sábado, 17 de maio de 2008

É (era) Uma Vez...



Esta semana, entre as horas cruzadas da última e da próxima exposição, entre o lapidar do tempo errático e o lascar do tempo certo, reencontrei uma velha amiga dos tempos de faculdade.

Foram horas e horas a conversar, mais que conversar foi falar sem parar… a última vez que aconteceu foi em 2004, o ano onde parti sem hesitar, pela estrada que sempre quis percorrer, longe das amarras das análises estatísticas e de probabilidades.
O Amor é uma possibilidade.

Os sonhos, pelos quais ambas pugnávamos há mais de vinte anos, uns concretizaram-se, outros ficaram cristalizados num relógio sem tempo, com ponteiros quase plectros (morte que mataste Lira, mata-me a mim que sou teu... sempre os Açores!), curiosamente somos ambas eternas apaixonadas pelas “Nove Ilhas”… A minha eleita é o Faial, ela as Flores… Confesso que sempre balancei entre o Faial e as Flores, mas como o Faial foi a primeira ilha que conheci, foi lá que ficou o meu coração. Dizem que não há Amor como o primeiro, talvez, mas “ELE” sempre esteve lá, sempre fugi dele… até o momento certo que o (re)encontrei, ou talvez aquele não fosse o momento certo...

Como somos as duas filhas únicas, quase da mesma idade, morávamos perto, eu em Nova Oeiras, ela em Sassoeiros (devias ter continuado aqui… pois, os filhos já não cabiam naquela casa…), longas foram as tardes e as noites de estudo das leis e teorias , quase todas delineadas pelo "império masculino". Nunca fomos apologistas das teorias de libertação das mulheres, mas ainda estamos a viver as sobras e as sombras desse império decadente.

A dispensa que tivemos em direito das obrigações, no terceiro ano da faculdade, foi obra… Agora à distância, percebemos como tudo é relativo, como as condutas de vida permanecem transversais aos nossos sonhos daquele tempo…
Os nossos casamentos com os homens errados, naquele tempo eram certos, foram tentativas pragmáticas de continuidade duma utopia, na qual já não acreditamos.
O economista está na falência económica total, o investigador criminal, cansou-se das brigadas mutantes anti - "qualquer coisa". Não nos casamos, nem com o economista, nem com o investigador criminal, casamo-nos com a representação dos papeis que eles encenavam na vida real...

Antes de ir ter com contigo, pensei em levar umas ofertas aos teus filhos. Quando o primeiro nasceu, o João, foi como se fosse meu filho. Hoje, já quer ser arquitecto! O tempo, que não existe, demonstrou que nos enganámos, eu mais do que tu… Não sei...
A história, conta-se e escreve-se no eterno presente, o presente doloroso que não queremos viver, mas que contém a chave para aquilo que queremos viver...
Esta noite telefonaste-me e disseste-me que vais acabar com o teu casamento, como tua amiga, é só isto que te posso dizer.

Levei dois livros infantis (?), dois Neale Donald Walsch, e para o mais pequenino de três anos que ainda não conhecia,um brinquedo.

1º A Pequena Alma e o Sol [1998] (*)
2º A Pequena Alma e a Terra [2005]


Os dois começam por era uma vez:


“Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Eu sei quem sou!
E Deus disse:
- Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou:
- Eu sou a Luz!
E Deus sorriu.”




“Era uma vez, quando nem havia tempo, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Não quero deixar-te.
- Óptimo - disse Deus, com um grande sorriso -, porque não quero que me deixes nunca.
Mas a Pequena Alma não percebeu, porque esse dia era, exactamente, aquele em que a Pequena Alma ia nascer e a Pequena Alma pensava que, quando se nasce, se deixa o Céu…”


O autor é conhecido pelas obras que editou para adultos (?), malditas ou benditas interrogações... as quais, penso ter lido, as obras e as interrogações... quase todas, mais do que as “Conversas com Deus” [1999…], “O Que Deus Quer” [2005] é revelador duma grande verdade estética: - “A maioria das pessoas passa toda a sua vida a reagir a sentimentos, em vez de criar com eles” [pág.155].

Quando te contei a história dos últimos dois anos da minha vida, não acreditas-te. Talvez esteja relacionada com o Faial, o que lá encontrei, o vulcão adormecido… Um dia, ou uma noite, ele acorda dos despojos ancestrais guardados em cada um de nós. Esse momento não é escolhido na pequena consciência humana, mas numa consciência cósmica, sintónica com o infinito, que habita em cada um de nós.

Espero que tomes a decisão certa, na paleta cinzenta do presente, só tens duas opções: ou continuas casada, ou divorcias-te e só Deus (que vive o divino e o profano dentro de ti…) saberá o momento a seguir, mas o certo, é o agora…

(*) Ficamos na dúvida, se será um contrato de comodato (artº 1129º -Cód. Civil), ou um contrato de depósito (artº 1185 –Cód. Civil), que levou “alguém” a entregar à desordem do bafio, duma qualquer secretaria administrativa, tentando um “judicialismo da treta” muito longe da utopia em que acreditamos: a abolição dos Tribunais; pois não passam de entidades hipócritas, com peças disfuncionais, outras continuando a quer a independência judiciária para o seu umbigo, em esquemas concebidos de competências e atribuições cozinhadas à medida da sua pequena bitola quotidiana.
Qual será o destino daqueles livros inocentes, que os ofereci a "alguém" sem nenhuma bomba de detonação anexa?

Como diria o nosso “Mestre” de Direito Penal: “Todos os Tribunais são teatros, onde as marionetas, movidas pela disfuncionalidade do SER, aplicam as leis do TER, no lastro social da conveniência do - status quo - !”.
Será sempre um lírico…

A nossa amizade será eterna, longe dos “doutos” tecnocratas e labregos, que rastejam nos corredores rectilíneos, do sistema que quisemos conhecer por dentro, para sabermos como era estar "do outro lado". Estudamos juntas tanto tempo, leis mais leis e contra-leis, para chegarmos aqui e percebermos como as fundições do edifício, já não o sustentam.
A hipocrisia da fuga, a incapacidade do diálogo, a cobardia do “ego”, ainda motivam, quem sempre terá medo do Amor…
os H (?) homens!


O nosso sonho um dia será real, quando os Homens entenderem, o que o autor citado, enuncia na melhor obra (para mim) que escreveu:
"O que Deus Quer" (pag.131): -
"... a vida não é um sistema de recompensa e punição..."

É neste espaço que se enquadra, melhor que circula, o que já defendia-mos há muito tempo: as teorias penalistas retributivas estão deveras ultrapassadas; as teorias penalistas de prevenção geral e especial começaram a não fazer sentido, neste novo tempo ainda mergulhado nas trevas do passado e na poeira que urge sacudir do AGORA.

Tomei a decisão certa há quatro anos, agora é a tua vez.

1 comentário:

Anónimo disse...

Obrigado, já tomei a decisão.
Depos de tudo o que passaste, pior para mim, não deve ser.
Bj
Ana