sábado, 2 de agosto de 2008

02 Agosto 19...[9]




Foi para "alguém" que estas mandalas foram pintadas em seda, nesta sede do reencontro, mergulhada na sua matriz energética primordial, na nossa "gruta" fugaz e eterna. O contra-senso é justificado pela ausência física de "nós", pela permanência do “Princípio” das nossas almas injustificadas.

O "monge" que reencontrei, no pequeno quarto azul, exposto por duas janelas... "risíveis e desgraçadas, plenamente falhadas, a fogueira onde me encanto…"

Este é o presente que queria dar-lhe hoje: as mandalas do fogo (ele: ser) e da água (eu: sentir)... no silêncio glauco das águas, de cada momento certo.

"sentir a sua ausência, sabê-lo algures, esperar neste longo exílio"...



FRAGMENTO EM FORMA DE RECONHECIMENTO

O tempo de espera se espreguiçou sobre ondas marmóreas.
Sentado sobre a falésia ansiava por um café que vencesse a monotonia do sono.
Era um desejo inventado na distância magoada.
Sonhava que era uma questão de tempo. Esse imenso tempo que ia consumindo todas as coisas que são efémeras, mas que guardava inteiras e belas em recantos indolores da memória.
Agora, amanhã, perceberei mais claramente que são as coisas efémeras, que dão sentido ao decorrer do tempo inútil em busca da inalcançável calma de uma amizade que me abraça e me renova.

António Sem, in "Analogias" [2003]

1 comentário:

Anónimo disse...

Não perceci o título em forma de data, mas adorei o texto, e as mandalas, claro.
Bjs
Gabi