quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lord Byron: o eterno romântico.


Se pudesse descrever em três palavras, um dos expoentes máximos dos poetas supra-românticos, elas seriam: extravagante, exuberante e empolgante.

Lembro-me que comecei a ler Byron, há uns 24 anos, no tempo das minhas “teatrices amadoras”… iniciei-me com o “Manfredo”, um dos seus poemas mais enigmáticos, personagens inesquecíveis desse tempo de descoberta, a feiticeira dos Alpes, o Abade e a Némesis… Sempre adorei castelos, montanhas, e… o mar ao qual ainda pertenço.

Uma das passagens que me marcou, foi quando Manfredo referiu:

“… Maior mudança em mim já fez a vida
Do que em ti fez a morte. O teu amor
Tão desmedido era como o meu.
Para tormento mútuo não nascemos,
Mas foi mortal pecado nosso amor.
Que não me odeias diz – hei-de sofrer
Castigo por nós dois e morrerei
Para ganhares eterna salvação;
Todo o perverso mundo conspirou
E da minha existência fez prisão..."


Andou por terras lusas, desvendou alguns mistérios da sedução das brumas envolventes de SINTRA… Espanha, Itália, Suiça, Malta, Albânia e morreu na Grécia aos 36 anos (=9: o eterno recomeço).

Morreu na praia (todos os poetas morrem na praia da sua solidão...), procurando assim o eterno reconforto, a almofada de seda que envolve a alma:
“É chegada a ocasião de descansar”
– dizem, terem sido as suas últimas palavras ditas.

O seu coração foi embalsamado e sepultado em terras gregas… o que não era coração foi até à sua terra natal: Londres. Curiosa esta imagem turbulenta da própria morte, como se a fatalidade trágica da sua vida, perdurasse para além dela.

Disse uma vez a seguinte frase:
“Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida”.

Será que os homens têm a capacidade de amar várias mulheres, e as mulheres só amam uma única vez, sempre o mesmo homem? Provavelmente…


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Tu Me Chamas

Em momentos de delícia,
Extática, embevecida,
Numa voz, toda carícia,
Tu me chamas: "Minha vida!"

Sentira, à frase tão doce,
Exultar-me o coração,
Se a nossa existência fosse
De perpétua duração.

Levam-nos esses momentos
Ao fim comum dos mortais.
Ou não saiam tais acentos
Dos lábios teus nunca mais.

Ou, mudando a frase terna,
"Minha alma", podes dizer.
Pois a alma não morre; eterna
Qual meu amor, há-de ser.

Lord Byron

[22 Janeiro 1788: Londres / 19 Abril 1824 (Domingo Páscoa): Missolonghi]

2 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pelo teu blogue, adorei.
Já sei do teu novo projecto. Força!
E deixa lá o doutour, afinal somos colegas.
Bj
Vitor Almeida

Anónimo disse...

Sem um dúvida um grande poeta.
E Sintra aqui tão perto
Bjs (Cascais)
Gabi