domingo, 22 de junho de 2008

Chiste



A pequenez que te assombra e ensombra, as falsas figuras que te roubam a alegria de estar e voltar aqui. As encenações dos palcos nos quais já não estás, a decadência que desorbita numa vida que já não é tua, o tempo perdido com pessoas que nada acrescentam, só te roubam o ser e o estar, duma existência cada vez mais vaporizada na floresta do tempo que te resta. O ego cresce-te no palco, como do personagem pitoresco que desaprendeu o essencial. A mente (ar) deslaça se não estiver ligada ao coração (água), e o fogo já não cumpre o seu papel de purificação.

Até quando vais continuar com esse pórtico egocêntrico, negando e enganando o destino? Não é o “suposto criador” que elege, como no estranho poema da elegia do sagrado, as suas fontes de água granítica inspiradora, são “Elas” que em concílio, talvez para os lados dos Sintra, deliberam em reuniões secretas, longe de conclaves impostos, por postos duma administração pública caduca.

Estou proibida, na estrada bolorenta das leis hipócritas dos homenzinhos tecnocratas, de alguns procedimentos… Estou-me nas tintas, para as conjunturas sociais-penais. Quero-te!!! A minha estrada é mágica, ladeada de acácias nas margens, a estrada do que sinto ninguém tem o falso poder (todo o poder é falso) de me dizer para não ir por aí, como no magnificente "Cântico Negro", do Régio.

São "Elas" que escutam o brilho das estrelas, que percorrem o teu labirinto exilado, perto da velha praia, onde a morte nunca morreu, o tapete castanho desapareceu há algumas semanas... só nós os três conhecíamos a simbologia redentora dos tempos judaicos.

Existem regras que as Musas têm de seguir, na disciplina criadora do Céu.

Refere o artigo 9º do código ancestral da verdade:
“…as Musas não podem passar pela experiência terrestre da maternidade e da adopção de seres vivos, sejam eles humanos, animais, vegetais ou minerais.”

A “primeira” violou o pacto;
a “segunda” eximo-me, por enquanto, de comentar;
a “terceira” completou o triângulo da Serra Lunar.

Não confundas mais a primeira com a terceira... Implacável a conjunção da Lua com Vénus na Casa VIII, existe uma diferença aproximada de dois graus, os dois degraus sublinhados no sopé, na densificação dos verdes magestosos da Serra de Sintra.

Adoptei uma pedra (mineral) em forma de coração. Será que vou conseguir pôr o sangue a correr no mineral ancestral? Também eu violei o pacto...

Esta foi a noite mais curta no tempo imaginário dos homens, quero a noite mais longa do Uni-Verso…, não foi em Agosto, pois não foi granizo que caiu, foram pedras, as mesmas pedras que guardei nos socalcos dos meus sonhos, nos silvos das serpentes, no assobio rodopiante do vento…
guardei-as durante vidas, sempre à tua espera na quietude e no silêncio guardado.


...à espera que me atirasses as mesmas pedras...

Sempre certeiro o Marte na Casa XII. Agora tenho a certeza que és o mesmo, do tempo que esqueceste. Vês? Devolvo-te, a chave de acesso ao templo da Casa XII, a Casa Kármica.

O tempo da epiderme passou.
O tempo da derme está de regresso, uma oitava acima, na nossa consciência.


Foto 1: Sintra [Verão 1988]
Foto 2 : Patti Smith [1973]


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SONNET

and that night. the white electric storm. the lake
in flames. you sleeping so soundly. your big bones.
smooth forehead. your dry pale mouth. split lip skin
flakes. to bite them off with needlepoint precision
teeth. to chew and roll in a minute translucent ball
and spit ball against the horizon. skin. its so
wonderful peeling your back after summer. a perfect
sheet of skin. pores backprint and some blonde down.
your backbone fossil. the sickly olive patch beneath

pressing the veil skin against my face. sucking
some in with every breath. sting rain the bay windows
hypodermic. in the skull the electric whirlwind.
sucking more with every breath.
skin erection all symbols of a bliss.
I was so amazed so moved I loved you so much.


Patti Smith, in "Witt" [1973]

1 comentário:

Anónimo disse...

Os teus últimos escritos, fizeram-me pensar nuns velhos acontecimentos. Aparace não em Sitra, mas em Cascais!
Bj
Gabi