domingo, 9 de setembro de 2007

Antologia Inglória


És a sucessão do passado a constante do presente e o silêncio do futuro.
És a palavra desejada, imaginada, feita amor.
Depois, ruíram irreversíveis os castelos sonhados.
Que se anteviam cercados de incompreensão
As muralhas iam caindo uma a uma.
Seria assim, o tempo da espera.
Somarias certezas numa razão de enganos
Tinhas comigo a força da vitória.
Madura serena e sã.
E quando a esperança batia na face.
Transformavam-se em pérolas as jóias perdidas.
Brilham opalas que a sombra admira.
Um raio de sol filtra o Universo.
E vaporizava-me saudade.
E um sortilégio de nostalgia.
A própria ternura faz-se porcelana.
Querias uma canção feita de amor.
Livre de ser cantada quando te atirassem pedras.
A liberdade era fazer poemas, não problemas.
Era pintar uma rua de vermelho.
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Nos telhados, cruzando a rua cantavam despertas aves surpreendidas.
Abriam algemas forjadas de sonhos.
De súbito...,
Rondando limítrofe a margem da coragem.
Havia outrora um lago profundo de fundo límpido e prateado.
Ventos magnéticos agitam as águas, espelham-se arrepios à superfície.
Distantes.
Os ídolos ficaram sós no meio do caminho.
Servem de espantalho aos pardais.
E quando voltas jogando, regressas anónimo fitando a única estrela.

António M.Fernandes, in “Pedra Angular” [2006]

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