sábado, 1 de setembro de 2007

Tão Breves Que Fomos



Tenho comigo palavras
Textos breves para uma história por fazer: a nossa
E tenho o tédio, a rotina dos dias
Esta encenação em play-back
Repetitiva como a distância mediana
Entre as palavras e os factos
Espaço árido à espera de charrua,
E sei do caruncho que existe em tudo
Pena é que não ficássemos amigos, dizes tu,
É que houve um tempo
Breve mas fundo

Arquivo onde me invento
Tão breves que fomos mas tão juntos
E a ti me prendo
A ti me invento
Neste espaço em que me tenho
Porque (ainda) me habitas a noite
Embora ausente
Depois embarco só
...

Foram tantos os poemas ditos
Com as mãos no corpo,
Sem a ilusão das palavras que agora sei inúteis;
Amorfas como todo este texto branco,
Por dizer-te estou aqui e sinto
Então sonho Veneza, e parto só,
Porque hoje o estar aqui magoa.

Tão breves que fomos mas tão juntos.

Carlos Alberto Fernandes
(poeta madeirense- nascido no Funchal a 16 Novembro 1954)

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