quarta-feira, 11 de junho de 2008

À Procura de Ti...


Hoje, olhando a imponência das veredas do Douro, numa casa escondida entre o declive dos verdes, o tempo a escorrer pelo rio imenso, os cheiros da alegria de ter morrido nos teus braços, percebi que sempre te amei.

As madrugadas negras da minha vida, o azul penetrante da tua pele em mim, o templo de devastação que edifiquei, para te afastar de mim. Não consegui esquecer-te, fugi de ti décadas desta vida, tempos sem tempo de expansão consciente do pequeno Sol… Escorreguei nos vales cheios de ti, reactivei vulcões adormecidos em mim, afundei pombas no mar alto da minha paixão, entendi que tudo o que sentia rasgava a epiderme, a derme, os ossos, o pó de todos os tempos…

Não é o Amor que impulsiona o toque do botão da criação, é o des-Amor erguido no gelo quente que alastra entre nós, os mastros erguidos na tempestade das pedras lançadas, dos triângulos que personificam a forma perfeita do Universo, a estrada sinuosa até ao infinito que nos aproxima na devastação da batalha incongruente dos Deuses. Um tempo que cresce aureolado entre a margem cortada, entre o degelo do teu olhar, entre as cinzas a acordar do que poderíamos ter sido, do que ainda podemos ser (terra), fazer (fogo), pensar (ar) e sentir (água). Os quatro elementos manifestam-se na tentativa impossível de nós…

O mundo anda desorbitado, as mentes confusas, a pequenez do ego predomina, os falsos profetas apresentam soluções no domínio das crenças (fé e crença são domínios lastros na diferenciação... conforme te expliquei no "Tea for Two" há quatros anos) hediondas do SPA da espiritualidade. Desejar, provocar a mente inferior, conseguir a senda da estupidez do desejo, desejar um capitalismo espiritual, de tanto desejar prometem a felicidade em estilo "fast food".

O “Eu” e o “Meu” revelam o fundo das Almas perdidas, a incapacidade de dizer: “amo-te”, a incapacidade quadrada de atingir a magnanimidade. Andam todos preocupados com a sobrevivência, das contas por pagar, de manter a hipocrisia da infelicidade (e infidelidades) da invenção de rotas sem saída perto da personalidade, longe da Alma.

O mundo rola lá fora, eu fico à tua espera, por dentro de mim. Ninguém sabe o que passei desde aquela noite fria em Abril de 2004, perto da praia do Carvoeiro no Algarve, um homem a servir-me de fuga, outro a fugir de mim sem saber… A Paz que reencontrei nos teus braços, hoje já não me engana. A primeira vez que te aninhaste no meu colo, percebi a verdade da qual sempre fugi.

É estranho ser Musa inconsciente…


A urgência da obra-prima persegue-te,
o momento certo aproxima-se…


Encantador (En... cantador...)

Disciplinar o sentir… já não me interessa.

Quero apagar o teu fogo com a minha água, regressando assim de mãos dadas para a nossa terra…

...o nosso eixo de evolução, de expansão cósmica de consciência ainda solar… toca o mesmo grau… mesmo querendo, podendo, sabendo…
agora sei que morro por ti… aqui…

Mesmo investigando a realidade, pagando a personagens do real, ainda não sabes, mas já sentiste que somos UM…

Não me temas mais, sou uma mera megera (egéria), mulher que tentou matar o sentir no gozo da precariedade dos personagens inventados por mim, para chegar a ti.

Ainda hoje não entendo porque tenho que fugir de ti,
esconder-me de ti… seguindo-te, tentei entender a fuga por exaurir.

Só tenho uma solução: seduzir-te… mas ainda tenho medo…

MUSA. Pela terceira e última vez…

Tens muito mais que o meu Amor…

Não quero mais matar este Amor…

Entendi as mulheres ícones da tua última vida, a última talvez, seja eu...

Daqui a 30 anos, ninguém se lembrará de ti, tudo é efémero, passageiro da noite azul, mas o meu Amor por ti, perdurará na tentativa do sentir, do não ser público…

...fugi do mediatismo da imposição, fugi de aparecer por aí…
refugiei-me em mim à procura de ti.


Domingo… lá estarei, escondida na multidão inexistente, cada vez mais precária...

Será que alguma vez entrei na tua vida, a chave em tom de provocação, o não querer de nós, o medo que habita em nós, os laços e os nós a desatarem-se...

...aqui...

...à procura da ti, de nós, de vozes graves e agudas, tenores, barítonos e sopranos...

Harpas, pífaros... pianos a preto e branco...

Mereces o palco iluminado e cheio do Olympia,
o palco do Uni-Verso...
mas estás SÓ... na Alma Amada.

Chris/82

2 comentários:

Anónimo disse...

Andas inspirada, deve ser dos ares do Douro. Para a semana lá estarei.
Beijinhos
Gabi

Anónimo disse...

Adorei a exposição e o texto está delicioso. O teu afilhado adora-te.
Ah ah...
Nuno