sábado, 15 de março de 2008

Poema


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Mário Cesariny, in "Pena Capital" [1957]

1 comentário:

Anónimo disse...

Alhambra? Os arabestos que te fascinaram naquela cidade mágica.
Os planos para a nova galeria estão a andar.
Gabi