segunda-feira, 30 de junho de 2008

Re-acordei... assim...


Adormeci por dentro do cansaço, duas noites em claro, do escuro transparente que é sentir-te longe e perto de mim. Re-acordei, agora e senti como a realidade, longe do nosso azul, nos afasta da profundidade das águas do sentir. Sonhei acordada que eu era ela, que ela era eu, a mesma mulher, dois corpos, uma alma… a beleza interna e externa, como estereótipo do assombro… os teus ângulos perscrutam as minhas curvas desalmadas, quase assassinas, o meu esbarramento na inconsciência deste sentir.

Amar (mar… amr…) é imbuir-me no embuste da pedra santa, da santa loucura de ti, a santificação da tremenda estupidez, em busca de nós. Fechar o olhar por dentro, não querer mais ver o brilho do Sol, sentir-te quando tocas nela, perder o pé, a terra, o ar… fico a arder neste fogo de água gélida, o gelo arde em momentos certos.

A teia do real já não me assusta… perdi tudo, o orgulho do ser, o encanto falso da serpente que só quer possuir, a posse falsa social da qual me afastei, da pose de fêmea que se impõe em estranhos personagens. O fio esfarrapado do real passou por aqui, como uma prenda, um olhar de palco que nunca existiu. Foi o teu olhar dentro do meu, na tua gruta fina que me enfeitiçou. Aquela madrugada de 13 de Outubro de 2004, da qual fugi, com medo de ti, de mim, do que senti… da maré viva que me assolou na praia das nossas memórias.

Todos os apelos que tenho, morrem antes de nascer… é por ti que espero, nesta estranha morte renascentista, tantas vezes morri… na velha praia (talvez da Adraga) à espera de ti. É a praia da ilusão, da eterna espera, da noite da revelação, em busca da sorte, do engano, do desamor do Amor… do olhar por cima das tábuas do palco trepidante, do micro-cosmos efémero.

Foi estranho o que senti a meio da tarde na A2 à procura de ti, senti a tua solidão, ela partiu outra vez… senti o momento certo em que voltaste a ficar sozinho (mesmo com ela, estás SÓ...), na entoação da certeza pacífica da tua voz. Partir sempre, a urgência de partir, será sempre uma das cordas acústicas dissonantes do "Universo das Musas". Foram tantas as partidas, tantas as incertezas… poucos os portos de chegada, muitos os cais de partida.

Os traços que desenhas no mármore frio e cruel, são as linhas da prisão de ti em mim, do lado errado de ti…

Abri aos mãos, os braços, o olhar… e perdi tudo… perdi o medo da própria morte, de desafiar os amarradores do sentir. Já não estou contra, pelo simples facto de estar contra, era assim há 20 anos, hoje provoco os pilares de aparência bolorenta, com uma consciência de quem passou todas as dores, de quem tenta secar as feridas do abandono injustificado. Os barcos partem sempre para novas terras, mas a água permanece, nesta eterna partida de águas sempre incertas.

… não me prendas… aqui.

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns pelo teu blogue, não sabia que escrevias assim. O Nuno é que me falou dele.
Um abraço
António Coelho