sábado, 10 de novembro de 2007

Amor sem Pele


Minhas lágrimas deixam um rasto escuro que atraiçoa meu olhar,
perco-me muitas vezes em mim só para te encontrar a ti.
Sou feita de fumo e de névoa...
ando escondida até mesmo de mim, choro e rio esperando que
sejas tu a ver e tocar-me, sejas tu a definir-me.
Esta é a arte que pratico, que exulto e me abandono a ela.
As tuas mãos foram as primeiras a folhearem-na
e cada página é a vitória sobre as trevas do dissabor.
És a visão e eu o destino rendilhado em cada vitral que
espalha o seu reflexo colorido sobre a desgraça.

Egéria, in "Amor sem Pele" [2006]