, os seus julgamentos personificados estão perto do fim…

Como dizia BUDA: “ A cada momento nós nascemos e morremos…”, pois, talvez seja assim… e se assim é, provavelmente não é um pensamento errante.

A dinâmica do Univer-SO, todos nascemos SÓS e morremos SÓS, esta é a grande, talvez… única verdade… o Amor é a força que dinamiza todo o Universo, por vezes, esse Amor é-nos renegado da forma mais cruel…

… ao ACEITAR, simplesmente aceitar… na "nossa" memória há um buraco negro, há uma DOR- AMOR - ROMA, pois ao aceitar uma experiência dolorosa… as crises da existência são as grandes oportunidades de evolução.

Em todos nós habita uma contradição, uma incapacidade, uma dor que não foi entendida, mas pode ser, ainda…

Não foi por acaso que há quatro anos, sentaste a tua filha mais velha à minha frente, e por instinto, o teu único filho, imaturo, muito verde, veio sentar-se a meu lado...

...aquela hora que estivemos frente a frente, percebemos que amávamos o mesmo homem… sempre com as duas formas que o Amor liberta. Pergunta-lhe… ela sabe, porque sentiu, quem sou… foi mágico, mas nunca te foi revelado, coisas de mulheres que tudo entendem… Conversa com a tua filha mais velha, ela sabe... quem sou (porque sentiu...), até retirei o eu, a personalidade, o ego, o orgulho, o medo... que já perdi... só o que sinto por ti me move...

Se fosse poeta, ou poetisa...
teria escrito estas palavras para ti… só para ti…


Quero falar-te deste amor, como de um vento
amordaçado na camisa; na febre de verão
que o mercúrio não acha; um telhado esmagado
pela ideia de chuva. Quero dizer-te

que sobre ele pairaram sempre brumas e nevoeiros
e profecias de temporais maiores, como os que levam
para longe os corpos dos navios. Não há notícias

deste amor; apenas uma intriga, um recado sonâmbulo,
um temor que desmaia as pregas do vestido e um sortilégio
urdido nas paisagens suspensas de um mapa que aperto
na mão sem desdobrar. E há memórias

deste amor? A voz sem as palavras, um livro lido
às escuras, um bilhete cifrado deixado num hotel,
um velho calendário cheio de desencontros? Não,

não há memória deste amor.



Maria do Rosário Pedreira, in “O Canto do Vento nos Ciprestes” [2007]

Imagem 1: Cubo... em ascensão a Deus da crueldade.

Imagem 2: Esfera... sem rédeas: entre o seu mundo cor-de-rosa e os seus perfumes caros... os livros estavam imbuídos (e embebidos) de perfumes muito caros... se o Amor tivesse um preço, eu comprava o Universo só para ti... mas o Amor não tem preço...

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