terça-feira, 22 de julho de 2008

O Voo da Águia (azteca).



As lições da natureza são sábias, ao homem apenas cabe um leve toque do conhecimento incipiente, tão breve como o abrir e fechar da cortina do quarto cego do Amor.

Esta é uma das histórias que ainda me fascina, talvez… pela semelhança figurativa com o momento presente (só ele existe), nesta transposição consciente para as novas águas, onde só o teu olhar permanece, longe do egocentrismo deste império esculpido, do lado errado do tempo.

Há quatro anos, nesta mesma noite, estavas nos meus braços e tudo era perfeito, apesar das lamechices do “pó-pó semi-novo”.

Se o tempo ainda existe… é por ti.


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O VOO DA ÁGUIA

A águia é a ave que possui a maior longevidade da sua espécie. Chega a viver setenta anos, mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos tem que tomar uma decisão.
Nessa idade está com as unhas compridas e flexíveis, já não consegue agarrar as presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo encurva-se. Encurvadas contra o peito estão as suas asas envelhecidas e pesadas devido à grossura das penas. Voar torna-se cada vez mais difícil.
Então, tem duas alternativas: morrer, ou enfrentar um doloroso processo de renovação que durará aproximadamente 150 dias. Terá que voar para o alto de uma montanha e recolher-se num ninho perto de uma rocha, de onde não seja forçada a sair.
Depois de encontrar esse lugar, a águia começa a bater repetida e dolorosamente com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Após o extrair, espera pelo novo bico com o qual inicia nova regeneração, arrancando agora as suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela arranca as penas envelhecidas. Após cinco meses, ela lança-se no famoso voo de renovação, que lhe abre as portas para uma nova etapa de mais trinta anos de vida.

(Autor Desconhecido)

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As Flores e os Cantos

(…)

A amizade é chuva de flores preciosas.
Brancos tufos de plumas de garça,
entrelaçam-se com preciosas flores vermelhas:
nos ramos das árvores,
debaixo delas andam e libam
os senhores e os nobres.


Vosso belo canto:
um dourado pássaro cascavel,
muito formoso o elevais.
Estais numa cerca de flores.
Sobre os ramos floridos cantais.
Acaso serás tu uma ave preciosa do Dador da vida?
Acaso falaste com o deus?
Tão depressa como viste a aurora,
os pusestes a cantar.

(…)

Aqui na terra é a região do momento fugaz.
Também é assim no lugar
onde de alguma maneira se vive?
Aí nos alegramos?
Aí existe amizade?
Ou apenas aqui na terra
viemos conhecer os nossos rostos?


Ayocuan Cuetzpaltzin
(poeta da região Poblano-Tlaxcalteca – segunda metade do século XV – princípios do século XVI), in “Quinze Poetas Aztecas” (*) [2006].

(*) mais um livro depositado no corredor dum edifício sem personalidade jurídica, será… eventualmente apreciado por um “douto” público. Não entendo esta história espinhosa, talvez um dia “Alguém” me saiba explicar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Como eu te entendo.
Gabi

Anónimo disse...

Bom fim de semana para a "voadora".
Bjs
Nuno