terça-feira, 22 de abril de 2008

O Silêncio


Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.



Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio" [1972]


Por vezes, a única forma de comunicação entre dois seres, é o silêncio.
As palavras têm um destino certo, como as cartas proibidas que escrevo, na letargia evasiva desse mesmo silêncio.
Neste exílio aceite, reencontro-te em cada folha branca na noite púrpura, no mesmo "quarto escuro da verdade"...

1 comentário:

Anónimo disse...

Mais uma vez, gostei.
Só não percebi, essa do "quarto escuro da verdade"?
André